São Paulo perde 2,3 milhões de vagas

O estado de São Paulo perdeu 2,3 milhões de vagas de emprego, do primeiro para o segundo trimestre deste ano.  O levantamento é da Fundação Seade, ligada ao governo paulista, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

O total de ocupados foi estimado em 19,9 milhões, queda de 10,5%. Apenas na região metropolitana, onde se concentram 9,3 milhões de ocupados, a retração foi mais intensa, 11,6%, com perda de 1,2 milhão de vagas. Na capital, a ocupação caiu 12,3%, para 5,4 milhões (menos 758 mil).

Houve redução em todos os setores de atividade. O comércio perdeu 25% das vagas. Serviços de alojamento e alimentação cortaram 15%. A ocupação também caiu na indústria de transformação (13%), nos serviços domésticos (11%) e na construção civil (10%).

A pesquisa mostra ainda que das 2,3 milhões de ocupações a menos, 1,3 milhão contribuíam para a Previdência Social.

 

CUT luta pelo auxílio emergencial de R$ 600 até dezembro

A CUT e as demais centrais sindicais brasileiras lançaram nesta quinta-feira (17) uma campanha e um abaixo-assinado pela manutenção do valor do auxílio emergencial em R$ 600 até o mês de dezembro.

Nas redes sociais a campanha vai usar a hashtag #600PeloBrasil e a palavra de ordem será “Bota pra votar já, Maia”, em referência ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que decide a pauta da Casa. O pedido é para Maia pautar a votação da Medida Provisória (MP) 1000/2020, encaminhada pelo governo de Jair Bolsonaro  ampliando o pagamento do auxílio até dezembro, mas reduzindo o valor de R$ 600 para R$ 300 e mudando os critérios de acesso ao benefício para tirar milhões de trabalhadores da lista de quem pode receber.

Além de poder assinar o abaixo-assinado pela internet, as assinaturas também serão recolhidas nos municípios com sindicatos e movimentos sociais dialogando com a população e conscientizando sobre a necessidade de manter o auxílio emergencial em R$ 600.

Os presidentes das centrais sindicais destacaram durante a apresentação da campanha, feita por videoconferência, na manhã desta quinta-feira, que o auxílio emergencial foi fundamental desde o início da pandemia para que não fosse ainda maior o estrago na economia brasileira, provocado por uma crise sem fim dada a falta de políticas de desenvolvimento, geração de emprego e renda, por parte do governo.

“Se a economia não está pior é por conta do auxílio emergencial. Os R$ 600 foram a única fonte de renda de milhões de pessoas, que utilizaram esse dinheiro, na maioria dos casos, para comprar alimentos, produtos de higiene e remédios”, disse Sérgio Nobre, presidente da CUT.

Ele aponta ainda o aumento da inflação e o dos preços de alimentos que compõem a cesta básica, como o arroz que acumula alta de 19,5% em 2020.  “Esse valor de R$ 300 sequer dá pra comprar uma cesta básica”, diz o presidente da CUT, lembrando que “todos os países que enfrentam bem a crise, destinaram 35% do PIB para proteger a vida do povo”.

 

Bolsonaro quer congelar aposentadorias e pensões por dois anos

O governo Bolsonaro estuda congelar por dois anos os benefícios previdenciários, como aposentadorias, pensões, salário-maternidade, auxílio-doença e salário-família. O objetivo é retirar o dinheiro do bolso dos aposentados para repassar ao Renda Brasil, novo nome do Bolsa Família.

Se essa proposta for aprovada, os benefícios de 23,7 milhões de trabalhadores, que recebem um salário mínimo por mês de aposentadorias e pensões, podem ficar menores que o atual valor mínimo vigente de R$ 1.045, alerta a técnica da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da CUT Nacional, Adriana Marcolino, que considera a proposta “o maior roubo a história brasileira contra os trabalhadores”.

De acordo com a técnica, no total, os beneficiários recebem R$ 14 bilhões de renda adicional que injetam na economia do país. Deste total, R$ 7,7 bilhões retornam para o estado como receita tributária.

“Em junho deste ano, o INSS pagou 35.799.449 benefícios, sendo 9,6 milhões para os trabalhadores do campo. A proposta do governo é tirar dos  beneficiários que recebem uma aposentadoria média baixa, de R$ 1.349, e passar para quem está na extrema pobreza”, pontua Adriana.

