Protestos defendem permanência do Ministério da Cultura

Manifestantes contrários ao fim do Ministério da Cultura ocupam prédios em diversas capitais do País. As sedes da Funarte (Fundação Nacional de Artes) estão tomadas nas cidades São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Ontem (17) houve um protesto em São Paulo no Teatro Oficina, que contou com cerca de 500 pessoas, incluindo intelectuais e artistas. A professora e filósofa Marilena Chauí defendeu a necessidade das relações culturais, que contribuem para o desenvolvimento da sociedade.

Marilena disse que é preciso fazer uma “reelaboração do pensamento e da arte sem o mercado” e falou em “desfazer a nuvem de ilusão, de desinformação, estupidez e ignorância que é passada para o povo (pelos meios de comunicação dominantes)”.  

Dilma fala sobre apoio internacional contra o golpe

A presidenta Dilma Rousseff publicou uma nota ontem (16) por meio de sua assessoria, na qual aborda como a questão do impeachment está sendo vista por governos estrangeiros. O Ministério Interino de Relações Internacionais do País criticou governos que alegaram não reconhecer “o golpe parlamentar que afastou Dilma Rousseff da Presidência da República”.  

A nota diz que “a reação de governos estrangeiros e de importantes setores da opinião pública mundial, entre eles o Secretário-Geral da OEA, expressa a indignação internacional diante da farsa jurídica aqui montada. Ao mesmo tempo, revela a preocupação de que essas práticas, travestidas de legalidade, possam se espalhar por outras partes do mundo, especialmente na América Latina, promovendo a desestabilização de governos legítimos e revertendo as grandes conquistas sociais e democráticas alcançadas nos últimos 15 anos”.

O texto também observa a inconstitucionalidade de um governo que não foi eleito. “Forças partidárias, como as que pretendem agora conduzir a política externa brasileira – tradicionalmente submissas às grandes potências – não têm autoridade política ou moral para invocar o princípio da soberania”, diz.

UNE critica novo ministro da Educação e aponta retrocesso

A União Nacional dos Estudantes (UNE) fez um alerta a respeito do novo ministro da Educação: Mendonça Filho, nomeado por Michel Temer, integra o Democratas (DEM), partido que entrou na Justiça contra as cotas raciais nas universidades e contra projetos como o ProUni e Fies, que incentivam o ingresso de jovens ao ensino superior.

Carina Vitral, presidente da UNE, criticou o novo ministro, que também é a favor da redução da maioridade penal. Ela questionou ainda a união do ministério da Cultura com o da Educação e disse que o governo Temer tem o seu foco nas questões econômicas, deixando de lado as causas sociais.

Outro ponto de preocupação por Carina foi a respeito da possível desvinculação de um investimento obrigatório pelo governo para a educação. “Os recursos da Educação ainda são insuficientes para sanar todas as necessidades de salários de professores, melhoras na estrutura, assistência estudantil e ampliação da rede federal. O setor perderá muito e haverá impacto negativo imediato”, disse. 

Químicos assinam Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria Municipal de Saúde

O Sindicato dos Químicos assina nesta sexta (20) um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria Municipal de Saúde.

O objetivo é o monitoramento da saúde dos trabalhadores e a troca de informações com a Secretaria que terá um banco de dados sobre o assunto. 

De acordo com o secretário municipal da Saúde, Alexandre Padilha, os sindicatos conhecem os ambientes insalubres e inadequados, pois eles lidam com a base diariamente. “O objetivo é agilizar o fluxo entre o movimento sindical e a Secretaria da Saúde para denunciar condições de ambiente e de trabalho. Sem essa aliança não seria possível enfrentar com a intensidade que a gente quer enfrentar, os problemas de saúde dos trabalhadores na cidade de São Paulo”, disse o secretário.

A Secretaria aproveitará as informações fornecidas pelos sindicatos para elaborar políticas públicas de saúde do trabalhador. Por outro lado, os sindicatos terão acesso ao conhecimento desenvolvido pelas instituições de saúde e pelas instituições de ensino e pesquisa que atuam com a SMS, na busca de melhores condições de saúde e trabalho para os profissionais.

