Douglas Izzo eleito novo presidente da CUT-SP

No último dia do Congresso Estadual da CUT São Paulo (Cecut), em Águas de Lindóia, foi eleita por unanimidade a nova diretoria executiva e o conselho fiscal da CUT São Paulo, com mandato até 2019.

O novo presidente é o professor Douglas Izzo, dirigente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado). Em seu discurso, ele comemorou a paridade na formação da nova executiva.

Confira a composição da nova executiva:

Presidente: Douglas Izzo (Educação)

Vice-Presidente: Sebastião Cardozo (Financeiro)
Secretário Geral: João Cayres (Metalúrgico)
Secretário de Administração e Finanças: Renato Zulato (Químico)
Secretária de Comunicação: Adriana Magalhães (Financeiro)
Secretária de Combate ao Racismo: Rosana Aparecida da Silva (Educação)
Secretária de Formação: Telma Victor (Educação)
Secretária da Juventude: Cibele Vieira (Químico)
Secretário de Saúde do Trabalhador: Vagner Menezes (Transporte)
Secretária da Mulher Trabalhadora: Ana Lúcia Firmino (Seguridade Social)
Secretária de Políticas Sociais: Kelly Domingos (Comércio e Serviços)
Secretário de Relações do Trabalho: Ademilson Terto da Silva (Metalúrgico)
Secretária de Meio Ambiente: Solange Cristina Ribeiro (Municipais)
Secretário de Organização: Élcio Marcelino (Seguridade Social)
Secretária de Política Sindical: Sônia Auxiliadora (Municipais)
Secretário de Mobilização: João Batista Gomes (Municipais)

Direção Plena 

Ana Lucia de Mattos Flores (Municipais)
Anuska Pintucci Sales Cruz Schneider (Seguridade Social)
Aparecida Maria de Menezes (Construção Civil)
Carlos Fábio (Urbanitário)
Carlos Murilo (Transporte)
Carlos Roberto da Silva/Ketu (Municipais)
Ceres Lucena Ronquim (Metalúrgico)
Gilnair Pereira (Educação)
Gisele Lopes (Municipais)
Inês Granada (Serviço Público Federal)
João Nazaré (Educação)
José Freire da Silva (Químico)
Kátia Aparecida de Souza (Seguridade)
Lilian Parise (Comunicação)
Luiz Albano da Silva (Construção Civil)
Luiz Henrique de Souza (Urbanitário)
Marcelo da Silva (Comércio e Serviços)
Marcia Viana (Vestuário)
Marco Pimentel (FAF)
Roberto Vicentin (Financeiro)
Roseli de Souza (Municipais)
Solange Aparecida Benedeti Penha/Educação-Itapeva
Valdir Fernandes (Financeiro)
Valdir Tadeu (Seguridade Social)

Conselho Fiscal

Antônio Donizete (Financeiro)
José Fernando da Silva (Químico)
Cleide Maria de Jesus de Almeida (Educação)
Deise Aparecida Capelozza (Urbanitário)

Suplentes do Conselho Fiscal 

Daniel Pedro (Alimentação)
José Justino Desidério Filho (FAF)
Fabiana Caramez (Comunicação)
Ana Rosa (Municipais)

CUT completa 32 anos de luta

Há 32 anos, no dia 28 de agosto de 1983, era fundada a CUT (Central Única dos Trabalhadores). Com quase quatro mil entidades filiadas é a maior central de trabalhadores da América Latina e quinta no mundo, representando mais de 24 milhões de trabalhadores.

A CUT foi criada durante o 1º Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), em São Bernardo do Campo. Durante a reunião foi nomeado o primeiro presidente da Central, o metalúrgico Jair Meneguelli.

Fator Acidentário de Prevenção não pode ser modificado sem ampla discussão

A CNQ tem participado nacionalmente das discussões sobre o FAP – Fator Acidentário de Prevenção para se inteirar, discutir e manifestar a opinião das lideranças do ramo químico da CUT a respeito do tema, que é muito importante para todos os trabalhadores que representamos.

Trata-se de um assunto complexo, de difícil entendimento pelos trabalhadores, e acima de tudo guardado a sete chaves em nome de uma confidencialidade fiscal injustificável e da qual discordamos.

De forma simplificada, podemos dizer que o FAP é uma metodologia criada para reduzir (bônus) ou majorar (malus) as alíquotas, que conforme o ramo de atividades pode ser de 1%, 2% e 3% e incidem sobre a remuneração paga pelas empresas a seus trabalhadores. Esse recolhimento serve para o financiamento do Seguro Acidente do Trabalho -SAT. O FAP pode reduzir essas alíquotas pela metade, ou duplicá-las, em razão do desempenho que cada empresa tem no cuidado do seu meio ambiente do trabalho e da saúde e segurança de seus trabalhadores.