“Isso não resolve o problema de distribuição de renda nem o da extrema pobreza, tampouco resolve a questão fundamental da necessidade da retomada do mercado interno porque é o mesmo dinheiro que está na economia, apenas vai trocar de mão”, diz a técnica do Dieese.

A proposta da equipe econômica do governo vai na contramão do que fizeram os governos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, que, com a Política de Valorização do Salário Mínimo, aliada a políticas de distribuição de renda combateram a miséria, melhoraram a renda de aposentados e pensionistas e os pisos salariais de milhões de trabalhadores e consequentemente, contribuíram para aquecer o mercado interno, gerando emprego e renda.

“Essa política foi o mais importante programa de combate às desigualdades e pobreza do país”, afirma Adriana.

Só em 2014, o salário de R$ 724,00 (72,75% de aumento real desde 2002) injetou na economia do país R$ 28,4 bilhões, beneficiando diretamente 48,1 milhões de brasileiros que tinha o salário mínimo como referência de seus rendimentos. Foram 21,4 milhões de beneficiários da Previdência Social, 14,3 milhões de trabalhadores assalariados, 8 milhões de autônomos e 4,2 milhões de trabalhadores domésticos, segundo dados do Brasil da Mudança.

Setembro Amarelo este ano também é contra demissões, pressão e assédio

O mês de setembro é marcado pela campanha de conscientização “Setembro Amarelo” que acontece desde 2015 no Brasil e visa conscientizar as pessoas sobre a prevenção ao suicídio.

A campanha é da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV), mas também  faz parte da agenda de ações da CUT  que  atua para garantir a saúde do trabalhador  sensibilizando a todos quanto a promoção da saúde mental.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos, uma pessoa morre por suicídio em algum lugar do planeta. No total, são cerca de 800 mil mortes por ano. Cerca de 96,8% dos casos estão relacionados a transtornos mentais como depressão,  transtorno bipolar e abuso de substâncias.

A secretária nacional de Saúde do Trabalhador da CUT, Madalena Margarida da Silva, diz que muitos  casos de depressão e suicídio estão ligados ao trabalho e que neste momento, devido a pandemia, o desemprego e a crise economica, o trabalhador fica ainda mais suscetível ao adoecimento.

Segundo dados divulgados em 2016 pela OMS, cerca de 80% dos óbitos provocados por suicídio registrados são identificados em nações de renda média ou baixa e a maioria dos casos acontece em zonas rurais e agrícolas.

O trabalho é necessário e um direito de todos, mas o atual cenário político-social não tem  garantido condições dignas para os trabalhadores, complementa a secretária nacional de Saúde da CUT.

Para Madalena, a precarização das relações de trabalho devem ser pautas urgentes nos sindicatos, já que estão intimamente ligadas com questões relacionadas à saúde dos profissionais.

*Com informações da CUT

Doria quer desmontar serviços públicos

O PL 529 do governador de São Paulo, João Doria, propõe a extinção de 10 autarquias fundações e empresas públicas.  Dentre elas, estão a Fundação para o Remédio Popular (Furp), a Fundação Oncocentro de São Paulo (Fosp) e a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo (CDHU).

Doria usa a pandemia e o argumento de que precisa equilibrar as contas para desmontar serviços públicos essenciais para a população. “Se esta proposta for aprovada a população deixará de ter acesso a serviços públicos importantes como moradia, saúde, educação e transportes”, afirma Douglas Izzo, presidente da CUT São Paulo.

Amanhã, dia 16, haverá um grande ato contra o PL 529, às 15 horas, em frente a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O Sindicato dos Químicos de São Paulo está junto com a população na defesa dos serviços públicos do Estado.

Confira, abaixo, as entidades que constam no PL 529 de Doria:

Fundação para o Remédio Popular – Furp
Fundação Oncocentro de São Paulo – Fosp
Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo – CDHU
Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. – EMTU-SP
Superintendência de Controle de Endemias – Sucen
Instituto de Medicina Social e de Criminologia – Imesc
Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo – Daesp
Fundação Instituto de Terras do Estado de SP” – Itesp
Fundação Parque Zoológico
Instituto Florestal

Dia 24 de setembro tem assembleia da campanha salarial do setor químico

A campanha salarial do setor químico, com data-base em 1º de novembro, acontece durante o distanciamento social recomendado devido a pandemia de coronavírus.