Encontro de mulheres reúne centenas de trabalhadoras

As trabalhadoras químicas das regiões de Taboão da Serra, Embu das Artes e Embu-Guaçu se reuniram no último domingo (15), para o encontro regional da Secretaria da Mulher Trabalhadora. Diante do cenário político que o País vive, a principal pauta do encontro foi a conjuntura política e as próximas investidas do governo Michel Temer (PMDB) que devem ter como principal alvo o ataque aos direitos dos trabalhadores.

A secretária da Mulher Trabalhadora, Célia Alves dos Passos, observou que o novo ministério escalado por Temer não tem nenhuma mulher e é bastante conservador. “Ele enxugou vários ministérios e acabou com a Secretaria de Políticas para as Mulheres, que foi integrada ao novo Ministério da Justiça e Cidadania; é claro que com isso as ações favoráveis às mulheres vão diminuir”, observou.

Célia lembrou ainda que no governo Dilma as mulheres conquistaram muitos avanços importantes, como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), que recebe denúncias de violência, e a Casa da Mulher Brasileira, que integra triagem, atendimento e serviços de apoio psicossocial, além de cuidado às crianças. Outra conquista importante para as mulheres foi a aprovação da lei que tipifica o feminicídio como homicídio qualificado. “Tivemos avanços importantes no último período e não podemos retroceder”, desabafou. 

Liberada consulta sobre acidentes de trabalho nas empresas

O DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – divulgou um link no qual é possível ter acesso a informações sobre acidentes de trabalho. Os dados pertencem ao Ministério do Trabalho e Previdência Social.  

A consulta online pode ser feita com o CNPJ das empresas e as categorias de busca são: Comunicação de Acidente do Trabalho (CAT), Auxílio-Doença por Acidente de Trabalho, Aposentadoria Invalidez – Acidente de Trabalho, Pensão por Morte por Acidente de Trabalho e Auxílio-Acidente – Acidente de Trabalho.

O acesso a essas informações é importante para que trabalhadores e sindicatos possam reivindicar por melhores condições de trabalho nas empresas.  

O link para ter acesso às informações de acidentalidade é: http://acidentalidade.mtps.gov.br/inter/acidentalidade/view/consultarempresas/main.seam

Apeoesp diz que Alckmin instaura estado policial

A presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha, divulgou na sexta-feira (13) uma nota de repúdio à ação da polícia militar que retirou os estudantes que ocupavam prédios das escolas técnicas em protesto contra o descanso com a merenda escolar.

Na sexta-feira os alunos foram presos e a ação ocorreu por ordens do governador Geraldo Alckmin (PSDB), porém sem permissão da justiça. A nota da Apeoesp repudiou a violação de direitos fundamentais como a liberdade de pensamento e condenou a prisão de menores de idade que não estavam praticando nenhum ato ilícito

“A Polícia Militar não pode ser usada para garantir a posse de algum bem. Ela serve ao cumprimento da lei ou de ordem judicial. O estado possui o monopólio da força. No entanto, isso não autoriza a dispor dela como bem quiser. Deve obedecer à lei, ao poder judiciário e acima de tudo assegurar os direitos humanos”, afirmou Bebel.  

Mulheres protestam na Paulista contra Temer

Mulheres realizaram ontem (15) uma passeata contra a posse de Michel Temer como presidente interino do Brasil. Segundo a Mídia Ninja, 10 mil pessoas caminharam no protesto que passou pela Avenida Paulista e parou em frente à Fiesp.

O ato contou com a presença da União Brasileira das Mulheres e da Marcha Mundial das Mulheres, movimentos que lideraram a caminhada. As manifestantes gritavam “Fora Temer” e dizem não reconhecer um presidente eleito de forma indireta.

Luiz Dantas, membro do Coletivo Frente pela Democracia, declarou à Agência Brasil que o protesto também foi contra a falta de representatividade no governo de Temer. “Não vemos negros, não vemos mulheres e isso é um retrocesso”, disse.

