Abril é mês de pagar a PLR dos químicos

Nas negociações do setor químico de 2015 houve alteração na data de pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados).

A empresa que optou por pagar em duas parcelas deve depositar a primeira parcela em 30 de abril e a segunda parcela  em 31 de outubro. Quem optar por pagar em uma única parcela deve depositar o valor ao trabalhador em 30 de junho.

A PLR mínima a ser paga pelas empresas que não têm um programa próprio é de R$ 930,00 (para empresas com menos de 50 trabalhadores) e de R$ 1.030 (para empresas com mais de 50 trabalhadores).  Fique atento as novas datas de pagamento e em caso de dúvidas ou denúncias procure o Sindicato!

Brasil está unido contra reformas do governo Temer, diz Vagner Freitas

Centrais sindicais e movimentos sociais realizarão hoje (31) diversas mobilizações em todo paíscontra a aprovação de projetos do governo Temer, como as reformas trabalhistas e da Previdência e a terceirização irrestrita. O presidente da CUT, Vagner Freitas, afirma que a intenção é que o governo retire as propostas da pauta definitivamente.

“Os atos são para que o governo retire da pauta essas reformas que retiram os direitos dos trabalhadores. Esse governo não tem moral para fazer esse tipo de reforma. Não foi eleito, a sociedade é contra essas reformas e precisamos restabelecer a democracia no Brasil, com um governo que tenha condição de dialogar com a sociedade”, afirmou em entrevista à TVT.

Freitas avalia que o Brasil está unido contra as propostas do governo federal e afirma que o movimento só tende a crescer. “As centrais sindicais, os movimentos sociais, até a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) se colocam contra a reforma trabalhista, porque isso não interessa ao povo e à economia brasileira. Nós vamos ganhando um caldo de cultura contra a retirada de direitos, contra a precarização, e eu não tenho dúvida que esse momento vai crescer, porque está chegando no cidadão comum.”

O presidente da CUT diz que a presença dos trabalhadores da periferia na mobilização nacional em 28 de abrilserá importante para barrar de vez as reformas. “No dia que a periferia invadir a Avenida Paulista e vir para discussão e os trabalhadores estiverem participando efetivamente, como eu acho que vai ser na greve geral do dia 28, a gente tem muita condição de parar essas reformas. Se a gente consegue impedir que eles façam as reformas, o “Fora, Temer!” vem naturalmente, com as “Diretas já”, e vamos colocar o povo no poder novamente.”

Apenas 19% Campanhas Salariais de 2016 ficaram acima da inflação

Pesquisa feita pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aponta que apenas 19% das campanhas salarias de 2016 resultaram em aumento real, apresentando ganhos acima do índice de inflação INPC-IBGE.

Foram analisados dados de 714 negociações salariais durante o ano de 2016 de diversos setores por todo o Brasil. Entre eles, 44% dos reajustes tiveram valor igual à inflação e 37% ficaram abaixo do índice.

Reforma da Previdência prejudica também quem já se aposentou

Engana-se quem pensa que só os que ainda vão aposentar que sofrerão os impactos com a aprovação da Reforma da Previdência, em discussão na Câmara Federal.

Com a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, todas as trabalhadoras e trabalhadores serão impactados diretamente com o desmonte da aposentadoria, mas os aposentados e pensionistas também serão prejudicados com a proposta do governo ilegítimo de Michel Temer.

Para a secretária Nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos, Jandyra Uehara, a reforma não é reforma é uma destruição da aposentadoria também para quem já se aposentou.

“Essa reforma vai trazer um rebaixamento nos valores das aposentadorias, vai dificultar cada vez mais o acesso, inclusive para as pensões. Hoje você pode estar aposentado ou aposentada e também receber uma pensão, isso será cortado. Então mesmo quem está aposentado e que teria o direito a uma pensão do companheiro ou companheira, será extremamente prejudicado”, explica Jandyra.

A desvinculação do salário mínimo e a proibição do acúmulo da pensão por morte e a aposentadoria são medidas que afetarão em cheio a vida desses trabalhadores que contribuíram a vida toda.