Apesar das dificuldades do momento, a Fetquim (Federação dos Trabalhadores Químicos), que coordena as negociações, já iniciou conversas com o setor patronal.

No próximo dia 24 de setembro, às 19 horas, o Sindicato fará uma assembleia online para apresentar a proposta patronal e definir os rumos desta campanha.

Para participar da reunião é só entrar no link www.tiny.cc/assembleiasq

Confira abaixo o edital de convocação da assembleia:

SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS QUÍMICAS, FARMACÊUTICAS, PLÁSTICAS E SIMILARES DE SÃO PAULO, TABOÃO DA SERRA, EMBÚ, EMBÚ-GUAÇU e CAIEIRAS, por meio da Coordenação da Diretoria Colegiada e pelo presente edital, com fundamento no artigo 5° da Lei 14.010/20 e nas disposições estatutárias, convoca todos os trabalhadores (associados ou não ao Sindicato), empregados das empresas pertencentes a categoria profissional e da base territorial abrangida por este sindicato, exceto os que trabalham nas indústrias farmacêuticas para comparecerem à Assembleia Geral Extraordinária, a qual, em virtude da decretação do Estado de Calamidade Pública, reconhecido pelo Poder Público, em razão da pandemia do Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, será realizada na plataforma virtual https://us02web.zoom.us/meeting/register/tZIqdOuqqjMrE9EeiLmHavqG2or3kVMLPm-I, no dia 24 de setembro de 2020, às 18h30 em primeira convocação e, às 19h00 em segunda convocação, para discutir e aprovar a seguinte ordem do dia: 1) Apresentação e deliberação sobre a proposta negociada com o setor patronal para a renovação da norma coletiva que vigorará de 01 de novembro de 2020 até 31 de outubro de 2021; 2) Autorização, caso recusada a proposta, para promover paralisações nas empresas ou interpor dissídio coletivo perante o TRT; 3) Autorização, caso aprovada a proposta, para assinar Convenção Coletiva de Trabalho; 4) Discussão e deliberação sobre a taxa de custeio da negociação coletiva. Os trabalhadores interessados deverão observar os seguintes procedimentos para se habilitar ao sistema de votação online: 1º. Acessar o link https://us02web.zoom.us/meeting/register/tZIqdOuqqjMrE9EeiLmHavqG2or3kVMLPm-I, onde farão a sua inscrição para a assembleia, informando o nome completo, a empresa em que trabalha, a data de nascimento e CPF; 2º. A inscrição também poderá ser feita no site do Sindicato https://quimicosp.org.br/, onde o trabalhador deverá informar os dados mencionados; 3º. O prazo para a inscrição dos trabalhadores interessados será até o dia 24 de setembro de 2020, às 13h00.

São Paulo, 15 de setembro de 2020. Coordenação da Diretoria Colegiada.

Dia 16 tem ato na Alesp em defesa dos serviços públicos

Dia 16 (quarta-feira), a partir das 15 horas, haverá manifestação em frente à Assembleia  Legislativa de São Paulo (Alesp), na avenida Pedro Álvares Cabral, 201. A mobilização faz parte das ações  organizadas pelo Comitê de Luta contra o PL 529, projeto de lei apresentado pelo governador João Doria (PSDB)  que tramita em regime de urgência.

O PL 529 de Doria propõe a extinção de 10 autarquias, fundações e empresas públicas, usando a pandemia como desculpa, a pretexto de equilibrar as contas públicas. “É fundamental que a população seja alertada sobre os riscos que essa proposta do governo Doria traz, pois se aprovada resultará na retirada de diretos sociais e no acesso a serviços públicos em áreas essenciais, entre elas, moradia, saúde, educação e transportes”, afirma Douglas Izzo, presidente da CUT São Paulo.

O argumento de Doria é que a proposta pretende sanar um rombo de R$10,4 bilhões nas finanças do estado, mas, de acordo com Izzo, o interesse é privatista. “Ele fala deste suposto rombo, mas não conta para a população que houve um contigenciamento na casa dos R$ 7,7 bilhões, valor que o governo deixou de investir no combate aos impactos da pandemia de Covid-19 em São Paulo”, alerta.

