Sacolas plásticas continuarão no mercado

Na última quinta-feira (13) a Prefeitura de São Paulo anunciou a criação de uma sacolinha plástica padrão para ser usada em todos os supermercados da cidade. Eles ficarão proibidos de usar outro tipo de sacola plástica. 

Os supermercados terão 60 dias para se adequar e a ideia é que a sacola seja utilizada para a coleta de lixo reciclável (seco). O objetivo da prefeitura é criar, de fato, uma política de sustentabilidade na cidade. A proposta exige ainda que os supermercados se comprometam a fazer ações de educação ambiental para conscientizar o consumidor a usar a sacola padronizada.

Com as sacolas padronizadas, que continuarão a ser produzidas pela indústria química, a coleta seletiva da Prefeitura consegue identificar o lixo seco pela sacola plástica.   

 

Para quem não se lembra a luta pelo fim das sacolas plásticas foi instituída em 2011 pela Apas (Associação Paulista de Supermercados), embasada no falso marketing da sustentabilidade. O projeto gerou muita polêmica e foi contestado inclusive por associações de consumidores e ambientalistas, deixando claro que o objetivo dos varejistas era apenas cortar o custo das embalagens.

Longa batalha jurídica

No início do mês de novembro o Tribunal de Justiça de São Paulo publicou o acórdão que declara a constitucionalidade da lei 15.374/11, que proíbe a distribuição de sacolas plásticas aos consumidores no comércio de São Paulo. Imediatamente, alguns supermercados já anunciaram que retirariam as sacolas do mercado.   No entanto, a prática continua em vigor na cidade de São Paulo porque há pendências administrativas e judiciais a serem resolvidas.

O Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens (Abief) esclareceram que não há proibição de sacolas plásticas no município de São Paulo e que já entraram com o recurso de efeito suspensivo.

Apesar de ter sido aprovada em 2011 e ter sido agora declarada constitucional, a lei ainda depende de regulamentação pela Prefeitura de São Paulo. Sem regras complementares emitidas pelo administrativo municipal, não há como orientar a fiscalização. Na prática, a lei não tem como ser aplicada e o projeto da Prefeitura surge, finalmente, como uma opção sustentável que deve colocar fim ao embate entre varejo e consumidores.     

20 mil vão às ruas apoiar reformas sociais e políticas

Mais de 20 mil pessoas fecharam a Avenida Paulista ontem (13) para a Marcha da Reforma Política.

Segundo Vagner Freitas, presidente da CUT, a manifestação demonstra que Dilma tem apoio popular em suas propostas de reformas e que as pessoas estão dispostas à sair às ruas para pressionar para que elas aconteçam. “Esse é um governo em disputa. A presidenta é progressista por essência, mas sofrerá fortes pressões de um Congresso Nacional bastante conservador, inclusive, na base aliada, do Mercado e de parcela da mídia que é panfleto político. O que estamos fazendo aqui é mostrar a ela que tem o apoio dos movimentos sociais e das ruas para fazer um governo para o povo e para os trabalhadores”, destacou Freitas

O ato também é uma resposta à manifestação de setores da direita pelo impeachment da presidenta e pela intervenção militar no País. 

MP e ANA criticam governo de SP

Apesar da ausência de representantes do governo de São Paulo, a Câmara dos Deputados recebeu o presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Guillo, e a representante do Ministério Público, a procuradora Sandra Shimad, para discutir a crise de abastecimento que tem atingido os municípios paulistas ao longo de 2014.

Na visão de ambos, é duvidosa a veracidade da atual capacidade de armazenamento dos reservatórios divulgada pelo governo, que não é transparente na apresentação de dados.“Não é possível fazer administração do volume morto como se não fosse para uso em emergência, isso é uma projeção de futuro que se adapta às medidas que estão sendo tomadas no curto prazo”, observou Guillo, criticando o otimismo usado pela administração paulista para mascarar a realidade da situação, assim como as soluções propostas. “Dizer que uma obra resolve é tirar o foco do problema, porque as obras começam agora, mas precisam de dois ou mais anos para entrar em funcionamento. Uma obra que está programada e pode ficar pronta em nove meses em São Paulo está ligando um rio que está seco a outro que também está seco, ou seja, você depende de chuvas”, afirmou, deixando claro que, a curto prazo, somente a adoção de ações como racionamento, combinada a possíveis chuvas, podem atenuar as dificuldades da população.