Artigo: 13 de Maio é luta de raça e classe! Tolerância zero à ameaça aos direitos do povo negro

Iniciamos este texto resgatando a recente frase dita pelo teólogo Leonardo Boff, um dos proponentes da Teologia da Libertação, movimento que reinterpretou o Evangelho a partir das injustiças sociais, políticas e econômicas, fortalecendo a luta de classes: “Se os pobres deste país soubessem o que estão preparando para eles, não haveria ruas que coubessem tanta gente para protestar contra o impeachment”.

Tomando como pano de fundo este importante alerta, compartilhamos algumas reflexões já observadas na primeira fase do impeachment da Presidenta Dilma Rousseff e seus impactos para o povo brasileiro, em especial para a população negra e das periferias.

A votação no Congresso e a cumplicidade silenciosa do Superior Tribunal Federal deixaram estarrecida a população brasileira, bem como a comunidade internacional, que têm diariamente se manifestado por meio de grande parte da imprensa a estupefação diante da ousadia do golpe perpetrado pela elite derrotada nas urnas nos quatro últimos pleitos, em processos eleitorais diretos e democráticos.

Na Câmara, o parlamento rarissimamente ocupado por mais de 500 deputadas e deputados, que deveriam representar a confiança empenhada por milhões de eleitoras e eleitores na condução de temas estruturantes da nação foi transformado num picadeiro a serviço do golpe.

Se isso já não bastasse, trataram os votos recebidos do povo que representam como uma decisão privada, dedicando a representação que é coletiva aos seus familiares em “homenagens” risíveis. Transmitido ao vivo para o mundo, um torturador reconhecido pelo Estado brasileiro, assassino de mulheres trabalhadores, indígenas, recebeu repugnante honraria, como se herói fosse.

A imagem dantesca era de homens (todos brancos) disputando centímetro a centímetro o melhor lugar no “palco”, oprimindo as mulheres que, sem espaço após o voto, eram acotoveladas para que voltassem para “o seu lugar”, não sem antes receberem “elogios” seja por sua beleza por seu voto a favor do impeachment, enquanto outras eram hostilizadas ou até brutalmente ofendidas, quando se posicionavam divergindo dos pensamentos reacionários que tomaram a cena da votação, numa reprodução ao vivo e a cores do comportamento do patriarcado brasileiro, que é de um machismo violento.

No Senado não foi diferente. Reproduziu os acordos que havia na Câmara, porém, com maior “esmero”. Após quatro perdas sucessivas nas urnas, o poder do povo foi tomado e as consequências vão afetar a população como um todo, inclusive os que não têm a percepção do que está em jogo.

Pensar que estas votações obtiveram sucesso dando seguimento ao maior golpe da história brasileira desde 1964, leva-nos a ter de radicalizar a defesa dos nossos direitos, duramente conquistados em processos absolutamente legítimos e constituídos pela via da democracia participativa.

Diferente dos Congressistas, nossa atuação e nossas conquistas não se deram pela via do golpe, mas na construção coletiva, nos fóruns e organismos populares, conselhos, conferências e audiências públicas, nos orçamentos participativos e com a representação do conjunto da sociedade em toda a sua diversidade.

Além das lutas encampadas nos espaços de participação social tivemos ainda as batalhas travadas no parlamento, muitas delas precedidas por grandes manifestações nacionais, a exemplo da Marcha pelo Salário Mínimo e que depois, somadas às demais Centrais, tornaram-se as Marchas das Centrais Sindicais, iniciativa que mobilizou milhões de pessoas em todo o país e que levou milhares à Brasília pressionando o governo a aumentar significativamente o salário mínimo nacional, melhorando assim a condição de vida da população em geral, mas em especial do povo negro, que é o mais precarizado, seja no campo, na cidade, nas águas ou nas florestas.

Nossas lutas fizeram avançar os direitos das trabalhadoras domésticas, que passaram da condição de exploradas a trabalhadoras regidas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e, também aí há grandes avanços que asseguram igualdade de condições, para uma categoria majoritariamente negra e que estava à margem dos direitos. 

