CUT alerta: segundo turno é para defender a democracia

A direção da CUT divulgou nesta segunda-feira (23) resolução em que expressa apoio, no segundo turno das eleições, às candidaturas do campo da esquerda e comprometidas com a defesa dos interesses dos trabalhadores e da democracia”. O documento não cita nomes, mas a central afirma que a maioria dos embates se dará contra a mesma direita que comandou o golpe de 2016 e ajudou na vitória de Jair Bolsonaro em 2018. E que agora “tenta constituir uma “alternativa” que mantenha o programa ultraneoliberal com um falso verniz democrático”.

Bolsonaro e seus aliados, a propósito, foram os “principais derrotados” no primeiro turno, avalia a CUT. “Essa derrota é fruto da irresponsabilidade em relação à pandemia e a economia.”

Confira a íntegra do documento

A Executiva Nacional da CUT, reunida no dia 19 de novembro de 2020, debateu a conjuntura do país e adotou a seguinte resolução.

Conjuntura Nacional

Encerrado o primeiro turno das eleições municipais, constatamos que o povo e a classe trabalhadora brasileira deram uma resposta contundente à política autoritária e genocida implementada pelo presidente Jair Bolsonaro. Ele e seus aliados da extrema direita ultraneoliberal foram os principais derrotados nessa eleição.

Essa derrota é fruto da irresponsabilidade em relação à pandemia e a economia. Bolsonaro debocha e naturaliza mortes que poderiam ser evitadas, ignora os alertas e estudos da comunidade científica nacional e internacional e não preparou o país para enfrentar e superar a crise sanitária. Ele não construiu políticas conjuntas com os estados e municípios para proteger a saúde da população brasileira e, na contramão da grande maioria das iniciativas dos outros países, também não implementou condições econômicas e sociais para que os trabalhadores e trabalhadoras pudessem atravessar essa crise em condições dignas.

Pelo contrário, o governo trabalhou em favor dos interesses econômicos das grandes empresas, corporações e do capital financeiro que aumentaram seus lucros em meio a essa crise. A pandemia virou pretexto para atacar ainda mais os direitos e as conquistas dos trabalhadores, aumentando a flexibilização, rebaixando salários, produzindo mais desemprego, a falência de milhares de pequenas e micro empresas, elevando o custo de vida e o preço dos alimentos. E a destruição das políticas de direitos humanos e de proteção ao meio ambiente, que agravaram a destruição do Pantanal e da Amazônia, continuou.

O momento do segundo turno

No entanto, superando as manipulações da mídia, as campanhas sujas, as fake news, o poder econômico e as dificuldades da pandemia, grande número de candidaturas progressistas, comprometidas com os interesses dos trabalhadores, foram vitoriosas ou estão presentes na disputa do segundo turno. Também merece especial destaque a eleição de mulheres, de negras e negros, jovens e da população LGBTQI+, que por meio das suas mobilizações, conscientização e organização conseguiram sucesso em suas candidaturas.

O segundo turno é um momento importante para afirmarmos a centralidade da defesa da democracia e da participação popular, da soberania nacional, do SUS e dos serviços públicos de qualidade para todos, acumulando forças em torno de uma agenda de universalização de direitos e em defesa da vida, confrontando abertamente a agenda de morte do neoliberalismo golpista – seja a sua versão autoritária e radical, seja a centro-direita que dá sustentação ao governo Bolsonaro, mas vende ilusões de moderação e urbanidade.

É também um momento importante para a CUT reafirmar sua firme oposição ao governo Bolsonaro e a defesa dos interesses mais imediatos da classe trabalhadora, que sofre cotidianamente com a exploração capitalista, o racismo, o machismo e a homofobia, particularmente os feminicídios. Esse embate, na maioria das disputas, se dará contra a direita neoliberal que, após dirigir o golpe de 2016 e contribuir para a vitória de Bolsonaro em 2018, tenta constituir uma “alternativa” que mantenha o programa ultraneoliberal com um falso verniz democrático.

As candidaturas no segundo turno

Nesse sentido, a CUT manifesta seu apoio às candidaturas do campo da esquerda e comprometidas com a defesa dos interesses dos trabalhadores e da democracia que disputam esse segundo turno. Isto deve se traduzir na ação de sindicalistas junto as suas bases e na sociedade para reafirmar a importância do voto em projetos democráticos para as cidades defesa do voto nesses candidatos/as.