Confira, abaixo, as entidades que constam no PL 529 de Doria:

Fundação para o Remédio Popular – Furp
Fundação Oncocentro de São Paulo – Fosp
Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de São Paulo – CDHU
Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S. A. – EMTU-SP
Superintendência de Controle de Endemias – Sucen
Instituto de Medicina Social e de Criminologia – Imesc
Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo – Daesp
Fundação Instituto de Terras do Estado de SP” – Itesp
Fundação Parque Zoológico
Instituto Florestal

Médicos peritos do INSS se recusam a voltar ao trabalho por falta de segurança

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tinha anunciado o retorno ao trabalho presencial  a partir desta segunda-feira (14), mas os postos de atendimento não abriram e os trabalhadores perderam a viagem.

Todas as perícias médicas agendadas para esta segunda e para os próximos dias foram suspensas e não há previsão de reabertura.  A Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais (ANPM) reafirmou na sexta-feira (11), quando o INSS anunciou a volta do atendimento presencial, que os médicos não voltariam a fazer atendimentos presenciais por falta de segurança.

Em São Paulo, nenhuma agência do INSS abriu porque o Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social (SINSSP) entrou com uma ação no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) e o desembargador Gilberto Rodrigues Jordan decidiu suspender a reabertura, programada para hoje.

O desembargador argumentou que é preciso se preocupar com as pessoas que forem às agências do INSS sem Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado. Neste caso, determina: “deverá o INSS também providenciar que o segurado tenha EPI para que seu atendimento seja tão seguro quanto para os seus próprios servidores”.

A suspensão da reabertura das agências do INSS em São Paulo é válida até que sejam feitas novas vistorias e que seja apresentado um plano “eficaz e seguro” de retomada dos trabalhos, bem como a testagem para o coronavírus de todos os servidores  do INSS no estado. O INSS diz que vai recorrer.

*Com informações da Agência Brasil

Preço do arroz dispara

O  arroz, principal item da cesta básica, acumula em média 19,5% de alta só este ano, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE.

De acordo com Ronaldo dos Santos, presidente da Associação Paulista de Supermecados (Apas) a elevação nos preços é consequência de conjuntura macroeconômica que envolveu três principais fatores: pressão internacional sobre as commodities, aumento da demanda e alta do dólar, que impacta todos os elos da cadeia.

A incompetência da administração federal é outro fator que explica a disparada do  preço do arroz, mas não foi citada na reunião realizada no ultimo dia 10, com membros da Secretaria de Agricultura de São Paulo, da cadeia produtiva de alimentos, juntamente com o Procon.    Ninguém disse que faltou o governo Bolsonaro se planejar para segurar os preços do arroz, mantendo estoques reguladores para abastecer o mercado interno, e segurando a exportação na fase mais grave da pandemia do novo coronavírus, como fizeram governos do mundo inteiro.

*Com informações da CUT

Bolsonaro se aproveita da pandemia para abrir mão da soberania

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento por meio de suas redes sociais, também transmitido pela TVT e Rádio Brasil Atual, na tarde desta segunda-feira (7). Em sua fala, ele justificou o fato de ter escolhido o dia da Independência pelo fato de avaliar que o governo Bolsonaro “aproveita o sofrimento coletivo para sorrateiramente cometer um crime de lesa-pátria”, o que considera ser “um crime politicamente imprescritível”.

“O maior crime que um governo pode cometer contra o seu país e o seu povo: abrir mão da soberania nacional. Não foi por acaso que escolhi para falar com vocês nesse 7 de Setembro, dia da Independência do Brasil, quando celebramos o nascimento de nosso país como nação soberana. Soberania significa independência, autonomia, liberdade. O contrário disso é dependência, servidão e submissão”, disse Lula.

O ex-presidente relacionou a luta por liberdades como a de imprensa, de opinião, de manifestação, de organização e sindical à soberania do país. “A garantia da soberania nacional não se resume à importantíssima missão de resguardar a segurança de nossas fronteiras terrestres, marítimas e nosso espaço aéreo. Supõe também defender nosso povo, nossas riquezas minerais, nossas florestas, nossos rios, nossa água”, defendeu.