“O que está em jogo no Brasil não é um ajuste fiscal, é uma mudança no modelo de sociedade”, afirmou o economista Eduardo Fagnani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante evento organizado pelo Dieese e centrais sindicais, que tentam unir forças para derrubar a PEC 287, do desmonte da previdência.

O presidente da Federação Nacional dos Aposentados e Pensionistas (FENAPI), Wilson Ribeiro conta indignado qual é a visão desse governo em relação aos que recebem a aposentadoria.

“Na visão do governo nossos somos inativos, não trabalhamos, não produzimos mais, então, para eles nós somos como um estorvo da sociedade. Nós temos o direito de receber porque nós contribuímos para que na nossa aposentadoria pudesse ter um salário digno e isso pode não acontecer mais”.

Para o presidente da FENAPI o salário diminuirá ao longo dos anos e o beneficio não garantirá uma velhice digna. “O idoso precisa se alimentar bem, comprar remédios, ter lazer e o beneficio tinha que garantir esses direitos básicos. Queremos condições de envelhecer dignamente”.

Segundo o relatório do DIEESE, “reformar para excluir”, a PEC 287 também propõe uma forte redução no valor das pensões a serem concedidas. Além da desvinculação ao salário mínimo, o benefício passa a ser de 60% do valor da aposentadoria que o segurado recebe ou receberia se se aposentasse por invalidez no momento do óbito. A esse benefício será concedido uma parcela de 10% para cada dependente adicional, até o limite de 100%. Como a pensão será fixada a partir da regra geral de cálculo da aposentadoria, a renda familiar deverá sofrer uma redução significativa com o óbito do segurado. Provavelmente, uma grande parcela dos futuros pensionistas terá renda equivalente a 60% do salário mínimo. A não reversibilidade das cotas dos demais beneficiários também penalizará o rendimento familiar

É o que comenta a secretária de Assuntos Jurídicos da FENAP e pensionista, Ivanize Artilhes do Espirito Santo. Para ela é um absurdo não poder acumular a aposentadoria e a pensão e disse que as mulheres serão as mais impactadas, já que são maioria entre os beneficiários.

 “Eu, como pensionista e aposentada, nessas novas regras tivesse que escolher um beneficio ou o outro teria meu rendimento cortado pela metade e eu não sei o que seria da minha vida”.

Para Wilson, os aposentados e pensionistas devem estar nas mobilizações contra a reforma da previdência. “Os trabalhadores precisam se mobilizar e convidar a gente pra mantermos a nossa luta, que sempre será ativa. Se eles não lutarem com a gente para barrar essa reforma e a terceirização será muito pior que em tempos de escravidão”, complementa.

Ministro do STF notifica Câmara a dar explicações sobre terceirização

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello notificou a Câmara Federal hoje (28) para que sejam dadas explicações sobre a aprovação do projeto de lei 4.302, que libera a terceirização nas atividades-fim das empresas, atendendo a um pleito do empresariado que pretende reduzir custos de mão de obra à revelia da CLT.

A notícia foi divulgada há pouco pelo UOL, depois que alguns sites chegaram a publicar que o STF havia anulado a votação do projeto na Câmara na quarta-feira (22). A decisão do ministro responde a mandado de segurança do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O ministro não estabeleceu um prazo para que a Câmara se manifeste.

Na ação, o senador questiona a constitucionalidade da proposta aprovada em 1998 e depois arquivada até voltar agora para o plenário da Câmara.

A desinformação aconteceu a partir de um comunicado de Rodrigues. Em seguida, o advogado do senador divulgou nota de esclarecimento:

“Amigos, boa noite. Aqui é o Raphael, assessor e advogado do senador Randolfe. Uma informação imprecisa está sendo difundida: a de que o STF teria deferido parcialmente nossa liminar no Mandado de Segurança contra o PL 4.302/98.

O que ocorreu foi um despacho do relator, ministro Celso de Melo, determinando que a Câmara preste esclarecimentos.

O despacho foi comemorado no plenário do senado pelo senador Randolfe, por não ter sido rejeitado de plano o pedido liminar, mostrando uma disposição do ministro em analisar o pleito. Teremos, inclusive, uma audiência na quinta-feira (30), para despacho. Mas reiterando: não se trata de antecipação de tutela deferida, nem de liminar nem de qualquer decisão de mérito”, concluiu.