Após o segundo turno, devemos fazer um balanço para aprofundar a necessidade de construir uma atuação que consiga politizar e dialogar com mais eficiência e eficácia com as nossas bases, avaliando os instrumentos e as novas formas de interação para fortalecer as nossas organizações e ampliar os espaços de atuação, conscientização e mobilização.

Conjuntura Internacional

No plano internacional a derrota de Donald Trump para Joe Biden tem a importância de diminuir de forma considerável o ascenso da extrema direita no mundo e o apoio às políticas ultraconservadoras nos temas comportamentais, racistas, homofóbicos, machistas, da violência e da utilização da mentira como método de construção de narrativas para o ataque às instituições e a desmoralização dos adversários.

A eleição do democrata Joe Biden traz uma grande possibilidade para a retomada dos elementos da democracia, o fortalecimento e manutenção dos organismos multilaterais, (ONU, OIT, FAO etc.), o fortalecimento da pauta dos direitos humanos, do meio ambiente, do combate ao racismo e da homofobia. Sua vitória também vai aprofundar o isolamento internacional do presidente Bolsonaro, que apoiou explicitamente a candidatura Trump, não reconheceu até essa data a vitória de Biden e pode contribuir para o seu enfraquecimento interno. No entanto, não devemos ter ilusões quanto a agenda econômica do presidente eleito, tendo em vista os fortes vínculos dele e do seu partido com o capital financeiro internacional e a agenda neoliberal de Wall Street.

Na América Latina, as vitórias no Chile e na Bolívia, construídas a partir das mobilizações dos trabalhadores e dos movimentos sociais e sindical são de grande importância e sinalizam uma retomada da continuidade das lutas por justiça social, igualdade e desenvolvimento sustentável com distribuição de renda.

Lições

A conquista da Assembleia Constituinte no Chile a partir das mobilizações que duraram mais de um ano, teve como mote o rompimento com a Constituição neoliberal imposta pela ditadura de Pinochet e o restabelecimento dos direitos e políticas sociais que tinham sido retirados. A eleição do presidente Arce na Bolívia foi um repúdio ao golpe de estado promovido pela ultradireita, com apoio dos liberais, do governo Bolsonaro e de Trump. A mobilização permanente da classe trabalhadora boliviana, junto com os movimentos sociais, étnicos e identitários foi fundamental para garantir uma vitória retumbante nas eleições presidenciais e no poder legislativo.

Essas experiências, juntamente com a vitória obtida na Argentina e as mobilizações em curso no Peru e Colômbia, podem nos ajudar a apontar caminhos para nossa militância e nossas organizações para superarmos a difícil crise que enfrentamos hoje no Brasil.

Desafios Sindicais

Após o primeiro turno das eleições e a volta do funcionamento do Congresso Nacional o movimento sindical deve se preparar para enfrentar uma nova ofensiva que visa a continuidade da política de flexibilizações e retirada de direitos da classe trabalhadora e das políticas sociais. Estão na agenda a retomada das privatizações, as reformas Administrativa e Tributária, o auxílio emergencial e a votação do orçamento geral da União.

A reforma Administrativa tem como principal objetivo o desmonte dos serviços públicos e das políticas sociais para todos trabalhadores e trabalhadoras e o povo brasileiro e a redução dos direitos dos servidores e servidoras públicos municipais, estaduais e federais. Portanto, essa é uma reforma que atinge não apenas os trabalhadores e trabalhadoras do serviço público, mas a toda classe trabalhadora que é usuária desses serviços públicos, direta ou indiretamente, e não terá mais esses direitos garantidos. Da mesma forma que as privatizações também vão desmontar as políticas de estado que garantem a energia, o saneamento, a água, a logística, os correios, os portos etc., com consequências desastrosas para a população, como estamos presenciando agora com o apagão no Amapá.

Para defender os serviços públicos e estatais precisamos alertar, conscientizar e mobilizar todos os trabalhadores do setor público e estatais que serão diretamente atingidos como também toda classe trabalhadora que sofrerá as piores consequências pela falta dessas políticas e serviços. Já estamos construindo uma organização unitária para a mobilização e enfrentamento dessa agenda juntamente com uma forte campanha de conscientização para que possamos construir uma grande mobilização que possa impedir que essas medidas avancem e sejam aprovadas no Congresso Nacional.