ANS suspende comercialização de plano de saúde de 16 operadoras

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou hoje (13) a suspensão de 65 planos de saúde de 16 operadoras. De acordo com o órgão, a medida foi tomada em razão de desrespeito aos prazos máximos de atendimento e por negativas indevidas de cobertura. A estimativa do governo é que a decisão beneficie 586 mil consumidores que já contrataram esses planos e devem ter seus problemas assistenciais sanados. As informações são da Agência Brasil. 

Das 16 operadoras com planos suspensos, 14 já tinham planos em suspensão no ciclo de monitoramento anterior. Duas operadoras não constavam da última lista de suspensões – dessas, uma tem plano suspenso pela primeira vez. A medida é preventiva e perdura até a divulgação do 12º ciclo de monitoramento.

O ciclo de monitoramento mais recente registrou 12.031 reclamações. O número de queixas consideradas procedentes (que tiveram a infração constatada) teve queda de 40% em relação ao ciclo anterior. Para a ANS, isso sinaliza que o monitoramento induziu as operadoras a um maior esforço para o atendimento oportuno e adequado dos beneficiários. A maior redução foi constatada nas operadoras de grande porte (acima de 100 mil consumidores), que apresentaram queda de cerca de 60% no número de reclamações procedentes nos dois últimos ciclos.

Jovens da classe C são os que mais usam centros gratuitos de internet

Uma pesquisa do uso de Tecnologias de Informação e Comunicação no Brasil, órgão do Ministério das Comunicações, divulgada pelo Centro Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br), mostra que os Jovens de 16 a 24 anos, da classe C, e com ensino médio completo, são os principais usuários dos centros gratuitos de acesso à internet do país.

O levantamento com base nos dados de 2013, mostra que a maioria, 62% dos usuários, têm entre 16 e 24 anos. A segunda faixa de 25 a 34 anos, somam 14% dos usuários, seguida pela de 35 a 44 anos, 11% do total. As pessoas da classe C são as que mais se utilizam dos centros: 61% do total, seguidas pelas classes B (20%),  D (18%), E (2%), e classe A (0%).

Os usuários que utilizam centros gratuitos disseram que o fazem por não ter internet em casa (71%), não ter computador (59%), possibilidade de receber ajuda de monitores (57%), conexão melhor da internet (53%), fazer cursos oferecidos pelo centro (51%).

Participaram do levantamento 5.140 centros, nos três meses de coleta de dados – de novembro de 2012 a janeiro de 2013.

Circular para aplicação de reajuste do setor químico e plástico 2014

Vimos através da presente, informar que a Convenção Coletiva de Trabalho da nossa categoria profissional, para o período de 2014/2015, foi firmada com os Sindicatos Patronais no dia 21 de outubro de 2014. Abaixo segue resumo das principais cláusulas modificadas que terão vigência até 31 de outubro de 2015.

AUMENTO Salarial (Cláusula 04): Sobre os salários de 01/11/13, será aplicado, em 01/11/2014, o aumento salarial da seguinte forma: a) Para os salários nominais até R$ 7.929,13 (sete mil, novecentos e vinte e nove reais e treze centavos), o percentual único e negociado de 7,51% (sete vírgula cinquenta e um por cento), correspondente ao período de 01/11/13, inclusive, a 31/10/14, inclusive; b) Para os salários nominais superiores a R$ 7.929,13 (sete mil, novecentos e vinte e nove reais e treze centavos), o valor fixo de R$ 595,48 (quinhentos e noventa e cinco reais e quarenta e oito centavos).

Salário Normativo – piso (Cláusula 03): O salário normativo será de R$ 1.227,60 (um mil, duzentos e vinte e sete reais e sessenta centavos), por mês, para empresas com até 49 empregados e de R$ 1.258,40 (um mil, duzentos e cinquenta e oito reais e quarenta centavos), para empresas com 50 empregados ou mais, considerando-se neste último caso o número de empregados existentes nas empresas a partir de 01/10/2014.

Participação nos Lucros e Resultados – PLR (Cláusula 05): corresponderá ao valor de R$ 930,00 (novecentos e trinta reais) para empresas com até 49 empregados e R$ 1.030,00 (um mil e trinta reais) para empresas com 50 empregados ou mais, considerando-se neste último caso o número de empregados existentes nas empresas a partir de 01/10/2014, a ser pago em 02 parcelas iguais à metade deste valor cada uma, sendo a primeira até 31/01/2015 e a segunda 06 meses após ou, alternativamente, a critério das empresas, numa única parcela, até 30/03/2015;

FONTE DE CUSTEIO DA NEGOCIAÇãO COLETIVA (Cláusula 76): Não será descontado nenhum valor em folha de pagamento a título de Fonte de Custeio de Negociação Coletiva dos trabalhadores beneficiados por esta Convenção Coletiva.

