Condenação de Lula é criticada no exterior

A condenação sem crime e sem provas do ex-presidente Lula foi alvo de críticas na mídia estrangeira.  “Brasil, uma democracia em decadência” foi o título de matéria do jornal francês Le Monde e “Lula, condenado sem provas” anunciou o jornal argentino Pagina 12, só para citar dois exemplos.

A repercussão mundial deverá ser maior ainda porque na noite desta segunda-feira (29), em São Paulo, o advogado da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Organização das Nações Unidas (ONU), Geoffrey Robertson, divulga em seminário internacional novas provas sobre a condenação sem crime do ex-presidente que serão anexadas ao processo em defesa de Lula que move nesta Comissão da ONU.

Geoffrey Robertson é um dos mais respeitados juristas do mundo e representa o ex-presidente em processo que tramita na CDH desde 2016. Nesta noite, ele falará no Seminário Internacional “O caso Lula: balanço e perspectivas”, que acontece no Teatro da Pontifícia Universidade Católica, em São Paulo, e reunirá juristas e especialistas em relações internacionais, como o embaixador Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores.

Veja mais sobre o assunto no site da CUT.

*Com informações da CUT.  

Nós vamos voltar, diz Lula

Mobilizações eclodiram em todo o País no dia 24, logo após a condenação do ex-presidente Lula, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Em São Paulo, mais de 50 mil pessoas se concentraram na Praça da República, num grande ato em defesa da democracia.

A indignação pela condenação política, e sem provas, tomada pelos juízes do TRF-4, e a disposição de luta por democracia  no País estava estampada no rosto de cada uma das pessoas que foram até a Praça da República participar do ato e se solidarizar com Lula.  

“Não quero que fiquem preocupados com o Lula. Quero que fiquem preocupados com os 210 milhões de brasileiros, sobretudo os trabalhadores que vivem de salário nesse País”, disse o ex-presidente, emocionando todos os presentes.

“Eles podem prender o Lula, mas não podem prender um sonho de liberdade, não podem prender as ideias, não podem prender a esperança”, completou, enfatizando que a ideia representada pela figura de Lula já está colocada na cabeça da sociedade brasileira.

“Eu não quero disputar com eles pela caneta deles, quero disputar com eles a consciência do povo brasileiro”, disse Lula, desafiando os três juízes do TRF-4 que ratificaram a sentença de Moro que condenou Lula, a provarem que ele é culpado.

 

*Com informações da CUT

Lula: Minha condenação é para negar o direito do povo ser feliz

“A minha candidatura só teria sentido se vocês fossem capazes de colocar o povo na rua. E foi o que aconteceu ontem (24). Por isso, hoje é o dia do ‘aceito’”. 

A declaração é do ex-presidente Lula e foi feita na manhã desta quinta-feira (25), na reunião da Executiva do PT, onde anunciou que aceita ser pré-candidato do partido nas eleições de outubro e agradeceu as manifestações que aconteceram ontem em todo o país em defesa de sua candidatura e da democracia.

“Temos uma arma muito poderosa, que é cobrar deles [os juízes do TRF-4] todo dia onde está a prova, onde está o crime, que quem quer condenar alguém tem que ser por algo concreto”, afirmou Lula, um dia depois de o Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmar a sua condenação, mesmo sem crime e sem provas, em ato de lançamento de sua pré-candidatura, na sede da CUT, em São Paulo. 

O evento reuniu mais de 500 pessoas, entre lideranças sindicais, partidárias e dos movimentos sociais, e antecedeu a reunião ampliada da Comissão Executiva Nacional do PT. Ao lado de Lula na mesa do ato, estavam a ex-presidenta Dilma Rousseff, a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, o presidente da CUT, Vagner Freitas, governadores e lideranças do PT no Congresso Nacional, e representantes dos movimentos sociais.  

“Ontem não me condenaram por nenhum crime. Foi mais uma ação para negar ao povo brasileiro o direito de voltar a ser feliz, trabalhando e comendo. E minha candidatura não é para me proteger, é para colocar o Brasil nos eixos, governando para pobres, para os negros, para as mulheres ”, disse Lula, reafirmando: 

“Eu sei o que eu fiz, eu tenho coragem de olhar na cara dos meus netos, dos meus filhos e de cada um de vocês. A única coisa que eu posso oferecer a vocês é a minha inocência”.