Auxílio emergencial

Também devemos mobilizar nossas bases para pressionar o Congresso Nacional a votar com urgência a manutenção do Auxílio Emergencial para que os trabalhadores e trabalhadoras possam ter condições dignas para atravessar as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19, que ainda atinge fortemente a classe trabalhadora e o povo em situação de vulnerabilidade e desempregados.

Além de todas essas agendas que estarão em debate nesse final de ano no Congresso Nacional devemos ter no horizonte de 2021 que a crise da Covid-19 ainda não estará superada (como estamos presenciando na segunda onda que está acontecendo na Europa, EUA, Japão, dentre outros) e que deve provocar o acirramento da crise econômica, tendo em vista o descaso com que a pandemia foi tratada pelo governo federal. A crise econômica já provoca um forte aumento do custo de vida e em especial o aumento generalizado nos preços dos alimentos gerados pela irresponsabilidade do governo que não atuou para manter os estoques necessários e para garantir a alimentação a preços justos para a população.

Por outro lado, os eventos climáticos devem afetar ainda mais a produção e comprometer o abastecimento, o acesso e os preços dos alimentos para os lares da população. Com essas previsões, o acirramento da miséria e da fome será inevitável e a CUT deve mobilizar suas organizações, conjuntamente com os movimentos populares para lutar contra a carestia e da fome.

Nem vacilo, nem omissão

Não podemos vacilar nem nos omitir nessa luta que vale a vida de milhões de trabalhadoras e trabalhadores do país, que além de enfrentar o desemprego, as flexibilizações e reduções de salários, ainda terão de sofrer com a carestia dos alimentos, por conta da incompetência e inoperância desse desgoverno.

A CUT conclama sua base para ampliar a resistência e a luta contra o bolsonarismo e a barbárie social, ampliando a capacidade crítica das trabalhadoras e dos trabalhadores para a reconstrução da democracia, da proteção social, da segurança alimentar, do desmonte das políticas públicas, das privatizações e pelo emprego, trabalho e renda, somando-se à todas as mobilizações em curso.

Executiva Nacional da CUT

 

 

67% dos brasileiros têm medo do desemprego

De cada três brasileiros, dois estão pessimistas e acreditam que o desemprego vai aumentar e  67% declaram ter medo do desemprego.  É o que mostra um estudo feito pela Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), divulgado pelo jornal Folha de S Paulo.

A longa estagnação da economia, que ‘patina’ desde o golpe de 2016, e se agravou com a pandemia e a falta de medidas por parte do governo  Bolsonaro,  que em quase dois anos de mandato não apresentou uma proposta sequer de desenvolvimento econômico, é sentida pelos brasileiros que pagam a conta da crise, avalia o secretário de Relações do Trabalho da CUT, Ari Aloraldo do Nascimento.

Desde 2016, lembra o secretário, as taxas de desemprego não são inferiores a 10%. Com Bolsonaro, dispararam para mais de 14% e nada foi feito para reverter a situação. “Desde o início do mandato, as ações do governo têm sido insuficientes para alavancar a economia e, em alguns casos, pior que isso: são contrárias ao desenvolvimento”, diz o secretário.

“A redução de gastos sociais do governo, o não cumprimento da regra de valorização do salário mínimo, o desmonte da previdência são fatores que demonstram a política desastrosa que vivemos e que penaliza os trabalhadores. A pandemia somente intensificou o processo”, completa Ari.

De acordo com o economista da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos da CUT, Clovis Scherer, a taxa de desemprego, que hoje está em 14,4%, tende a aumentar porque muitas pessoas perderam o emprego durante a pandemia e não buscaram uma nova colocação no mercado de trabalho.  De acordo com a metodologia do IBGE, se uma pessoa está sem trabalho, mas não procura emprego, por medo da Covid-19, ela não é computada como desempregada.

 

Derrota de Trump preocupa cúpula do governo brasileiro

A derrota de Donald Trump nos Estados Unidos está preocupando a cúpula do governo Bolsonaro, formada basicamente por militares.