O projeto aprovado na semana passada na Câmara havia sido retirado da pauta em 2003, a pedido do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O site do ex-presidente publicou nesta terça-feira notíciaem que divulga uma mensagem oficial do então presidente, pedindo a retirada com base em análise de funcionários do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

31 de março é Dia Nacional de Mobilização

A CUT e as demais centrais sindicais vão se mobilizar no dia 31 de março.  O Dia Nacional de Mobilização, como está sendo chamado, é o esquenta para a greve geral que deve ocorrer em abril.

As centrais estão unidas contra as reformas da previdência e trabalhista que o governo Temer quer aprovar. “Nós queremos fazer dessa data, um dia de conscientização da sociedade brasileira sobre a importância de uma greve geral”, afirmou Sergio Nobre, secretário geral da CUT.

Para Nobre o atual governo ascendeu ao poder após um golpe parlamentar e não tem legitimidade.  “Seu programa não representa a vontade da maioria. A CUT não se nega a negociar, mas para sentar na mesa com a CUT tem que ter legitimidade e credibilidade e esse governo não tem. A única coisa que pode reverter a tragédia que está em curso no Brasil é promover uma grande greve geral”, alerta Nobre.

Recuo ao século 19, terceirização ampla desmonta sistema de proteção

Ao impor limite de gastos primários e apresentar propostas de reformas trabalhista e previdenciária, o governo simplesmente busca atender a apelos da livre iniciativa e “remover” obstáculos representados por um Estado indutor de crescimento e articulador de políticas públicas. Essa é, em resumo, a filosofia das medidas da gestão Temer, na visão da desembargadora aposentadora Magda Barros Biavaschi, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Cesit-Unicamp).

Como parte desse processo, ela vê a aprovação do Projeto de Lei 4.302, de terceirização irrestrita, “um bárbaro retrocesso, um salve-se quem puder”. Um cenário de universidades sem professores, hospitais sem médicos e empresas aéreas sem pilotos. É um momento grave, observa, “em que a gente precisa discutir o modelo de sociedade que queremos”.

O discurso da flexibilização como estímulo ao emprego, à produtividade e ao investimento é falacioso, reage Magda. “Nós sabemos, e os estudos mostram, que não há nenhuma evidência empírica com a relação a esse nexo de causalidade”, afirma, citando análises recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

“Portanto, não é flexibilizando e retirando direitos que nós vamos enfrentar o problema do desemprego, da competitividade. O pressuposto para isso é a dinamização da economia”, diz. “Aqueles países que mais flexibilizaram, mais terceirizaram, são os que perderam competitividade.” A alegada “rigidez” é questionada pela pesquisadora – ela afirma que o sistema já privilegia a negociação coletiva (mas para adicionar, e não suprimir, direitos) e que a própria CLT passou por muitas reformas desde que surgiu, nos anos 1940.

A pesquisadora também vê criticamente outro projeto, o PLC 30, em tramitação no Senado, aprovado em 2015 na Câmara como PL 4.330. “Os dois são péssimos, são redutores de direitos, rasgam a CLT e propõem um novo padrão regressivo à ordem liberal do século 19”, afirma. No texto aprovado nesta semana, o do projeto 4.302, que também mexe na lei do trabalho temporário (de 1974), ela aponta outros riscos: “O contrato temporário pode ser usado para cobrir necessidades permanentes”.

Patamar civilizatório

A retomada do pensamento que Magda chama de “ultraneoliberal” se dá a partir de 2015, quando as forças derrotadas na eleição do ano anterior se juntam ao PMDB e ao então vice-presidente, autor do programa Ponte para o Futuro, que recupera e incorpora essas teses. “A reforma se completa com o negociado sobre o legislado. A lei deixa de ser o patamar civilizatório mínimo”, afirma a desembargadora, citando comentário espirituoso do jornalista Mino Carta. “Só não é retrocesso para a Idade Média porque o Brasil não teve Renascimento.”