Para Lula, o placar de três a zero na 8ª Turma do TRF-4 não foi contra ele, mas sim o julgamento da forma como ele governou o País, criminalizando a organização política que colocou os pobres no centro do debate econômico. “Os juízes podem até ter ganhado no Jornal Nacional, mas sabem que perderam na consciência do povo brasileiro”, garantiu. 

“Ideia não cabe numa cela, ideia não cabe numa cova. Não se pode condenar a ideia de que o povo sabe que governamos muito melhor do que a elite que já tomou conta deste País”, completou.

Durante sua intervenção, o ex-presidente avaliou que os ataques a ele e a Dilma foram contra as medidas inclusivas de seus governos: “O que me deixa indignado é que somos vítimas de uma trama premeditada, que bateu na tecla da corrupção. É isso que coloca minha honra a flor da pele e não posso aceitar que qualquer canalha me chame de ladrão. Mas minha melhor proteção é minha inocência. E o PT não iria querer um candidato que tivesse roubado. Por isso, duvido que algum dos três juízes esteja com a consciência tranquila”.

Apoio e luta

Antes de o ex-presidente Lula falar ao público que lotou o saguão da sede da CUT, foi dada a palavra aos governadores, parlamentares e lideranças do movimento social e sindical. Todos ressaltaram a importância da mobilização popular para se contrapor à condenação de Lula e à continuidade do golpe. 

Confira algumas das declarações:

“É nas ruas que vamos barrar o fascismo que querem implantar no Brasil, com o sistema judiciário tentando dar as cartas no sistema político. Eles jogaram fogo no País e não cabe a nós o papel de bombeiros. O fascismo se enfrenta nas ruas” (Wadih Damous, deputado federal do PT/RJ).

“Democracia está sendo pisoteada, assim como em 1964, só que em vez da farda, estão vestindo a toga. Mas vamos lutar. Vamos derrotar a reforma da Previdência, a privatização da Petrobras. Nossa bancada estará ao lado dos movimentos sociais e dos trabalhadores para derrotar o golpe”. (Paulo Pimenta, deputado federal do PT/RS).

“O golpe deles fracassou. Está havendo o renascimento do PT e da esquerda. E nós temos que ter clareza de que é com enfrentamento social, mobilização e rebelião popular que vamos barrar os ataques contra nós e contra Lula.”. (Lindbergh Farias, senador do PT/RJ).

“O Maior magistrado do Brasil é o eleitor e só ele pode barrar a violência do Estado contra a população e suas lideranças. Não há afirmação da democracia se não for pela radicalização da democracia, com o povo nas ruas”. (Tião Viana, governador do Acre).

“A única maneira de barrarmos o golpe é irmos para as ruas, é a desobediência civil para não comprometermos as futuras gerações”. (Humberto Costa, senador do PT/PE e líder da oposição no Senado).

“Está claro que não vão parar, porque está havendo a ruptura do pacto de classes. Precisamos reagir e buscar apoio também fora do Brasil, organizando uma rede mundial de líderes”. (Wellington Dias, governador do Piauí).

“Hoje milhões de brasileiros estão com você, Lula, porque você representa a esperança do nosso povo”. (Camilo Santana, governador do Ceará).

“Temos que unir este país, vacinando o povo contra o ódio. E a única pessoa que pode reconstruir o Brasil é Lula”. (Rui Costa, governador da Bahia).

“Resgatar o pacto democrático feito com a Constituição de 1988 é tarefa urgente nossa. Se em 2003, a esperança venceu o medo, agora a esperança vai vencer a injustiça”. (Fernando Pimentel, governador de Minas Gerais).

“Eles ainda não concluíram a etapa de ruptura da democracia. Tirar Lula é mais uma ação transitória. Temos que lutar em todas as instâncias, usando todos os instrumentos que a democracia oferece. Mas a luta decisiva é a que se trava nas ruas. É lutar, lutar e continuar lutando”. (Dilma Rousseff, presidenta deposta).

“Não temos plano B: Lula é o nosso candidato. Você tem o apoio de parcela expressiva da população, dos movimentos sociais, dos sindicalistas. Ter mais de 40% não é estar isolado e por isso não vamos aceitar passivamente a deciosão do TRF-4”. (Gleisi Hoffmann, senadora do Paraná e presidenta nacional 

Temer usa a televisão para convencer o povo de que reforma da Previdência é benéfica

Nos últimos dias o presidente golpista Michel Temer esteve no SBT, nos programa Silvio Santos e do Ratinho, e na Band, no programa do Amaury Júnior, para defender a reforma da Previdência.