A avaliação é de que os discursos extremistas e a negação da pandemia não estão agradando a população e a orientação é para que o presidente abrande o discurso, se quiser se reeleger em 2022.

Bolsonaro, de acordo com a avaliação da sua cúpula, deve moderar discursos e trabalhar pra aprovar medidas no Congresso que movimentem a economia.

Aqui no Brasil as eleições municipais também mostraram o fracasso do PSL partido pelo qual o governo Bolsonaro se elegeu e o crescimento dos partidos de centro e centro-direita.

 

Bolsonaro deixa 6,8 milhões de testes de Covid-19 vencer  

Há 6,8 milhões de testes para o diagnóstico da Covid-19 estocados em um armazém do governo federal em Guarulhos, com vencimento para dezembro e janeiro e que não foram distribuídos para testagem da população.

Desde o início da pandemia o SUS realizou 5 milhões de testes, ou seja, esse estoque prestes a vencer é mais do que o dobro das testagens feitas no país . O montante gasto com os testes que terão como destino o lixo é de  R$ 290 milhões.

Os testes estocados são o RT-PCR, dos mais eficazes, (que  coleta a secreção no nariz e na garganta por meio de um cotonete). Em laboratórios particulares essa testagem custa de R$ 290 a R$ 400, portanto não é acessível a maioria da população.

Vergonha: Bolsonaro nega racismo e ataca protestos

O discurso do presidente Jair Bolsonaro na cúpula do G20 no último, sábado (21), gerou vergonha e indignação nos brasileiros. Sem fazer referência explícita ao crime de racismo em que dois seguranças de loja do Carrefour em Porto Alegre mataram por asfixia o negro João Alberto Silveira Freitas, Bolsonaro disse que o Brasil tem uma cultura diversa, única entre as nações.

Bolsonaro também atacou os movimentos sociais, que se manifestaram contra a morte no Carrefour. “Foi a essência desse povo que conquistou a simpatia do mundo. Contudo, há quem queira destruí-la. E colocar em seu lugar ou conflito, o ressentimento, o ódio e a divisão entre raças. Sempre mascarados de lutas por direitos igualdade ou justiça social. Tudo em busca de poder.”

“Inaceitável! Ao negar a existência do racismo na reunião da cúpula do G20, Bolsonaro choca o mundo e reafirma o discurso racista feito por Mourão ontem”, disse o candidato à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, nas redes sociais, referindo-se ao vice-presidente da República, Hamilton Mourão.

Questionado se creditava o assassinato de João Alberto a um ato racista, Mourão negou e fez uma comparação grotesca com os Estados Unidos ao reafirmar seu posicionamento dizendo que  lá o “pessoal de cor” andava separado na escola, o que não aconteceria no Brasil. Ou seja, para justificar a sua fala, usou um termo racista, ao referir-se aos negros como “pessoas de cor”.

Segundo o colunista do Uol Jamil Chade, as declarações de Bolsonaro provocaram constrangimento e choque entre algumas delegações estrangeiras e até indignação entre as agências da ONU. “Uma parcela das delegações não entendeu imediatamente do que se tratava. Mas, para quem acompanhava a situação no Brasil, a atitude foi considerada como um ato “sem sintonia” com o discurso de direitos humanos das entidades internacionais, principalmente num momento em que a pandemia afeta de forma desproporcional a parcela mais vulnerável da população”, escreveu o jornalista.

*Com informações da Rede Brasil Atual

Como ficam 13º e férias para trabalhadores que tiveram contratos suspensos e redução da jornada

Diante de quantidade de dúvidas sobre cálculos de 13º salário e férias dos milhões de trabalhadores que tiveram o contrato de trabalho suspenso ou redução de jornada e salários por meio do Programa Emergencial do Emprego e da Renda, o governo divulgou na terça-feira (17), a nota técnica 51520/2020, da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, ligada ao Ministério da Economia, estabelecendo as regras para esses respectivos pagamentos.

De acordo com a nota do Ministério, os trabalhadores que tiveram redução de jornada de trabalha e de salário não sofrerão redução no valor do 13° salário e nas férias. Já para os que tiveram suspensão de contrato, o período será desconsiderado para apuração do 13° e férias, reduzindo o valor total a ser recebido.