Na educação, os avanços na inclusão da população negra foram expressivos. Os programas sociais PROUNI, ENEM E FIES levaram milhões de jovens a alcançar a educação superior que foram, em 14 anos, maiores do que a inclusão feita ao longo dos mais de 500 anos de história.

Por tudo isso, não podemos dar trégua nem recuar um passo sequer na defesa dos nossos direitos conquistados, dentre eles, o direito à vida dos nossos jovens, vítimas de chacinas, emboscadas e ataques, além do genocídio exercido por uma polícia racista, despreparada e violenta, que executa para depois averiguar. Queremos a nossa juventude, seja ela negra ou não negra, politicamente atuante, estudando, exercendo o direito à democracia, e viva.

No entanto, segundo o Mapa da Violência, só no ano de 2015, foram assassinados por armas de fogo 5058 jovens brancos, enquanto os negros foram 17.120, bem mais que o triplo da juventude branca, isso é o racismo na sua expressão mais perversa de extermínio, continuam arrastando nossos jovens para a cova, tal como eram lançados ao mar nos navios negreiros, ou como são depositados nos presídios, sem a mínima condição de reintegração à cidadania e à sociedade.

Mas, apesar disso, o reacionarismo presente no parlamento do país ainda quer modificar a legislação para reduzir a maioridade penal e, assim, agravar ainda mais o triste cenário a que está submetida a juventude negra deste país. Isso tem que ter um fim. Queremos nossa juventude negra viva!

As mulheres negras são as que mais sofrem estupros e violência doméstica de seus parceiros e parentes em todos os graus, além das demais formas de violência em suas comunidades, especialmente as mulheres negras e lésbicas.

No mundo do trabalho, a ameaça colocada para as trabalhadoras e trabalhadores no parlamento pós-golpe é ampla. A terceirização que multiplica a precarização das condições de trabalho e estabelece o negociado sobre o legislado, a regulamentação do trabalho intermitente por dia ou hora, impedimento de reclamação na justiça do trabalho em caso de demissão sem justa causa – com extinção da multa, susta a Norma Regulamentadora 12 sobre Segurança no Trabalho ampliando os acidentes de trabalho, retirando da jornada o direito de deslocamento para ir e vir do trabalho, dentre outras, que eliminam os direitos e as conquistas de anos da classe trabalhadora. 

Os desafios estão colocados. As cartas estão na mesa. O parlamento eleito pelo povo foi exposto a toda a nação com suas chagas e mazelas para o crivo e o julgamento do eleitorado e da população de forma geral. Caberá a estes, agora, decidirem qual caminho seguir: aceitarem passivamente que lhes sejam tolhidas as conquistas de anos e anos de luta ou ir às ruas defender a democracia, o Estado Democrático de Direito e pôr fim a este golpe parlamentar-jurídico-midiático-empresarial golpista.

Lutemos por uma sociedade justa, igualitária e consciente da importância de seu voto para parlamentares comprometidos com o povo e com o projeto democrático e popular de inclusão social, aumento da renda, ampliação de direitos e por cidadania plena.

Por tudo isso, este 13 de maio, como todos os outros dias para nós é mais um dia de luta e de resistência. O golpe sofrido pela Presidenta atingirá a todos nós, pois desrespeita os mais de 54 milhões de votos recebidos, mas também porque tornará mais difícil a vida do povo brasileiro, em especial da população negra.

A extinção dos ministérios de Cultura e das secretarias de Mulheres, Juventude e Igualdade Racial, dentre outros, são a maior prova maior e imediata de que, embora maiorias – de mulheres e negros – não seremos respeitados em nossos direitos.

Por isso, conclamamos o povo negro de todo o país a não dar trégua na defesa dos nossos territórios, da nossa identidade, da nossa cultura, do livre direito à organização e manifestação, e, que jamais admitamos sermos criminalizados. Nossa tolerância terá que ser zero diante da retirada de quaisquer dos nossos direitos.

 

Maria Julia Nogueira é Secretária Nacional de Combate ao Racismo da CUT e Rosana Sousa é Secretária-Adjunta