Farmaceûticos querem garantir a inflação e mais 5% de ganho real

Em assembleia híbrida, realizada no dia 23 de fevereiro (sexta-feira), os trabalhadores do setor farmacêutico aprovaram a pauta da Campanha Salarial 2024, que será entregue aos patrões na próxima semana.

Este ano só serão negociadas as cláusulas econômicas, uma vez que as sociais foram assinadas no ano passado e valem até 2025. A luta da categoria será para garantir  5% de ganho real acima da inflação do período, que deve girar em torno de 3,50%.

O setor farmacêutico é um dos mais lucrativos e um dos poucos que não sofre os efeitos da crise econômica. Nos últimos anos a média de crescimento da indústria farmacêutica tem sido de 10%.

 

ONG Margarida Barreto será inaugurada dia 9

A Casa Margarida Barreto, ONG cujo objetivo é combater a violência, a discriminação e acolher e orientar as vítimas de violência, será inaugurada dia 9 de março, às 15 horas. O evento será no auditório do Sindicato (Rua Tamandaré, 348 – Liberdade).

A Casa vai oferecer gratuitamente serviço de apoio, orientação sobre direitos e formação às vítimas de violência.

O nome da ONG é uma homenagem a médica Margarida Barreto que trabalhou muitos anos no Sindicato. A doutora Margarida ficou conhecida por seu pioneirismo nos estudos sobre assédio moral no trabalho e dedicou grande parte da sua vida para atender trabalhadores vítimas de assédio. Margarida Barreto nos deixou em 03 de março de 2022.

A Casa Margarida Barreto é um projeto independente apoiado pelo Sindicato.

Pesquisa IBGE mostra que a participação dos salários no crescimento da economia caiu 12,9% desde 2016.

A participação dos salários dos trabalhadores no Produto Interno Bruto (PIB), caiu 12,9% em cinco anos. Como o PIB varia ano a ano, em 2016, o valor da massa salarial em comparação com o PIB representava 35,5%, e em 2021 essa comparação despencou para 31%. Foi o pior resultado em 16 anos. No mesmo período a participação do excedente operacional bruto das empresas, valor de onde as companhias extraem o lucro, aumentou de 32,3% para 37,5%, representando um crescimento de 16% entre 2016 e 2021.

Os dados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam o que a CUT vem denunciando desde que começaram os preparativos do golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, em 2015. Para os dirigentes cutistas, o impeachment, aprovado no ano seguinte, foi orquestrado para retirar direitos dos trabalhadores, achatar salários e impor uma agenda econômica neoliberal que privilegia os ricos.

A vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira, cita algumas medidas econômicas dos governos de Michel Temer (MDB), e aprofundadas pelo governo de Jair Bolsonaro (PL), que impactaram na queda de renda do trabalhador, o que agora começa a ser retomada com a política de valorização do salário mínimo promovida pelo presidente Lula (PT).

“Desde 2016 que a gente teve uma série de medidas tomadas pelos governos anteriores que resultaram no aumento da desigualdade social e em prejuízo para classe trabalhadora. Um deles é a reforma trabalhista, que precarizou as relações de trabalho, enfraqueceu a organização dos trabalhadores, criou a possibilidade de terceirizar tudo e pejotizar.”, afirma Juvandia.

Sobre o impacto da massa salarial na participação do PIB, a técnica do Departamento Intersindical de Estudos e Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Adriana Marcolino, concorda que o fim da valorização do mínimo, em 2019, que só voltou no ano passado com Lula, ajudou a reduzir os ganhos dos trabalhadores.

Setor Farmacêutico define pauta de Campanha Salarial dia 23

O setor farmacêutico realiza uma assembleia híbrida no dia 23 de fevereiro (sexta-feira), às 18 horas, para discutir e aprovar a pauta da Campanha Salarial 2024. A assembleia presencial será realizada na sede de Santo Amaro (Rua Ada Negri, 127). Os trabalhadores que preferirem participar de forma virtual devem acessar o QR Code da imagem para se inscreverem antecipadamente.

Este ano só serão negociadas as cláusulas econômicas, uma vez que as sociais foram assinadas no ano passado e valem até 2025.

Os sindicatos que negociam conjuntamente, sob o comando da Fetquim (Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico), já se reuniram para discutir uma pré-pauta e tiraram um indicativo que contempla a reposição integral da inflação mais aumento real de 5% e PLR mínima equivalente a dois pisos salariais, além de correção na cesta básica e redução no valor dos medicamentos para os trabalhadores do setor.

A previsão de inflação acumulada para a data-base do setor farmacêutico (1º de abril) deve fechar em aproximadamente 3,82%. A inflação retraiu um pouco mas nem todos os preços baixaram.  “Nós sabemos que o cálculo do índice é composto por alguns grupos de produtos específicos e nem sempre eles refletem o que o trabalhador sente no bolso. Os alimentos continuam pesando muito no orçamento. Sabemos disso e vamos defender reposição da inflação com ganho real para que o trabalhador recupere o seu poder de compra”, explica Helio Rodrigues, presidente do Sindicato.

O setor farmacêutico é um dos mais lucrativos e um dos poucos que não sofre os efeitos da crise econômica. Nos últimos anos a média de crescimento da indústria farmacêutica tem sido de 10%. “Infelizmente, quanto maior o nível de estresse da população, maiores os índices de doenças e de consumo de remédios. Portanto, não há desculpa para os patrões não reajustarem os salários”, avalia Rodrigues.