No pronunciamento, Lula ainda condenou a subserviência aos interesses estadunidenses. “O governo atual subordina o Brasil aos Estados Unidos de forma humilhante e submete nossos soldados e nossos diplomatas a situações vexatórias. E ainda ameaça envolver o nosso país em aventuras militares contra os  nossos vizinhos, contrariando a própria Constituição, para atender aos interesses econômicos, estratégicos e militares norte-americanos”, apontou. “A submissão do Brasil aos interesses militares de Washington foi escancarada pelo próprio presidente ao nomear um oficial-general das forças armadas brasileiras para servir no comando militar sul dos Estados Unidos, sob as ordens de um oficial americano.”

Desmanche e privatizações

O pronunciamento também contou com críticas às políticas privatistas impostas pelo governo. “Quem quiser saber os verdadeiros objetivos do governo não precisa consultar manuais secretos da Abin ou do serviço de inteligência do Exército. A resposta está todos os dias no Diário Oficial, em cada ato, em cada decisão, em cada iniciativa do presidente e seus assessores, banqueiros e especuladores que ele chamou para dirigir nossa economia”, afirmou.

Ele criticou em especial o desmonte em curso dos bancos públicos. “Instituições centenárias como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e o BNDES, que se confundem com a história do desenvolvimento do país, estão sendo fatiadas e esquartejadas, ou simplesmente vendidas a preço vil. Bancos públicos não foram criados para enriquecer famílias, eles são instrumentos do progresso, financiam a casa do pobre, a agricultura familiar, as obras de saneamento e a infraestrutura essencial ao desenvolvimento.”

“Todos os avanços que fizemos sofreram encarniçada oposição das forças conservadoras, aliadas aos interesses de outras potências. eles nunca se conformaram em ver o Brasil como um país independente e solidário com seus vizinhos latino-americanos e caribenhos, com os países africanos, com as nações em desenvolvimento”, assinalou Lula.

Segundo o ex-presidente, sua gestão fez uma “revolução pacífica” ao tirar 40 milhões de brasileiros da miséria, fato que estaria no centro das insatisfações de parte da elite brasileira. ” Ao ver que esse processo de ascensão dos pobres iria continuar, que a afirmação da nossa soberania não iria ter volta, os que se julgam donos do Brasil, aqui dentro e lá fora, resolveram dar um basta. Nasce aí o apoio dado pelas elites conservadoras a Bolsonaro”, disse.

” Aceitaram como natural sua fuga dos debates, derramaram rios de dinheiro na indústria de fake news, fecharam os olhos para seu passado aterrador, fingiram ignorar seu discurso em defesa da tortura e a apologia pública que ele fez do estupro.”

Oligarquias criaram um ‘monstrengo’

De acordo com Lula, as eleições de 2018 “jogaram o Brasil em um pesadelo que parece não ter fim”. “Como num filme de terror, as oligarquias brasileiras pariram um monstrengo que agora não conseguem controlar, mas que continuarão a sustentar enquanto seus interesses estiverem sendo atendidos.”

Como exemplo dessa aliança entre capital e governo, ele citou o fato de os mais pobres terem sofrido os maiores impactos decorrentes da pandemia de covid-19. “Um dado escandaloso ilustra essa conivência. Nos quatro primeiros meses da pandemia, 40 bilionários brasileiros aumentaram suas fortunas em 170 bilhões de reais. Enquanto isso, a massa salarial dos empregados caiu 15% em um ano, o maior tombo já registrado pelo IBGE. Para impedir que os trabalhadores possam se defender dessa pilhagem, o governo asfixia os sindicatos, enfraquece as centrais sindicais e ameaça fechar as portas da Justiça do Trabalho. Querem quebrar a coluna vertebral do movimento sindical, o que nem a ditadura conseguiu.”

“É inaceitável que 10% da população viva às custas da miséria de 90% do povo. Jamais haverá crescimento e paz social em nosso país enquanto a riqueza produzida por todos for parar nas contas bancárias de meia dúzia de privilegiados. Jamais haverá crescimento e paz social se as políticas públicas e as instituições não tratarem com equidade a todos os brasileiros.”