Entendemos como importante estimular as empresas que investem em segurança com um pagamento de alíquota mais baixa, assim como de se onerar aquelas que não investem. O grande problema é saber como isso funciona, pois o relacionamento do FAP acontece somente entre empresas e governo. Aliado a essa caixa preta, convivemos ainda com um forte lobby das empresas que pressiona o Ministério da Previdência para mudar o Fator, logicamente buscando vantagens.

Não se sabe o que se passa nesse relacionamento entre governo e empresas. Não se consegue dados de nenhum grupo econômico quanto a Bônus ou Malus. Convivemos diuturnamente com subnotificações de acidentes e adoecimentos. É um verdadeiro silêncio epidemiológico, por isso aceitar as polêmicas propostas que estão sendo apresentadas pela Previdência Social, no atual momento, é regredirmos.

É preciso o aperfeiçoamento do que já temos, e avançarmos para um patamar de transparência e compreensão de todos os envolvidos. Portanto, não aceitamos as propostas de modificações que temos em mãos sem uma ampla discussão.

A CNQ tem se pautado em discutir o tema na sua integralidade, mas acima de tudo tem colocado suas expectativas quanto ao acesso às informações, direito em conhecer o que hoje é compartilhado só pelo governo e empresas. Posição balizada pela contribuição da análise do epidemiologista Dr. Heleno Rodrigues Corrêa Filho que, em artigo reproduzido abaixo, traz à luz as interpretações legais, mostrando que não há justificativa para as negativas do Governo quanto a permitir a abertura da caixa preta criada, pelo contrário. A lei trata sigilo de informações de natureza financeira e fiscal. No caso das informações de ordem epidemiológica e de saúde, a Lei possibilita a não aplicação da regra do segredo em casos de interesse da administração pública.

Indústria paulista está em crise por descaso do governo de São Paulo

São Paulo deixou de ser a locomotiva do Brasil há muito tempo e, segundo avaliação de especialistas que participaram nesta quarta-feira (26) de oficina durante o 14º Congresso Estadual da CUT São Paulo (CECUT), engatou a marcha ré em relação ao país.

Técnico de planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Miguel Matteo, foi enfático ao lembrar que até os anos de 1980, São Paulo tinha uma taxa média de crescimento parecida com a do Brasil e que agora o cenário inverteu. “Em períodos prósperos, ela chegava a crescer mais. Em períodos de crise, São Paulo igualmente caía, com o Brasil a reboque. Este cenário mudou porque agora é o Brasil quem puxa São Paulo”, disse.

Assessor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Júnior apontou o tamanho do prejuízo que esse cenário provoca para toda a economia do país.

Conforme destacou, apesar de a indústria significar somente 13% do PIB, ela é responsável por 17,5% dos empregos formais e 17,3% da massa salarial. E ainda incide sobre outros setores. “A indústria agrega boa parte do emprego formal, que é a base de consumo e de crédito no país. Boa parte do crédito para pessoa física passa pela garantia do emprego formal e do salário, portanto, quando a indústria cresce, ela puxa o investimento junto”, ressaltou.

Culpa de quem?

Fausto atentou para o fato de que a participação da indústria paulista no emprego industrial nacional caiu 2,7 pontos percentuais entre 2003 e 2013. Dados oficiais também mostram que no acumulado de 2015, a indústria de transformação já perdeu cerca de 77 mil postos de trabalho.

Uma das causas desse cenário, avalia o técnico do Ipea, é que a gestão tucana nos últimos 20 anos abriu mão de apresentar propostas que mantivessem São Paulo à frente da política industrial e foi omisso. “O governo de São Paulo poderia fazer muito mais, ter por exemplo uma política tributária mais ativa para diminuir a contribuição de ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] de algumas empresas que tivessem dificuldade. Isso para manter essas empresas em São Paulo”, avalia.

Fausto concorda com a falta de uma política tributária que fortaleça a indústria no estado. “Por exemplo, no custo final da tarifa de energia elétrica do estado, 22% são de ICMS”.

Para o economista do Dieese, a irresponsabilidade do governo remonta a casos como o da privatização do Banco do Estado de São Paulo, o Banespa, no ano de 2000, que atingiu 578 agências, 22 mil funcionários e 3,1 milhões de clientes. E afetou a política de crédito para a produção. “Ele era responsável por parte significativa da concessão de crédito às indústrias paulistas. No período, o Banespa tinha incorporado o Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.”

Matteo defende também que os governos em todos os níveis têm responsabilidade sobre o processo de desindustrialização, mas que, comparado ao federal, o governo paulista sequer adotou medidas para frear esse processo. “No caso do governo federal, a gente tem taxas de juros muito altas e o dólar valendo muito pouco por muito tempo, prejudica a produção industrial porque facilita a entrada de importados. De qualquer forma, o governo federal tomou algumas medidas para tentar incrementar a produção industrial”, disse.

Outro exemplo apresentado por Fausto foi o da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que trocou o investimento pelo lucro. “Entre 2007 e 2014, a empresa lucrou R$10 bilhões, distribuiu R$3,4 bilhões a seus acionistas, deixando somente R$1,7 bilhão anuais para investimentos na última década”.