As mudanças também deverão trazer impactos negativos à Previdência, na medida em que se reduz a base de arrecadação. E, ao contrário do que argumentam os defensores do projeto, haverá aumento de conflitos e de judicialização, “porque teremos muitos precarizados, muito mais desempregados”.

Ela lembra que o 4.302 foi apresentado – pelo governo Fernando Henrique Cardoso – em 1998, “num período de muita flexibilização dos direitos sociais do trabalho”, em um período de desemprego elevado e igualmente com o discurso de que a “rigidez” da legislação inibia contratações. Momento de “avalanche neoliberal”, lembra Magda. “Era um modelo de sociedade e de Estado que estava sendo implementado.” Nessa onda, apareceu a proposta da prevalência do negociado sobre o legislado, em projeto que chegou a ser aprovado na Câmara, mas acabou arquivado em 2003, no primeiro ano do governo Lula. 

O PL 4.302 é aprovado na Câmara em 2000, vai ao Senado e ganha um substitutivo dois anos depois, mas não é mais discutido. Em 2004, aparece outro projeto sobre terceirização, o 4.330, que avança lentamente, com críticas da Justiça do Trabalho e divisão no meio sindical. Aprovado enfim em 2015, o texto vai para o Senado, como PLC 30, e tem como relator Paulo Paim (PT-RS), que organiza audiências públicas por todo o país. Mas aí vem o processo de impeachment.

Jurisprudência

No campo legal, como não havia legislação específica no país, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) criou em 1986 o Enunciado 256, que em 1993, com alterações, se tornaria a Súmula 331, para regular o tema. “Não é lei, é a cristalização de uma jurisprudência”, observa a desembargadora. “Essa súmula passou a normatizar as relações de trabalho para contratação de terceiros”, acrescentando, lembrando que o TST proíbe as terceirizações nas chamadas atividades-fim das empresas. Desde então, foram constantes as pressões para cancelar a 331, que chegou a ser ampliada em 2000, para estender a responsabilização do contratante para os entes públicos. 

Um caso paradigmático, lembra Magda, é o da Cenibra, em Minas Gerais. Derrotada na Justiça do Trabalho, a empresa apresentou recurso extraordinário (RE 958.252) ao Supremo Tribunal Federal (STF), questionando a Súmula 331. O caso, de repercussão geral, tem como relator o ministro Luiz Fux. Entrou na pauta pela última vez em novembro do ano passado.

A desembargadora acredita que o tema da reforma trabalhista ainda não “viralizou”, como na questão previdenciária, mas que isso já começa a acontecer. “A reforma da Previdência é de fácil compreensão. As pessoas fazem contas, sabem que vão morrer trabalhando e não vão se aposentar”, observa. Os projetos trabalhistas têm, em síntese, o objetivo de reduzir custos “pelo sacrifício do trabalhador”.

Tanto o 4.302 como o PLC 30 (o 4.330 original) são, em sua definição, “instrumentos malévolos não só aos trabalhadores, mas à economia brasileira”. O que acaba de ser aprovado expande a terceirização para todas as atividades, amplia a possibilidade de contratação temporária (e permite a prorrogação), institucionaliza a chamada PJ, retira multa pelo descumprimento de direitos e afeta a organização sindical. A possibilidade de o trabalho temporário ser usado para cobrir necessidades permanentes é visto como um risco: “Num país em que a rotatividade é muito alta, os contratos são de curta duração, permitir isso é um bárbaro retrocesso. Vamos legitimar o gato”.

Mesmo em “tempos sombrios” e diante de uma correlação desigual de forças em relação aos que defendem uma sociedade menor desigual, a desembargadora propõe resistência (“O naufrágio de todas as esperanças é a inação”, diz, citando expressão do pensador alemão Max Weber). Integrante de um grupo de trabalho no Cesit/Unicamp que reúne pesquisadores e outros especialistas no mundo do trabalho e do Fórum em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores e Trabalhadoras Ameaçados pela Terceirização, ela coordena um manifesto que no mês que vem será entregue no Congresso, antes da votação do PL 6.787, de reforma trabalhista – o relatório deverá ser apresentado em 13 de abril. “Essa dita modernidade na realidade é um regresso”, diz Magda. “O mundo já mostrou que isso não dá certo.”