O golpista afirmou em todas as entrevistas que as mudanças nas aposentadorias “não prejudicam os mais pobres”. De acordo com Temer “só quem ganha 15,30, 40 mil reais é que vai ter alguma consequência”.   Mas essa não é a realidade. Não é de hoje que o movimento sindical vem alertando os trabalhadores para a propaganda enganosa de Temer.

O objetivo do golpista é colocar a reforma em votação. A CUT e as demais centrais sindicais já estão anunciando uma greve geral para o dia 19 de fevereiro, caso o presidente insista em colocar o assunto em pauta.  “As aposentadorias de militares e políticos, essas sim exorbitantes, não serão alteradas. Mais uma vez, Temer quer tirar direito dos trabalhadores. Se a reforma passar teremos que trabalhar até morrer”, enfatizou, Osvaldo Bezerra, coordenador-geral do Sindicato.

Durante a participação no programa do Silvio Santos, o apresentador lembrou a participação de Collor, em seu programa, nos anos 1990, quando foi realizado o confisco da poupança.  Mas é preciso registrar  também a publicidade que o SBT sempre deu ao regime militar. Naquela época o programa dominical mostrava a semana do presidente, com imagens do general Figueiredo cavalgando.  

Ato em defesa da democracia será na Praça da República

Hoje (24), dia em que o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de Porto Alegre, julga o recurso de Lula contra condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro, acontecem atos em  todo o Brasil em defesa de Lula e da democracia.

Em São Paulo, o  ato organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, que reúnem mais de 180 movimentos, entre os quais CUT, sindicatos, MTST, CTB, CMP, UNE e MST, será na Praça da República, a partir das 17h, e contará com a participação do ex-presidente Lula.

Lula estará hoje em Porto Alegre


Na tarde de ontem (22) a presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffman, informou que Lula estará em Porto Alegre hoje (23). Segundo ela, “Lula quer agradecer toda mobilização nacional e internacional em defesa dele ser candidato”.


Para defender a democracia e o direito de Lula ser candidato, Porto Alegre está recebendo milhares de pessoas. Além do acampamento do MST (Movimento do Sem Terra), mais de 500 ônibus de sindicalistas, políticos, lideranças populares e militantes de partidos e movimentos populares estão chegando de todo o país e da América Latina.


A vice-presidenta Nacional da CUT, Carmen Foro, explicou que é fundamental a classe trabalhadora defender o direito de Lula ser candidato, não somente por quem ele é, mas também pelo que ele representa.  “Defender o direito de Lula ser candidato é defender o direito político e democrático do ex-presidente. Para nós da CUT, defender o Lula é defender a classe trabalhadora. Foi no governo dele que conquistamos a política do salário mínimo, o programaminha casa minha vida, políticas essenciais para o desenvolvimento do campo, como crédito para os pequenos agricultores, programa de quisição de alimentos, entre outros”, afirmou Carmen.


“A maioria do povo quer eleger Lula presidente. Segundo pesquisa CUT/Vox Populi, 42% votariam no ex-presidente. Quem tem que decidir o que é melhor para o País é o povo, nas urnas, e não o judiciário. As mobilizações aqui em Porto Alegre demonstram isso”, destacou a vice-presidenta da CUT.


Hoje as manifestações continuam com as mulheres ocupando a Assembleia Legislativa de Porto Alegre em defesa da Democracia e de Lula ser candidato. Com a presença da ex-presidenta Dilma, a atividade contará com parlamentares, lideranças sindicais,políticas e populares. 


 


*Com informações da CUT

Juristas defendem candidatura de Lula e condenam métodos da Lava Jato

Juristas e intelectuais encerraram a agenda de atos em defesa de democracia em Porto Alegre na segunda-feira (22). O ato contou com a presença maciça de advogados e professores de diversas áreas do Direito e de outras ciências no auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS). “Não há base probatória, de acordo com a leitura da fundamentação do magistrado, para a condenação de Lula.  Onde não há provas, não pode haver certeza jurídica”, afirmou a advogada e professora de Direito Penal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS) Vanessa Chiari Gonçalves.

“Se não há certeza, há dúvida. Se há dúvida, a absolvição se impõe de acordo com o ordenamento jurídico. Ainda existem provas que inocentam o ex-presidente. Por isso, minha sincera expectativa é de que Lula seja absolvido na quarta-feira”, disse a jurista em relação à sentença de Sérgio Moro, juiz de primeira instância da Justiça Federal de Curitiba.