Incerteza jurídica e passivos trabalhistas

Porém, as regras estabelecidas pelo governo contradizem a orientação do Ministério Público do Trabalho, publicadas no dia 29 de outubro, que recomenda que tanto 13° salário como as férias sejam pagos integralmente também aos trabalhadores que tiveram suspensão de contrato de trabalho.

No meio jurídico não há consenso sobre as regras e já se fala que haverá grande demanda na justiça do trabalho para garantir valor de 13º e férias sem desconto para todos os trabalhadores cujas empresas aderiram ao Programa Emergencial.

Os sindicatos defendem a mesma posição do Ministério Público do Trabalho, que´é a de que não haja cortes nos valores do 13º e férias para ninguém, pois a conta da pandemia não pode cair nas costas dos trabalhadores.

Perdas

Para tornar mais fácil a ‘visualização’ das perdas no 13° salário para quem teve contrato de trabalho suspenso este ano, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborou uma tabela com exemplos de valores.

Os cálculos foram feitos com base no salário mínimo nacional (R$ 1.045,00) e no salário médio dos empregados no setor privado com carteira assinada, levantado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em agosto de 2020.

Há ainda que se observar que no mês em que o funcionário teve seu contrato suspenso, se ele trabalhou 16 dias, este período deve ser contabilizado para o cálculo do 13°.

*Com informações da CUT

 

 

Protestos no Carrefour contra assassinato covarde de um cliente negro marcam Dia da Consciência Negra

A Marcha da Consciência Negra de São Paulo, que acontece todos os anos no dia 20 de novembro, este ano teve protesto em frente à loja do Carrefour Pamplona, pelo assassinato de João Alberto Silveira, 40, consumidor negro que foi covardemente assassinado pelos seguranças do Carrefour de Porto Alegre (RS).

O caso não é novidade na rede de supermercados. Em 2009, o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, 49, também negro, foi absurdamente ‘confundido’ com um ladrão, acusado de roubar o próprio carro, um EcoSport.

No início de setembro, uma mulher que trabalhava como auxiliar de cozinha na rede Atacadão, ligada ao Carrefour, em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro, foi demitida após reportar aos chefes ações racistas e de intolerância religiosa. Ela recebeu um avental com a inscrição “só para branco usar”.

Em setembro de 2018, Luís Carlos Gomes, negro e deficiente físico, foi agredido por seguranças da unidade de São Bernardo do Campo no ABC paulista, após as câmeras de segurança terem flagrado o consumo de uma lata de cerveja dentro da loja.

De acordo com o Atlas da Violência 2020, a taxa de homicídios da população negra no Brasil saltou de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes entre 2008 e 2018, o que expressa um aumento de 11,5% no período.

Racismo mata

Para a secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, Rosana Silva, a política racista praticada no Brasil coloca negros e negras na linha de frente da desigualdade. “É uma história que se repete, de assassinatos e uma violência em suas várias formas, frente a um governo que tem papel fundamental na construção e execução de uma política que vai desenhando quem morre e quem vive. É assim somos colocamos na linha de frente para sermos trucidados”.

Presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, apontou que a marcha deste ano enfrenta duas grandes pandemia a do coronavírus e a do preconceito. “As atividades de 20 de novembro neste ano são marcadas pela pandemia e, infelizmente, por mais um ato covarde e rascista que resultou no assassinato de um rapaz negro em Porto Alegre. Não vamos deixar isso passar impune, cobraremos punição dos responsáveis por mais essa barbaridade e é, portanto um dia de luta contra a opressão que historicamente a classe trabalhadora sempre enfrentou”, aponta.

Professor de História e especialista em direitos humanos, diversidade e violência André Leitão destaca a importância de afirmar que o Dia da Consciência Negra é uma conquista daqueles que lutam diariamente contra o racismo. “Primeiro, acho importante que se a gente tem pelo menos um dia em que o debate racial alcança relativa centralidade aqui no país é por conta de uma mobilização histórica de negros e negras, em contraposição ao discurso nacional racista do 13 de maio. Mas para além dessa data, temos o dia a dia, e se manter vivo em um país estruturado pelo racismo é o nosso maior ato político.”

Apesar das conquistas, destaca, a ampliação da luta em defesa da igualdade passa por ocupar os espaços públicos e enfrentar um governo com alto viés racista e lembrar que a principal vítima da pandemia de coronavírus desprezada pelo presidente Jair Bolsonaro é a população negra.