Pesquisa também sofre – Fausto critica ainda a ausência de uma política de pesquisa e de incentivos à tecnologia e à inovação voltados à indústria no estado. “Isso se reflete na crise das universidades paulistas, na desarticulação de todos os centros de pesquisa e planejamento do estado, no sucateamento do Instituto Butantã, no desmonte do Instituto Biológico e agora com a extinção de órgãos como o Cepam [Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal]”, define, para quem o governo paulista não pode depender apenas das iniciativas federais.  

Em um dos momentos da oficina houve também o lançamento do livro “As faces da indústria metalúrgica no Brasil: uma contribuição à luta sindical”, uma parceria entre o Dieese e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT. “É uma análise do ramo metalúrgico que vai de 2002 a 2013, período em que tivemos um Estado colocando diversas políticas industriais com o intento de fortalecer a indústria. A obra coloca os desafios do que precisamos avançar daqui para frente”, afirmou o economista André de Oliveira Cardozo, organizador da publicação.

Dos trabalhadores em situação análoga à escravidão, 82% são terceirizados

Estatísticas do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) mostram que em 82% dos casos de trabalho análogo à escravidão encontrados em 20 anos de combate ao crime, os trabalhadores eram terceirizados. Em 1995 os grupos móveis de fiscalização começaram a atuar. “Os casos mais frequentes estão no setor de confecções e da construção civil. São pessoas sem registro em carteira e principalmente sem documentos”, disse o auditor Luis Alexandre Faria, do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo.

O dado foi apresentado nesta terça (25), quando foram discutidas a regulamentação da terceirização e as estratégias sindicais para as melhorias das condições de trabalho durante o 3º Congresso Internacional de Ciências do Trabalho, Meio Ambiente, Direito e Saúde. O evento, promovido pela Fundacentro na Faculdade de Direito da USP, termina sexta-feira (28).

Desde 1995, quando foram criados os grupos móveis de fiscalização, mais de 49 mil pessoas foram resgatadas de fazendas de gado, soja, algodão, frutas, cana, carvoarias, canteiros de obras, oficinas de costura, entre outros. Nesse período, o trabalho escravo contemporâneo deixou de ser visto como algo restrito a regiões de fronteira agropecuária, como a Amazônia, o cerrado e o Pantanal e, paulatinamente, passou a ser fiscalizado também nos grandes centros urbanos.

O combate à terceirização e ao PLC 30/2015, que tramita no Senado para regulamentação da prática, esteve no centro do debate. A secretária de Relações de Trabalho da CUT, Graça Costa, reafirmou o caráter nefasto do PL na “pauta precarizante”, cujos malefícios incluem a rotatividade e mais acidentes. “Os patrões nos acusam de não entender a realidade, de ser contra a modernidade. E não há nada de moderno na proposta que remonta os tempos de escravidão, tão antiga quanto o advento do capitalismo, reduzindo direitos, conquistas.”

Graça criticou ainda a PEC 18/2011, que reduz a idade mínima para o trabalho de 16 anos para 14. “Ao reduzir a idade para trabalhar, estimula um círculo vicioso de miséria, com jovens que vão deixar de estudar e entrarão precocemente no mercado de trabalho.”

Pejotização

O secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, destacou a perversidade da terceirização, que transforma milhões de pessoas, que já tiveram direitos, em pessoas jurídicas (PJs), e empurra outros milhões para contratos terceirizados. “Dizem que somos contra os terceirizados e que não queremos que eles tenham direitos – um acinte. Muita gente esta à margem da lei, consequência da terceirização.”

Bancário, Índio destacou que a discriminação afeta gravemente a autoestima do trabalhador. “Já vi vigilante comendo sua marmita no banheiro, sentado na latrina, porque não se sentia à vontade para se sentar no refeitório.”

O dirigente aproveitou para criticar a Agenda Brasil, proposta pelo governo. “A agenda é para esfolar o trabalhador. Nos não podemos aceitar essa agenda, que é tão golpista como os manifestantes que vão às ruas pedir o impeachment da presidenta. Precisamos defender os poucos avanços que tivemos.”

Índio entende que no momento atual o grande capital impõe mais exploração para aumentar seus lucros, num ataque às convenções coletivas, à CLT, a princípios constitucionais de valorização do trabalhador e normas internacionais da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “É um processo mais que de terceirização, mas de precarização.”

Greve solidária

O conselheiro da Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas (Abrat) Luís Carlos Moro defendeu a greve solidária. Para ele, as categorias profissionais devem ampliar sua atuação também na defesa de interesses de categorias próximas.

“Greve é direito. Mas não basta o bancário defender apenas a sua categoria, porque vivemos uma luta institucional de classes. As estratégias sindicais devem se voltar para os trabalhadores com categorias vizinhas. Isso tem de ser estratégia do movimento sindical. O direito de greve por solidariedade. Vamos fazer essa estratégia”, disse Moro.