Durante o evento, foram lançados dois livros sobre o tema: Enciclopédia do Golpe, que apresenta verbetes de diferentes juristas sobre a ruptura democrática no Brasil, e Falácias de Moro, de Euclídes Mance, obra na qual o filósofo apresenta falhas lógicas presentes na sentença do juiz.

No início do ato, foram realizadas leituras de intelectuais que não puderam comparecer, como o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro e do escritor laureado com o Prêmio Camões Raduan Nassar. “Os desembargadores do TRF 4, se confirmarem a injusta condenação de Lula pela Lava Jato, terão de se justificar com a História. Serão execrados”, disse Nassar. “O julgamento de Porto Alegre tem como objetivo promover a derrubada da candidatura de Lula. Todo o processo tem motivação política”, disse Pinheiro.

Por sua vez, o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Marcello Lavenère afirmou que “a cada agressão aparecem mais companheiros e companheiras para defender nossa história”, ao citar a presença de mais de 50 mil pessoas durante o depoimento de Lula diante de Moro em Curitiba no fim do ano passado. “Apoiamos instituições republicanas que sirvam ao país e não a golpistas que têm suas cabeças fora do país”, disse.

“Queremos o combate a corrupção dentro da lei. Apoiamos o poder Judiciário quando ele age dentro de sua competência. Não apoiamos quando ele age acima dessa competência, violando direitos e rompendo com todo o aparato jurídico que custou para construirmos. Queremos o MP na legalidade e não promotores midiáticos que fazem power points de suas convicções que superem as fraudes. Não queremos uma PF que avise primeiro a Globo de seus atos”, completou o jurista.

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse poucas palavras. “Não vou rivalizar com juristas que já demonstraram que esse processo não tem o menor cabimento. A sentença tem falhas. Quero 3 a 0 pela absolvição de Lula. Fui servidor do Estado e estudei a democracia. O básico da democracia é a soberania popular. Então, qual é a pretensão de um homem de ir contra milhares de brasileiros que consideram Lula o maior presidente de todos os tempos? É muita arrogância”, sintetizou.

A ex-desembargadora do Trabalho Magda Barros Biavaschi disse que “Porto Alegre volta a ser protagonista neste momento”. “Tenho raízes e história neste estado. Hoje, estou aqui como pesquisadora da Unicamp. Trago duas citações. Uma, de O Rei da Vela, escrita na década de 1930 por Oswald de Andrade. Outra de José Saramago. ‘No título da peça, a palavra vela significa agiotagem (…) Você sabe, há um momento em que a burguesia abandona sua velha máscara liberal, declara-se cansada de carregar nos ombros ideais de Justiça (…) organizam-se como classe, policialmente’. A outra citação é: ‘Vivemos tempos onde o capitalismo, à la Estados Unidos, atropela a democracia'”.

 

Minha tranquilidade vai infernizar a vida deles, diz Lula

“Eu duvido que os juízes que já me julgaram ou que ainda vão me julgar estejam com a tranquilidade que eu estou. Estou com a tranquilidade dos justos, dos inocentes. A minha tranquilidade vai infernizar a vida deles”. A afirmação foi feita na noite desta quinta-feira (18) pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao referir-se à sua condenação pelo juiz Sérgio Moro no caso do tríplex no Guarujá e ao julgamento do recurso de sua defesa no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), no próximo dia 24.

Lula participou do ato “Em defesa da Democracia e do Direito de Lula ser Candidato – Artistas e Intelectuais com Lula”, na Casa de Portugal, em São Paulo, o segundo nos mesmos moldes na semana (o primeiro aconteceu na noite de terça, no Rio de Janeiro).

Falando a uma plateia de mais de 700 pessoas, o ex-presidente anunciou que, independentemente do que acontecer no julgamento do dia 24 e se o seu partido quiser, ele será candidato na eleição de outubro.

“Comunico aqui que quero que o PT me indique como candidato. Inventaram um crime, uma condenação, e estou disposto a enfrentá-los”, disse o ex-presidente. “Eu quero provar que não tem jeito de consertar este país se o povo trabalhador, o povo pobre, não estiver inserido na economia. O que está em jogo neste instante é algo mais forte que eu, é a soberania nacional, porque eles querem fazer com que esse País volte a ter complexo de vira-lata”, destacou.