Mapa dos traidores: saiba como votou o deputado do seu estado sobre a lei da terceirização

Na noita da última quarta-feira (22), a Câmara dos Deputados aprovou por 231 votos contra 188 o Projeto de Lei 4302/1998, apresentado durante o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que permite às empresas a terceirização de todas suas atividades, inclusive a principal, algo que hoje é proibido no Brasil.

A CUT não quer que você esqueça do nome dos parlamentares que votaram para piorar as condições de trabalho e, num momento de grave crise, estão preocupados apenas em defender o lucro dos patrões. Para termos um Congresso mais comprometido com a classe trabalhadora é fundamental que os eleitores guardem bem seus nomes e lembrem de como eles se posicionam.

Por isso, a Central preparou um mapa com o voto de cada deputado sobre o PL 4302. Somente PT, PDT, PCdoB, PSOL, Rede e PMB orientaram voto contra a terceirização total. Todos os partidos da base aliada de Temer, includino PMDB e PSDB, foravam favoráveis a piores condições de trabalho, menores salários e maior rotatividade. 

Clique nas indicações do mapa para saber qual foi a decisão do parlamentar do seu estado.

Efeitos da terceirização: salários mais baixos, mais acidentes e menos direitos

O Projeto de Lei 4.302/1998, que permite a terceirização de todas as atividades das empresas em todos os setores produtivos, deve trazer inúmeros impactos negativos no mercado de trabalho: redução dos salários, enfraquecimento da Previdência, perda de direitos como aviso-prévio e multa de 40% nos casos de demissão sem justa-causa, além de aumento do número de acidentes. A avaliação é do presidente da Associação Latino-americana de Juízes do Trabalho (ALJT), Hugo Melo Filho, que nesta segunda feira (20) participou audiência pública na Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado

Ele afirmou que, com a liberação da terceirização das atividades-fim, o número de trabalhadores terceirizados, no país, deve saltar dos atuais 13 milhões para mais de 52 milhões. Segundo Melo Filho, que a aprovação do projeto vai criar “empresas sem empregados”. 

“Para se ter uma ideia, a Telemar (empresa de telefonia que atua em parte do Sudeste e no Nordeste) dizia que a sua atividade-fim era a mera transmissão das ondas ou da linha pelo fio do telefone, que são atividades imateriais. Sob esse argumento, dizia que não tinha empregados, todo mundo era terceirizado. Se isso já é uma realidade hoje, imagine com a aprovação dessa norma autorizando livremente para que se contrate para qualquer atividade. Vamos ter empresas sem empregados”, afirmou Melo Filho ao repórter Uélson Kalinoviski, para o Seu Jornal, da TVT.

Ele também prevê o aumento dos acidentes de trabalho. “São 560 mil trabalhadores acidentados terceirizados, contra 140 mil trabalhadores contratados diretamente. É uma relação de 8 para 2”, disse. A reportagem não cita a fonte. O juiz ainda diz que, ao apoiar o PL da terceirização, o governo vai contra o discurso de que a Previdência precisa arrecadar mais. “Promover alteração da legislação trabalhista para terceirizar e reduzir em 30% o que se arrecada para a Previdência também é um absurdo. As contas não batem.”

Os bancos estão entre os setores que mais lucram com a terceirização. Somente no setor financeiro, dos cerca de 1,5 milhão de trabalhadores no país, pelo menos 800 mil já são terceirizados, e o rendimento destes chega a ser até 70% menores do que os dos funcionários diretos.

Para a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia Moreira, a terceirização pode ainda representar o fim do concurso público. “Isso pode acabar com o concurso público e pode gerar outros problemas em decorrência. Pode abrir para processos ilícitos e ilegais, como a contratação com base em privilégios. O concurso público democratiza a contratação”, alertou.  

Na avaliação da economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o projeto da terceirização é perverso para os trabalhadores. Além da perda de várias garantias e direitos trabalhistas, como aviso prévio e multa de 40% em caso de demissão sem justa causa, os salários dos trabalhadores serão drasticamente diminuídos. 