Para o advogado, os trabalhadores devem se unir para combater a ameaça da regulamentação da terceirização, “patrocinada por um Congresso afinado com os interesses das grandes empresas que patrocinam suas campanhas, e não com o interesse do povo brasileiro”. “O PLC 30 é reflexo dessa dissociação”, disse.

Trabalhadores da Lanxess querem reabrir Diálogo Social

A Rede de Trabalhadores da Lanxess no Brasil está reunida  com a empresa desde ontem (25), em São Paulo,  para discutir a reabertura do Diálogo Social.

O Diálogo Social foi  realizado nos anos de 2009 e 2010, mas suspenso. Os trabalhadores querem uma reunião até março de 2016 e a volta do Diálogo Social cuja primeira pauta deve contemplar a discussão da segurança e saúde no ambiente de trabalho e a preservação ambiental.

Os trabalhadores também  participaram de um Intercâmbio Internacional entre Brasil e Alemanha e debateram  os novos desafios e a conjuntura econômica brasileira e mundial.

O  intercâmbio contou com a participação da representante do Departamento Internacional do Sindicato dos Químicos da Alemanha – IGBCE,  Maike Niggmann, e do presidente do Comitê Europeu de Trabalhadores da Lanxess,  Werner Czaplick.

Lançamento de Memorial da Democracia terá presença de Lula

O ex-presidente Lula lança no dia 1º de setembro (terça-feira) o site Memorial da Democracia na sede no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

O site será multimídia e totalmente interativo, com imagens, vídeos e músicas que retratam a luta por liberdade no Brasil. Na primeira fase de implantação do site, o visitante poderá ver dois módulos: “1964-1985: 21 anos de resistência e luta”, sobre a ditadura militar, e “1985-2002: construindo a democracia”. Outros períodos também serão retratados e lançados em etapas.

Serviço:

Lançamento do site Memorial da Democracia

Quando: dia 1º de setembro (terça-feira) às 18h

Onde: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC – Rua João Basso, 231, São Bernardo do Campo

Crise: pré-sal, Irã e juros azedaram relação com EUA, diz professor da UFABC

Iniciativas brasileiras desagradaram a comunidade financeira internacional. E setores políticos internos, observando os ventos que vinham de fora, acharam que era hora de tentar derrubar Dilma. A opinião é do holandês Giorgio Romano Schutte. Ele veio ao Brasil no início da década de 1990, para fazer intercâmbio com o movimento sindical brasileiro. Aqui constituiu família e continuou estudando, tornando-se doutor em Sociologia e especialista em Economia Política Internacional.

Leitor assíduo da imprensa internacional e de relatórios e análises financeiras, não titubeia ao apontar alguns momentos em que os governos Lula e Dilma contrariaram interesses e produziram azedume na comunidade financeira internacional: a aprovação do marco regulatório do pré-sal, a tentativa brasileira de mediar um acordo nuclear com o Irã e a tentativa de Dilma, em 2012, de baixar a taxa básica de juros.

Enquanto para ele Lula é pé quente, a atual presidente é pé frio. Mas, segundo ele, talvez um dos maiores problemas de Dilma tenha sido a falta de articulação e de diálogo com a sociedade.

Leia trechos da entrevista:

Professor, antigamente, até os anos 1970, 80, era muito comum associarmos crises internas a interesses estrangeiros. Existem interesses estrangeiros por detrás da crise econômica e política que vivemos hoje?

É um assunto que as pessoas têm evitado porque têm receio de cair na ideia de que há um complô internacional. Não é disso que se trata, isso tem que ficar bem claro.

O que se passa na minha cabeça toda a vez que eu penso no que vem acontecendo depois de 2009? Até então, no meio da crise internacional, o Brasil era o queridinho de todo o mundo. Pela primeira vez, o Brasil era visto como solução, e não mais como parte do problema. Entrou para o G-20, estava à frente dos BRICS. E o que acontece em 2010? O Lula, pela primeira vez em oito anos, toma uma medida que vai diretamente contra os interesses internacionais, que foi a mudança do marco regulatório de exploração do petróleo, do pré-sal. O Lula vinha fazendo o governo que havia prometido, atendendo as camadas populares sem contrariar interesses das elites. Já na questão do pré-sal, isso é uma coisa muito grande – embora alguns digam o contrário e tentem fazer uma mistificação. Quando a gente ficou sabendo dos grampos (grampos telefônicos da agência de segurança dos EUA), eram grampos sobre a Dilma e a Petrobrás. Depois se você observar todas as visitas seguintes, da Hillary Clinton, do ministro da Energia americano, houve época que de três em três meses havia uma delegação americana de alto nível no Brasil, e ia direito para o Rio, nem passava por Brasília, tinham mais interesse em falar com a Graça Foster (ex-presidente da Petrobrás) do que com a própria Dilma. Então, quando o Brasil faz uma legislação que praticamente garante o controle total – é o que eu chamaria de uma reestatização moderada –vai contra interesses muito organizados e poderosos.