Denuncie!

No início deste mês, a CUT-SP lançou um canal de denúncias contra o racismo no estado paulista.

A proposta deste canal, que envolve o acompanhamento de uma equipe de advogados que prestarão atendimento gratuito, é receber denúncias de racismo que ocorram dentro do mundo do trabalho, dar desdobramento e cobrar respostas às instâncias necessárias. (Clique aqui para saber mais).

*Com informações da CUT

Testes da Coronavac mostram 97% de eficácia

Um estudo publicado nesta terça-feira (17) pelo periódico inglês Lancet, aponta que a Coronavac, vacina em desenvolvimento pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, de São Paulo, tem eficácia de até 97% contra a Covid.

A Coronavac é a vacina cuja testagem foi suspensa por 24 horas pela Anvisa na última semana, por desencontro de informação. Um dos voluntários que participava da testagem morreu por suicídio – causa que não tem nenhuma relação com a vacina – e a Anvisa acabou suspendendo o processo.

Para piorar o governo Bolsonaro politizou a questão e comemorou nas redes sociais o fato da testagem ter sido interrompida.  O Instituto Butantã é ligado ao governo João Doria e Bolsonaro enxergou a suspensão como uma vitória política.

A Coronavac deve ser a primeira vacina a ser disponibilizada para os brasileiros, caso não haja interferência do Governo Federal, que se mostra mais preocupado em uma disputa política com o governador paulista João Doria.

Covid-19 no Brasil pode matar mais que Gripe Espanhola

Em debate virtual sobre o cenário atual da pandemia de Covid-19 no Brasil e a perspectiva de desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a infecção, o médico sanitarista e professor da Faculdade de Medicina da USP, Gonzalo Vecina, alertou que, proporcionalmente, a mortalidade da Covid-19 deverá superar a da chamada Gripe Espanhola, que impactou boa parte do planeta no início do século passado.

Ele também afirmou que, por vários problemas, só a partir de 2022 o Brasil deverá estabelecer uma vacinação em massa contra a doença. “No ano que vem não teremos vacinas de Covid-19  suficiente. Neste final de ano e em 2021 continuaremos com casos e mortes.”

O encontro “Coronavírus: tudo que você precisa saber sobre a vacina”, realizado na noite desta terça-feira (17), foi organizado pela Associação Brasileira de Médicos e Médicas pela Democracia de São Paulo (ABMMD-SP). Além de Vecina participaram os também médicos Esper Kallas, Ubiratan de Paula Santos e Carolina Pastorin Castineira.

Vecina apresentou dados sobre a expectativa da vacinação no país. Em um cenário positivo, avalia que, com aprovação rápida de experimentos em testes e começo da imunização nos primeiros meses de 2021, ainda haverão problemas em relação à capacidade de produção, distribuição e aplicação do imunizante. Considerando esse quadro, o professor foi categórico: “Para que tenhamos menos mortes, precisamos de menos casos. Para isso, precisamos de isolamento social”.

Mesmo descartando a viabilidade de o país adotar medidas mais intensivas de isolamento e distanciamento social, como o lockdown, Vecina cobra responsabilidade dos poderes públicos e da população. “Eventos de massa têm de ser proibidos. Não tem como voltar a atividade econômica matando gente que produz atividade econômica. Temos que manter o isolamento social, o distanciamento, uso de máscara e condições de higiene. Já fechamos 65% dos leitos abertos no início da pandemia. Talvez vamos pagar caro por isso”, disse.

Caminho sombrio

A pandemia da Covid-19 é a maior crise sanitária do Brasil em mais de 100 anos, desde a da Gripe Espanhola, ocorrida em 1918. Vecina alerta que o novo coronavírus provocar um desastre de proporções semelhantes. “Na Gripe Espanhola tínhamos 29 milhões de brasileiros e morreram 35 mil. Hoje já estamos em 165 mil. Já passamos da metade do caminho para uns 255 mil mortos, que seria o equivalente [à proporção de mortos em relação à população atual]”, disse.