No palco do evento, ao lado de Lula, estavam 60 pessoas representando as diferentes expressões artísticas e culturais, além de representantes de partidos políticos progressistas e de movimentos sociais. O presidente da CUT, Vagner Freitas, representou o movimento sindical no ato.

Os movimentos sociais foram representados por Gilmar Mauro, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, e Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto. A senadora Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, representou o partido no ato, ao lado de lideranças como o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, do presidente estadual da legenda, Luiz Marinho, e de ex-ministros dos governos Lula e Dilma Rousseff, como Aloizio Mercadante (Educação e Ciência e Tecnologia) e Celso Amorim (Defesa e Relações Exteriores).

Entre os artistas e intelectuais, estavam os cantores Ana Cañas, Thaide, Edgard Scandurra, Leci Brandão, Odair José, Raquel Virgínia e Renato Braz, os atores Celso Frateschi, Ailton Graça, Maria Casadevall e Débora Duboc, os escritores Raduam Nassar e Alice Ruiz, a cineasta Laís Bodansky, o jurista Fábio Konder Comparato, o professor Gilberto Maringoni, o economista Ladislau Dowbor, e a coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra, Rosane Borges.

Como a Globo vai desmentir?

Referindo-se aos juízes e à perseguição político-midiática que vem sofrendo, o ex-presidente enfatizou: “Eles sabem que não tenho apartamento, que não tenho escritura, então por que me condenaram? É porque uma vez que se diz a primeira mentira, as pessoas passam o resto da vida mentindo para sustentar essa primeira mentira”.

E completou: “A Globo já falou 30 horas no Jornal Nacional do tríplex. Como é que vai falar agora que eu não tenho tríplex?”. 

Lula relembrou as principais ações e políticas de seu governo e a popularidade que alcançou quando deixou a Presidência da República, com 87% de aprovação, a maior do Brasil e de vários países.

“A verdade é que eu não seria o que eu sou se não fosse vocês! Se não fossem os trabalhadores brasileiros, os metalúrgicos, os bancários, comerciários, pedreiros, químicos, os professores, os médicos, os sem-terra, os sem-teto. Se não fosse a sociedade brasileira acreditar na democracia eu não teria chegado onde eu cheguei. É por isso que eu tenho orgulho de dizer que não fui eu que cheguei, fomos nós que chegamos. Não fui eu que governei, fomos nós que governamos”.

Apoios

Ao longo das mais de três horas de duração do evento, todos os oradores – entre representantes da classe artística, intelectuais, dos movimentos sociais e partidos políticos – reforçaram a importância de resgatar a democracia e que o direito de Lula ser candidato é o passo fundamental desta luta contra o golpe. As intervenções foram intercaladas por apresentações musicais, como de Ana Cañas e As Bahias, de Renato Braz e Leci Brandão.

Confira a seguir algumas das declarações:

“Independentemente do que acontecer no TRF-4, Lula já foi absolvido pelo tribunal da história. E nosso dever democrático é tomar as ruas no dia 24. Lula, conte conosco nesta batalha! As nossas ocupações em São Paulo estarão em peso no ato do dia 24. O povo lá da sua terra, o povo da ocupação Povo Sem Medo de São Bernardo irá para o centro de São Paulo e para a Avenida Paulista para estar nessa jogada democrática. ‘Tamo junto’!” (Guilherme Boulos, líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto)

“Nunca participei de uma atividade como esta e vim aqui para apoiar o povo. Nós temos o direito de escolher os governantes nas urnas. Corremos o risco de levar o futuro de volta ao passado”. (Odair José, cantor e compositor)

“Dia 24 será um fato histórico. Vai dar 3 a zero a nosso favor [no julgamento do recurso de Lula]. Se for diferente, estarão definitivamente rasgando a Constituição. E dia 25, os movimentos sociais vão lançar a candidatura de Lula. A vitória parcial deles é derrota, porque nos deram a possibilidade de mostrar quem eles são”. (Gilmar Mauro, da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra)

“A covardia está aí! A gente sabe que o grande problema é que os golpistas não aceitam o seu pecado, que foi tratar as pessoas com respeito, você respeita a diversidade do Brasil” (Leci Brandão, cantora e deputada estadual do PCdoB/SP)

“Não dá para imaginar um Brasil em 2019 sendo governado de novo por um presidente sem a menor legitimidade, que vai suceder um sujeito que já não tem a menor legitimidade. Não adianta tirar Lula. Não adianta tirar o melhor jogador de campo, fazer gol sem goleiro”. (Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação)