E isso passou até com certa facilidade no Congresso. Por quê?

É verdade. Porque o Lula estava com 85% de aprovação, porque era o momento em que ele estava com o queijo e a faca na mão. O Lula também tinha legitimidade internacional. Foi uma estratégia muito ousada, especialmente considerando que não houve essa ousadia antes. Então, esse é um ponto. Outra coisa: em que momento o Brasil deixou de ser o país queridinho? Eu tenho clareza que foi no momento em que o Lula inventou de mexer com o Irã. Porque se encontrar com o Ahmadinejad (Mahmoud, presidente iraniano), você não sabe o que isso significa na cabeça dos conservadores dos Estados Unidos, mas nem só de lá. Irã? Bomba? Quem se sente ameaçado imediatamente é Israel. E eles têm um lobby muito forte. Há interesses muito fortes que se sentiram contrariados com essa atitude do Lula.

Mas a intenção do Lula e do embaixador Celso Amorim era justamente evitar que a energia nuclear fosse utilizada para a fabricação da bomba.

Mas na visão de Israel, e mesmo agora, depois do acordo costurado pelo Obama, isso é totalmente inaceitável e eles são contra. Eles dizem que é o mesmo erro que Inglaterra e França cometeram em 1938 com o Hitler. Então isso teve um impacto muito grande. Houve claramente um lobby anti-Brasil. Foi muito mal visto pela diplomacia americana e pelo Congresso.

Olhando em perspectiva agora, você acha que aquela atitude do Brasil foi precipitada, errada, ou não?

Eu tenho dúvidas se o Lula e o Celso Amorim sabiam da reação que aquilo provocaria nos Estados Unidos. Havia certa ilusão, porque existia a carta do Obama pedindo a ajuda do Brasil, a interferência. Mas na cabeça dos Estados Unidos o que era para acontecer era o Lula tentar e não dar certo, pois isso seria mais um argumento para convencer os chineses e os russos para impor as sanções. Agora, o Lula ir lá e conseguir, isso não estava no script.

Achavam que o Lula iria fracassar na tarefa.

E ele devia saber que era essa a ideia. O Brasil, então, antes da crise atual, já deixara de ser só o queridinho. Até então, você pegava a imprensa americana, “The Economist”, “New York Times”, “Financial Times”, só coisa positiva sobre o Brasil. E começa a ter uma abordagem um pouco mais crítica. Tem um monte de coisas pequenas que você vai juntando para entender o clima. Isso azedou a relação. Em 2012, houve o golpe no Paraguai. E a reação da Dilma, muito forte, muito surpreendente, os Estados Unidos imaginaram que o Brasil ia dizer “tudo bem”. Então, com o Paraguai fora do Mercosul, na mesma reunião, foi convidada a Venezuela para integrar o bloco. Isso foi a Dilma que fez (a presidência temporal do Mercosul, naquele momento, pertencia ao Brasil). Isso causou também muito mal estar. E aí veio a denúncia da espionagem. A Dilma disse que não ia mais. Isso vai causando atrito, na área de relações internacionais. Voltando à área econômica. O que acontece em 2010? O Brasil, como eu disse, havia reagido muito bem à crise, e era bem visto por todos.

O Brasil passa a ser visto como exemplo.

Isso. Mas o que acontece depois? Os Estados Unidos, para tentar resolver os problemas deles, inundam o mercado de dólares. Esse dinheiro, o famoso relaxamento monetário (…) significa muito dinheiro disponível. Muito dinheiro veio para cá, o que o Guido Mantega classificou como tsunami financeiro. Mas era dinheiro que vinha atrás de oportunidade de especulação, no curto prazo. Isso valorizou o câmbio. A indústria estava razoável, mas aí você começa a ter problemas na balança comercial. Então a Dilma percebe que não dá mais para conviver com aquela taxa de juros que existia, atraindo dólares e valorizando o câmbio. Então, quando ela começa em 2012 a atacar de maneira muito corajosa a taxa de juros, isso se torna uma coisa que contraria a comunidade financeira internacional. Não é que os banqueiros se juntaram num quarto e decidiram: vamos derrubar a Dilma. Mas o que eu acho é que ela não percebeu que estava comprando briga com gente muito poderosa sem explicar. Ela não explicou o que estava fazendo, como um Dom Quixote sozinha lutando. E o Guido Mantega como um Sancho Pança. Mas ela comprou essa briga. Então a partir de 2012 ela passou a ser vista como uma mulher que quebra contratos. Não dá para confiar nessa mulher.

Alguma liderança da comunidade financeira chegou a se pronunciar claramente contra essa política?

Todos os relatórios financeiros começam a questionar a capacidade do governo. Enfim, a credibilidade do governo. Acompanhando as análises internacionais sobre o Brasil, nota-se que começa um clima muito negativo. Tanto é que ela não consegue resistir, ela teve de voltar atrás. Porque ela começou baixando a taxa Selic, depois atacou o spread dos bancos, e depois tem a questão da eletricidade, da redução das tarifas. Há coisas curiosas. Essa foi a única batalha em que ela teve apoio da Fiesp.