“Um trabalhador que trabalha, por exemplo, numa empresa química na cidade São Paulo, o piso de ingresso é de R$ 1.500. Não pode ser contratado por menos que isso. Se, em vez da empresa contratar o trabalhador diretamente, ela recorre a uma empresa de intermediação de mão de obra e contrata na forma de trabalho temporário, o piso desse trabalhador pode variar entre R$ 1.000  e R$ 1.300. Ou seja, só aí se tem uma diferença de 30% a 50% no salário”, explica Marilane ao repórter Paulo Castilho, para o Seu Jornal.

 

Nota da CUT: “Mais um golpe contra os direitos dos trabalhadores”

A Central Única dos Trabalhadores (CUT-Brasil) vem a público denunciar o golpe promovido pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), com a votação a toque de caixa do PL 4302 que permite a terceirização de toda e qualquer atividade das empresas.

Um golpe, uma manobra espúria, pois tal PL 4302, proposto em 1998 no governo de Fernando Henrique Cardoso e que, depois de passar no Senado, ficou engavetado. O PL 4302 só foi ressuscitado agora, quando o PL 4330, aprovado na Câmara em abril de 2015, havia provocado um substitutivo global do senador Paulo Paim que proibia a terceirização das atividades-fim das empresas, tal como era o entendimento consagrado pela Justiça do Trabalho, e iria ser votado no Senado.

Rodrigo Maia, pressionado pela CUT e outras centrais sindicais, havia se comprometido em 13 de março passado a suspender a votação do PL 4302 por pelo menos 30 dias, para que o debate sobre a terceirização pudesse ser feito em toda a sua dimensão. Num verdadeiro “passa moleque”, o presidente da Câmara não honra o compromisso assumido com as centrais e submete a voto um PL que é, na prática, uma mini-reforma trabalhista regressiva que permite a terceirização de todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras, atacando todos os seus direitos como férias, 13º Salário, jornada de trabalho, garantias de convenções e acordos coletivos.

Apoiando-se numa maioria de deputados golpistas e corruptos, atendendo à pressão de empresários que querem flexibilizar direitos e precarizar as relações de trabalho para aumentar os seus lucros, como Paulo Skaf da FIESP e seu infame “pato” usado na pressão pelo golpe do impeachment contra a presidenta Dilma, a Câmara dos Deputados acaba de cometer mais um golpe contra os direitos da classe trabalhadora, na noite deste dia 22 de março. Uma vez aprovado na Câmara, o projeto de lei vai diretamente à sanção do ilegítimo presidente Michel Temer.

A CUT não reconhece qualquer legitimidade nessa votação, feita na calada da noite e a toque de caixa, da atual Câmara dos Deputados, desmoralizada diante da opinião pública nacional e internacional pelos sucessivos atropelos de sua maioria à democracia e aos direitos da classe trabalhadora.

A CUT conclama toda a classe trabalhadora, as demais centrais sindicais, todos os setores da sociedade que compreendem que os direitos trabalhistas são parte essencial dos direitos humanos, á mais ampla mobilização para derrotar, nas ruas e locais de trabalho esse golpe desferido com a aprovação da terceirização em todas as atividades das empresas, abrindo a via para transformar empregos formais e regulamentados, em “bicos” de trabalho precário, temporário e parcial , com salários e direitos rebaixados, inclusive na administração pública.

A CUT confia na capacidade de luta de nosso povo e da classe trabalhadora, demonstrada na grande jornada de 15 de março passado contra o desmonte da Previdência e os ataques aos direitos trabalhistas. Vamos combater a terceirização ilimitada, a PEC 287 (Reforma da Previdência) e o PL 6787 (Reforma Trabalhista) que rasga a CLT,

A CUT indica a realização da Greve Geral de toda a classe trabalhadora no próximo mês de abril e convoca desde já um Dia Nacional de Mobilização em 31 de março.

Nenhum Direito a Menos

Abaixo o PL da Terceirização Ilimitada

Retirada da Reforma da Previdência e da Reforma Trabalhista.

Todos Juntos na Greve Geral!

Brasília, 22 de março de 2017

 

Direção Executiva Nacional da Central Única dos Trabalhadores