“A favela tem voz sim. Lula deu voz a favela, o primeiro favelado a chegar lá”.  (Bruno Ramos, da Liga do Funk)

“Não há crime. E não há oportunidade melhor para o TRF-4 mostrar para o mundo que aqui tem Justiça. O mundo está de olho no Brasil neste momento e nós vamos mostrar que não somos um povo manso. Nosso lugar é nas ruas, ao lado de Lula, o candidato do povo brasileiro. Vai ter Lula, vai ter luta!” (Gleise Hoffmann, senadora e presidenta nacional do PT)

“Eu não vim aqui apenas mostrar que sou um eterno amante da democracia, mas vim aqui me juntar com as minhas e com os meus para lutar por um dos nossos, que é Lula”. (Thaíde, rapper)

“Quem está sendo julgado é o povo brasileiro. A campanha eleitoral deste ano será mais politizada e o que estará em jogo é se a reforma trabalhista vai continuar, se o trabalho escravo vai continuar, se vão acabar com a aposentadoria, se o golpe vai continuar”. (Gilberto Maringoni, professor universitários e dirigente do Psol)

“Pela primeira vez na vida, eu vi uma pessoa semeando esperança. Eu vi essa semente dando bons frutos. Eu, Aílton Graça, não abro mão de ter essas conquistas. Uma delas é a democracia. Meu voto, aberto, é seu, Lula, e quero que o meu voto seja respeitado”. (Ailton Graça, ator)

“Lula foi uma grande exceção histórica, o primeiro chefe de Estado que não veio do estamento oligárquico. Precisamos reforçar esta exceção, porque há 5 séculos vivemos sob o sistema oligárquico, sob o potentado econômico. Para isso, precisamos trabalhar para organizar o povo, que é quem vencerá a oligarquia”. (Fábio Konder Comparato, jurista e professor emérito da Faculdade de Direito da USP)

“Não vamos aceitar não ter Lula nas próximas eleições. Nós precisamos dele porque a democracia não pode morrer”. (Laís Bodansky, cineasta)

“O direito de Lula ser candidato é a síntese da luta de classes, é pensar a soberania popular e que somos partícipes deste processo”. (Rosane Borges, coordenadora do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra)

“Apoiar Lula significa apoiar o Estado de Direito, dar um breque em todo o processo de perda de direitos civilizatórios. É preciso dar um basta a este descalabro, para que a democracia volte a acontecer no Brasil”. (Celso Frateschi, ator).

Artistas e intelectuais juntos em apoio à democracia

Nesta quinta (18), às 19h, artistas e intelectuais estarão unidos na Casa de Portugal, em São Paulo, para a realização do  ato “Pela Democracia e pelo Direito de Lula Ser Candidato”. A presença do ex-presidente está confirmada.

Na noite de terça (16), no Rio de Janeiro, Lula também se reuniu com artistas e intelectuais. Participaram do ato cerca de 900 pessoas, entre elas a cantora Beth Carvalho e o cantor Otto, os atores Bemvindo Sequeira, Osmar Prado, Tonico Pereira, Herson Capri, Bete Mendes, Cristina Pereira, Dira Paes, Aderbal Freire-Filho, e a filósofa Márcia Tiburi.

Os dois atos se somam à agenda de ações em todo o Brasil em defesa da democracia e do ex-presidente Lula, que terá seu recurso contra a condenação imposta pelo juiz Sérgio Moro julgado no próximo dia 24, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre.

No dia 24 tem atos programados nas principais capitais do País. Em São Paulo, a concentração será na avenida Paulista, a partir das 14 horas, com a presença de Lula a partir das 18 horas.   

Metrô para contra privatização, demissões e aumento de tarifas

O Metrô de São Paulo amanheceu parado nesta quinta (18). A greve dos metroviários o leilão de privatização das Linhas 5 Lilás e 17 Ouro – o monotrilho, e também contra a terceirização das bilheterias do Metrô, demissões e aumento das tarifas.

“A privatização leva à terceirização, que é sinônimo de precarização das condições de trabalho e renda, além da queda na qualidade dos serviços prestados à população e aumento das passagens, o que prejudica trabalhadores do Metrô e usuários”, declarou Marcos Freire, diretor do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

O governo de São Paulo marcou o pregão para o dia 19, às 9h, na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, na Rua 15 de Novembro. No mesmo dia, a partir das 9h, os metroviários estarão em frente a Bovespa protestando contra a privatização.