Embora a Fiesp defendesse uma nova rodada de licitações no setor.

Sim, mas na questão da redução das tarifas, apoiou. Isso lá fora era visto como quebra de contrato. Não era, mas foi visto como se fosse. É reflexo de interesses muito objetivos, e não subjetivos, como, por exemplo, querer destruir o PT. Nada disso, se o PT não atrapalhar minha rentabilidade, posso conviver com o PT.

A Dilma poderia ter deixado isso mais claro para a população, não?

É o que eu digo. Tanto na questão do Ahmadinejah, que ainda é da época do Lula, esse mal estar que ficou com os Estados Unidos. No caso do Ahmadinejah, eu não estou dizendo que o Lula e o Celso Amorim não deveriam ter feito, mas eu acho que eles subestimaram o que estavam fazendo: comprando uma briga grande. O que eu acho que talvez eles pudessem ter feito? Conversado mais com os amigos. Tinha interlocução com a França, a Rússia, a China. Mas na hora esses países deixaram o Brasil falando sozinho.

Da mesma forma que no caso da Dilma, em 2012, subestimou o que estava fazendo. Porque o setor financeiro não é apenas os bancos, é onde a elite coloca seu dinheiro. Além disso, há um problema estrutural no Brasil. O setor produtivo também tem dinheiro no setor financeiro. Eles pensam em investir o dinheirinho do BNDES, que tem juros baixos, mas o dinheiro deles mesmos eles aplicam no setor financeiro.

Ao mesmo tempo, como você falou, a Dilma, para comprar essa briga necessária, deveria ter articulado, montado uma base de apoio.

Isso começa a criar um clima que desperta forças políticas internas que percebem que o vento está a favor da derrubada da Dilma.

Começam a tentar atrapalhar.

É. E uma coisa que o Lula fez, porque ele é muito pé quente, e a Dilma é muito pré-fria, é que o Lula aproveitou o momento em que ele podia ser bonzinho. Quando ele diz em 2002 que ele ia respeitar contratos, é isso o que essa gente quer ouvir. Agora, o que é importante notar, e isso a imprensa anunciou na semana passada, a taxa de investimentos diretos, que é o dinheiro conhecido como de longo prazo, ainda é muito grande. (A taxa) está em US$ 105 bilhões. Quando eu cheguei ao Brasil, em 1990, era de US$ 1 bilhão. Isso tem de explicar: se um país está em tantas dificuldades, como continua atraindo essas taxas de investimento direito?  O Lula pegou um momento muito específico da história, em que pôde dar liberdade ao capital e ainda fazer política social. Já a Dilma é muito pré-fria, pegou a seca, depois vem a Lava Jato, que serve para quem quer derrubar o marco regulatório do pré-sal. A ideia é manter o governo como está e pressioná-lo para mudar a legislação do petróleo.

Isso tudo somado despertou as forças internas que querem derrubar o governo.

Não creio mais que haja muitos setores internos interessados em derrubar o governo. Para quê? Está ótimo assim. É um governo facilmente cooptável para fazer políticas impopulares. O que eles querem é evitar a volta do Lula e desestabilizar a Dilma, impedir que ela possa fazer qualquer guinada à esquerda. Mas nesta movimentação surgiram várias contradições, vários monstros, como o surgimento desse Eduardo Cunha, que é quase como um Collor para a burguesia. Outro monstro que eles criaram é o da intolerância. Isso tudo é extremamente inconveniente para quem tem interesses financeiros.

Você diria que a elite percebeu esse inconveniente e daí o recuo demonstrado pela imprensa mais recentemente?

Com certeza. É só observar editoriais do “Financial Times” e o “New York Times” mais recentes. É de interesse manter o governo. Até porque as políticas que eles querem estão sendo implementadas. Uma coisa é certa: com essa política, eles vão destruir o PT.

Quando você pensa em América Latina, você vê a crise brasileira criando obstáculos para os governos vizinhos?

Veja como são as coisas. Na Argentina, a Cristina Kirchner deu a volta por cima. O candidato dela está na frente das pesquisas.

Será porque ela foi contra o que dizia o mercado?

Não, é porque ela enfrentou a imprensa. Agora é o contrário: a eleição na Argentina vai ser boa para o Brasil. Já na Venezuela a situação é um pouco diferente. O Nicolás Maduro tem muitas dificuldades para governar. Ele não estava preparado. Mas lá também a direita não consegue se apresentar como projeto alternativo.

Uma coisa curiosa na crise brasileira é que ela é operada também a partir da máquina do Estado. São agentes públicos cooperando para a crise.