As mais de 165 mil mortes por Covid-19 no Brasil foram registradas em dez meses de pandemia. No entanto, já há sinais de retomada do contágio e de descontrole do vírus – uma segunda onda, ou o aumento da primeira onda, como parte dos cientistas prefere dizer. “Vamos com pandemia até 2022. Tivemos dez meses de ‘gripezinha’ e temos pela frente mais de um ano. Quando chegarmos no patamar da Gripe Espanhola estarão satisfeitos?”, criticou Vecina, ao fazer referência à gestão da crise sanitária pelo presidente Jair Bolsonaro.

Falta testar

A má condução da pandemia com a postura negacionista de Bolsonaro se reflete na falta de ações efetivas de controle da doença pelo Ministério da Saúde. O Brasil é um dos países que menos aplica testes a sua população no mundo. “Temos problemas com testes porque não temos liderança. O Ministério da Saúde tem que distribuir isso para os municípios. Não conseguimos aumentar a capacidade de testagem. Isso é um desastre. Sem isso não vamos diminuir o número de infectados”, disse Vecina. “Os países que testam bem, com populações menores, testam mais de 150 mil pessoas por dia. Devemos estar testando entre 10 e 15 mil por dia, mas temos capacidade de aplicar 60 mil testes dia”, completou.

Questão de tempo

A Covid despertou uma corrida inédita em torno da busca por uma vacina. A ciência foi além e está próxima de vários imunizantes eficazes, em tempo recorde, como foi destacado durante o debate virtual da ABMMD-SP. “Estamos diante de um dos mais fascinantes experimentos em desenvolvimento de vacinas na história. Nunca vimos nada parecido”, disse o infectologista Esper Kallas. “Temos mais de 200 vacinas em desenvolvimento [no mundo]. Hoje temos dezenas em fase de experimentação, sendo que 11 chegaram à fase três. As vacinas estão chegando. Vão estar disponíveis não tão distante no tempo”, completou.

A questão é que o vírus é de alta letalidade e bastante transmissível, o que implica em um alto número de casos e vítimas.

Estudo publicado nesta terça-feira (17) pelo periódico inglês Lancet, aponta que a Coronavac, vacina em desenvolvimento pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, de São Paulo, tem eficácia de até 97% contra a Covid. Essa deve ser a primeira vacina a ser disponibilizada para os brasileiros, caso não haja interferência do Governo Federal, que se mostra mais preocupado em uma disputa política com o governador paulista João Doria. “Cabe a nós focarmos no aspecto técnico da aplicação em saúde pública. Precisamos minimizar todas as interferências políticas que rondam a aplicação das vacinas”, completou Kallas.

IndustriALL-Brasil nasce com foco na reindustrialização

A IndustriaALL-Brasil, lançada oficialmente na última terça-feira (17), nasce com foco na reindustrialização do país e na geração de emprego de qualidade.

Mais de 10 milhões de trabalhadores na indústria, da base de sindicatos filiados à CUT e a Força Sindical, contam a partir de agora com a entidade para defender os direitos trabalhistas e sociais e  lutar pela reindustrialização.

Para Sergio Nobre, presidente da CUT, o lançamento da IndustriALL-Brasil é um marco na organização dos trabalhadores. “A IndustriALL-Brasil nasce de uma união inédita e com objetivos de recuperar e modernizar a indústria brasileira para os que constroem a riqueza do país, que são os trabalhadores”, disse Sérgio.

“A CUT e a Força Sindical têm a capacidade para construir, juntas, esta missão, mas será preciso envolver mais centrais e representações de trabalhadores para, de fato, representarmos os 18 milhões que têm na categoria a nível nacional, como aponta o Dieese”, completou o presidente da CUT.

São metalúrgicos, químicos, trabalhadores na construção civil, alimentação, energia e têxtil-vestuário, da CUT e Força, que formam o ramo da indústria, e estão se unindo para promover pesquisa, difundir conhecimento, elaborar, desenvolver e executar projetos, propor e articular medidas, inclusive legislativas, sobre novos modelos de políticas econômicas industriais e do trabalho.

A ideia central é fomentar e criar propostas e projetos de políticas para reindustrializar o país à luz das demandas da classe trabalhadora, com garantia de inovação e tecnologia com trabalho de qualidade e decente.

A entidade, que foi inspirada na IndustriALL Global Union, que representa 50 milhões de trabalhadores no mundo, terá parcerias com universidades, instituições cientificas e com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

*Com informações da CUT