 

Sendo o que tínhamos a informar,

Atenciosamente,

Osvaldo da Silva Bezerra

Trabalhadores da Sabesp denunciam corte de água noturno

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo (Sintaema), Rene Vicente dos Santos, declarou ontem (12), na Câmara Municipal, que a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) tem realizado cortes no fornecimento de água em várias regiões da cidade todas as noites – desmentindo a redução de pressão noturna que a empresa tem alegado. “Não é redução de pressão. Os trabalhadores são mandados para ‘manobrar’ o sistema, ou seja, fechar a água em determinadas regiões, mas têm medo de falar e ser demitidos”, afirmou Santos.

Ainda de acordo com o dirigente, a política de cortes do abastecimento foi iniciada logo após a determinação do desconto de 30% no valor da conta para residências que economizarem água, e a postura da Sabesp tem gerado hostilidade da população contra os trabalhadores da companhia. “A situação está fora de controle e os trabalhadores não têm culpa. Cabe à companhia vir a público e admitir a prática de racionamento noturno. Aliás, devia era apresentar um plano de contingência, porque não tem saída”, enfatizou. Presidente da CPI que analisa a prestação de serviços da Sabesp no município, o vereador Laércio Benko (PHS) informou que irá propor uma audiência com o sindicato para apurar a denúncia. “É uma denúncia gravíssima. Mais uma vez estamos diante de um desmentido sobre as atitudes da Sabesp”, disse.

Rede Bayer lança revista comemorativa

A rede de solidariedade dos trabalhadores da Bayer do Brasil está comemorando dez anos e para marcar a data lançou uma revista especial comemorativa que resgata um pouco dessa importante história de organização.

O evento de lançamento aconteceu no último dia 5 de novembro, na sede do Sinproquim (Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos). 

 

Encontro Regional debate redes sindicais e ações globais dos trabalhadores

Terceirização, saúde e segurança do trabalhador e trabalho à distância são alguns dos temas que precisam ganhar maior espaço no diálogo social

 
“A rede é um instrumento para aumentar a mobilização dos trabalhadores no mundo. Na minha opinião, o futuro do sindicalismo brasileiro será o fortalecimento das redes nos setores”, afirmou o secretário geral adjunto do IndustriALL, Kemal Ozkan, na primeira mesa de debates do Encontro Regional de Redes Químicas, realizado nos dias 6 e 7 de novembro, em São Paulo. 
 
A atividade reuniu trabalhadores e trabalhadoras nas empresas Saint Gobain, Bayer, Lanxess, Owens Illinois e Sanofi-Aventis para debater estratégias e os desafios colocados para o movimento sindical diante do crescente poder econômico e político das empresas transnacionais. A presidenta Lucineide Varjão (foto ao lado) compôs a mesa de abertura do Encontro, saudando os presentes em nome da CNQ.
 
Junto a Kemal no debate sobre a ação sindical global dos trabalhadores químicos estava o secretário de relações internacionais da CNQ-CUT, Fabio Lins; o representante do sindicato dos químicos da Alemanha (IG BCE), Oliver Zühlke; o representante da Fequimfar,  Edson Bicalho; e o secretário regional do IndustriALL, Jorge Almeida. A mesa foi mediada por Tina Hennecken, diretora da Fundação Friedrich Ebert (FES).
 
Estratégia do IndustriALL
 
Diante da fragilidade do movimento sindical em alguns países da América Latina e principalmente do Caribe, o IndustriALL vem incentivando, além das redes sindicais, redes de informação dos setores. Minérios e Siderurgia já estabeleceram essas redes, facilitando a troca de informações entre trabalhadores de empresas de diferentes países. “A organização em rede é fundamental para brindar a solidariedade entre os trabalhadores e as novas tecnologias têm facilitado esse tipo de organização”, pontuou Almeida.
 
Em âmbito mundial, Kemal explica que o IndustriALL representa 14 setores econômicos e o objetivo do sindicato global é criar redes nas empresas que são líderes de cada setor, como, por exemplo, Novartis no Setor Farmacêutico; BASF, AkzoNobel e Solvay no Setor Químico; e Owens Illinois, no Setor Vidro.
 