Sim, mas isso não tem nada a ver com a questão internacional. O Estado brasileiro é muito conservador e é estruturado para não fazer políticas em prol da população. Ele faz tudo para a coisa não funcionar.  Se você for a algum evento e perguntar para um professor da Unicamp, por exemplo, o que tem de ser feito, ele vai dizer que é preciso grandes investimentos em infraestrutura. Mas espera aí. Isso não foi tentado com o PAC? Por que está tudo atrasado? A população pensa que isso tem a ver com corrupção. Nada disso. A corrupção se aproveita disso. Há problemas estruturais muito fortes. A refinaria lá em Abreu e Lima (PE), há problemas seríssimos de planejamento, de engenharia. Qual foi a última vez que o Brasil havia construído uma refinaria? Nos anos 1970. Um país que fica mais de 30 anos sem investir nisso, perde sua capacidade. E aí há também o casamento perverso de uma coisa positiva, que é a democracia, a transparência, com o neoliberalismo, onde o Estado não investe. Isso cria a ideia de que tudo que vem do governo é suspeito. Então você tem um país onde há mais engenheiros no TCU (Tribunal de Contas da União) do que no Ministério do Transporte. Ou seja, o Estado que funciona é o Estado que controla. E tem um fetichismo: na dúvida, para a obra. Um juiz ou promotor que para uma obra é visto como herói.

Pochmann: “É preciso resistir para inverter o jogo da política elitista”

“Estamos vivendo um momento complexo, mas que a classe trabalhadora precisa se reposicionar. Temos tido dificuldade para compreender exatamente o que estamos vivendo e de um lado isso tem a ver com a herança do neoliberalismo, que nos coloca pensar pequeno e a curto prazo”. A avaliação é do economista Marcio Pochmann, professor livre docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nesta terça (25), durante a abertura do 14º CECUT, em Águas de Lindóia, interior paulista.

Para ele, esta herança faz com que as pessoas tenham medo, sejam mais conservadoras, características que, segundo o professor, afastam os indivíduos do processo civilizatório que está em curso, levando em consideração a perspectiva de luta da classe trabalhadora.

No cenário internacional ele avaliou que o Brasil não reuni as condições para compor o centro do capitalismo que é ter moeda de curso internacional, capacidade de difusão tecnológica e forças armadas. “Nós nunca tivemos estas características, não somos um país do centro dinâmico. Os países que não são do centro dinâmico conseguem se reposicionar no mundo, em determinados momentos, apenas quando este centro está em crise. Fizemos isso na década de 1980, momento em que combinamos uma reforma política, laboral, do regime de governo e tínhamos um projeto econômico, que naquela época era o café”, disse.

As conquistas, contudo, não ocorreram de forma gratuita, avaliou, ao citar os interesses das elites de cada período. Mas cobrou atenção dos dirigentes no Congresso, ao dizer que o país se encontra numa das mais graves crises do capitalismo dos últimos 80 anos.  “Precisamos ter clareza do protagonismo que devemos ter neste momento. Muita inteligência, paixão e sonho para não abandonar isso, já que a crise é gravíssima. Os EUA não tem alternativa para a sociedade que estamos vivendo hoje, sendo ele o centro dinâmico do capitalismo”, pontuou.

País de milhões

Sobre o Brasil, Pochmann citou como exemplo os 40 milhões de pessoas que saíram da miséria, mas que não compreendem que isso se deve a uma política dos últimos governos petistas. “Eles não entendem exatamente porque ascenderam, ou seja, trouxeram os valores do século XIX. Fracassamos na tentativa de construir uma maioria política”.

Nesse sentido, o economista orienta inverter a correlação de forças, própria da democracia. “Temos que ter um projeto viável, capaz de reconstruir a nossa maioria. Temos que construir uma perspectiva contemporânea dos nossos desafios. Se nós não cumprirmos a nossa tarefa, ninguém fará. O dirigente não é aquele que ocupa a cadeira do diretor, mas aquele que conduz”, provocou a plenária durante o congresso.

Ao se referir às falas dos movimentos sociais que os antecedeu, ele reforçou as mudanças estruturais no sistema político como perspectiva para este momento no Brasil. “Há uma certa dispersão de ações e sequestros de agendas em um momento complexo em que estamos vivendo. Eu não tenho dúvida que a questão política é a principal, já que estamos diante de um sistema político que termina desviando a representação. Que apresenta a sub-representação de jovens, negros, indígenas e trabalhadores. Isso resulta do poder econômico e do dinheiro que se expressa cada vez mais na forma eleitoral”.  

Para Pochmann, a única coisa que impede a classe trabalhadora de avançar é o que o neoliberalismo impõe diariamente. “O medo de ousar, de fazer diferente, de deixar de ser governado pelos que já morreram. Estamos diante de uma nova sociedade e é preciso dirigir o automóvel olhando pra frente e não pelo retrovisor”, finalizou. 

14º CECUT-SP: Resposta ao conservadorismo virá da unidade das bases

A CUT São Paulo abriu nesta terça (25) seu 14º Congresso Estadual (CECUT), reunindo quase 900 delegados e delegadas de todo o estado paulista em Águas de Lindoia.

A mística de abertura foi marcada por intervenções artísticas, com cutistas representando as várias categorias que formam a classe trabalhadora brasileira ao som de Suíte do Pescador, de Dorival Caymmi, cantada em coro por todos os participantes. A unidade das bases foi o mote comum às falas que deram início ao evento.

“Estamos aqui por confiança de nossas bases e teremos muitos debates e decisões até o final desta semana. Viemos para discutir a conjuntura nacional e estadual e quais as políticas públicas que queremos para o estado de São Paulo, seja para falar sobre a indústria ou a questão da cultura, entre tantos outros temas. Está em nossas mãos a decisão de mudar os rumos da Central”, destacou Adi dos Santos Lima, presidente da CUT/SP que se despede do cargo nesse Congresso.

Presidente nacional da CUT, Vagner Freitas disse que é importante que a base saiba que o CECUT é para resolver problemas da classe trabalhadora, mas como o trabalhador não é só trabalhador, é fundamental a discussão de políticas públicas para melhorar a qualidade de vida em São Paulo, com propostas para a educação, moradia e mobilidade urbana.

“O estado paulista está amortecido e assassinado pelos tucanos, com perda de divisas, de concorrência, de emprego. Temos que discutir e transformar cada sindicato numa trincheira para derrotar o governo estadual do PSDB e fazer com que cada subsede cutista seja polo aglutinator para eleger um candidato progressista e que dê melhores condições à população”, afirmou.

Ao criticar o ‘terceiro turno’ e seus efeitos na economia, Freitas defendeu novamente o respeito ao resultado das urnas. “Terceiro turno é crise induzida que provoca crise econômica e prejudica os trabalhadores e também o empresariado. As empresas perdem a oportunidade de se fortalecer e, assim, não geram emprego. É um mandato legítimo e a presidenta Dilma Rousseff continuará no cargo porque essa é a vontade da população”, frisou.

Na avaliação do ex-presidente da CUT/SP, José Lopes Feijóo, assessor da Secretaria-Geral da Presidência da República, o momento é de um ataque corrosivo como nunca se viu no país desde a redemocratização. “A direita saiu do armário e resolveu nos atacar pra valer e de todas as formas, pelo poder nos meios de comunicação e no aparelho de Estado. Não tenham ilusão. Estamos vivendo um momento cruel e brutal da luta de classes”.

Em contrapartida, Feijóo ressaltou a felicidade de reencontrar pessoas que conheceu há 37 anos e que continuam no embate por um país melhor, e ainda mais feliz por ver muitos que não conhece, “o que garante uma leva de novos militantes para que a luta seja contínua e que não cessará enquanto não tivermos conquistado nossas bandeiras de luta social”, pontuou.

Enfrentamento nacional e estadual – Representantes dos movimento sociais, estudantil e gestores públicos presentes na mesa de abertura também ressaltaram o papel da Central especialmente no último período, tanto na luta por direitos quanto na defesa da democracia, além dos embates da CUT/SP contra o desmonte do estado pelo governo estadual paulista do PSDB.

A representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Liciane Andrioli, aplaudiu a todos que foram às ruas neste ano e fez referência ao último dia 20 de agosto. “Vamos defender os direitos dos trabalhadores, sem nenhuma retirada de direitos, bem como vamos continuar defendendo a Petrobras como estatal porque não permitiremos que ela seja entregue às empresas transnacionais. E o caminho nesta conjuntura é a reforma do sistema político”.

Secretária de Políticas para Mulheres da prefeitura paulistana, Denise Motta Dau destacou o enfrentamento cutista à gestão do PSDB, um governo que há 18 anos não dialoga, não negocia e nem pensa uma proposta de desenvolvimento social e econômico.

“A CUT têm a missão de fortalecer um fórum de oposição ao governo estadual e de construir a eleição de um governo democrático popular para transformar o estado paulista. O estado de São Paulo está há 20, 30 anos luz aquém do desenvolvimento ocorrido em nosso país”, disse Denise.

Nesse caminho, Gabriel Sollero, da Consulta Popular, alertou para a importância da unidade e da construção coletiva em todo o estado paulista. “Em cada local de trabalho e de construção de luta, cada companheiro e companheira encontrará dificuldades no estado de São Paulo. Mas temos condições de mudar este cenário. Mas para isso devemos colocar como tarefa todo o nosso esforço para construir o Fórum dos Movimentos Sociais de São Paulo, organizando o todo da classe trabalhadora em cada região, em cada cidade”, propôs.

Lançado no último 13 de maio, o Fórum dos Movimentos Sociais articula mais de 50 entidades e nasceu como alternativa ao conservadorismo que há quase duas décadas impera em São Paulo.

Segundo Raimundo Bonfim, coordenador da Central dos Movimentos Populares (CMP) de São Paulo, apesar da prioridade à atuação estadual do Fórum, “com esse tsunami da conjuntura nacional, no qual temos que matar um leão a cada dia, apostamos no Fórum como o espaço mais representativo, combativo e legítimo da classe trabalhadora em São Paulo”, concluiu.