“Na maior parte do mundo temos sindicatos muito pulverizados e precisamos da unidade dos trabalhadores, portanto a rede pode aportar todos os sindicatos que representam os trabalhadores de uma mesma empresa. É um importante instrumento de unidade”, afirmou.
 
Novos temas para o Diálogo Social
 
O secretário de relações internacionais da CNQ, Fabio Lins, apontou temas novos que deveriam começar a ser contemplados no Diálogo Social, como Saúde e Segurança, terceirização, trabalho à distância e participação dos trabalhadores na gestão da empresa.
 
“Há muitos trabalhadores se acidentando dentro das fábricas, precisamos discutir isso. A Terceirização é outro tema a ser colocado na mesa, seguindo o exemplo da Rede Bayer que obteve o avanço dos terceiros serem contemplados na mesma Convenção Coletiva dos efetivos. Um outro novo tema a ser discutido é o trabalho à distância, o movimento sindical não está monitorando esse trabalhador, que pode estar adoecendo dentro de casa e colocando filho para trabalhar”, destacou o secretário da CNQ.
 
Sobre a gestão da empresa, Fabio cita a necessidade de participação dos trabalhadores nos conselhos de administrações das cooperativas de crédito, a exemplo da Bayer, e das associaçoes desportivas. “Todas eles envolvem recursos dos trabalhadores, que não são consultados sobre a gestão. Essa participação nos conselhos possibilita ainda a discussão da rotatividade e outros temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores”, completou.
 
 
Plano de Ação
 
O segundo dia do encontro foi destinado à apresentação da conjuntura econômica das empresas químicas pelo economista Thomaz Jensen, do DIEESE. Em seguida, cada rede discutiu um plano de ações para o próximo ano, concluindo a atividade.
 
O encontro foi promovido pela Fundação Friedrich Ebert, pelo sindicato global IndustriALL e pelo Solidarity Center, com o apoio da CNQ-CUT, da Fetquim (CUT), da Força Química (Força Sindical) e Fequimifar (Força Sindical).

Golpe e retrocesso no Fator Acidentário de Prevenção

Confira a nota redigida pela Comissão de Saúde do Trabalhador (COMSAT) do Sindicato dos Químicos do ABC a respeito do risco de retrocesso no Fator Acidentário de Prevenção (FAP)

A Previdência Social quer dar um golpe e impor o retrocesso no Fator Acidentário de Prevenção (FAP). Na última reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) em 30/10/14,  a área técnica  apresentou uma proposta, dando somente ouvidos  ao Lobby patronal,  pondo por terra o acordo feito no CNPS durante o governo Lula em 2009 com as Centrais Sindicais. Essas propostas representam um retrocesso e golpe nas resoluções 1308, 1309 e 1316 do CNPS ratificadas pelo Decreto Presidencial 6.957/2009. Pior, nem passado o processo eleitoral, a toque de caixa, quer aprovar essas propostas “goela” abaixo neste mês de novembro. Essas propostas foram  apresentadas  sem se seja definido o futuro de quem vai estar na Previdência. Sabemos que internamente a própria previdência tem tempo até junho de 2015 se quiser fazer alguma mudança técnica do FAP para 2016, dialogando com os atores sociais.

Vejamos o que a burocracia estatal da previdência pretende retroceder e   modificar no atual FAP:

1 – Cálculo do FAP por estabelecimento: Aqui  o lobby patronal é forte para estabelecer uma das descaracterizações do FAP.  A Lei Previdenciária (8212/90) é clara em seu artigo 22: deve ser cobrado o Seguro Acidente (RAT), nas faixas de 1% a 3% das empresas (aqui significa um CNPJ raiz nacional) em sua atividade preponderante. A pressão judicial patronal conseguiu a Súmula 351 no STJ, e a Receita Federal com sua última instrução normativa  descumpre a lei federal flexibilizando esse pagamento por estabelecimento em vez de ser de toda a Empresa a nível nacional. O que isso significa: Uma empresa que paga em nível nacional um FAP único, pagará por cada um dos seus estabelecimentos, ou seja, se for uma empresa com 100 estabelecimentos ou filiais, o FAP poderá ter pouco impacto de cada estabelecimento e não a soma de todos os acidentes daquela empresa, pior é o caso dos bancos, o FAP que seria cobrado uniformemente em nível nacional e sendo cobrado em cada agência bancária, o FAP se pulveriza, com prejuízo aos trabalhadores e à Previdência. No resultado geral haverá descontos enormes para as grandes empresas e o déficit da conta acidentária/aposentadorias especiais da Previdência crescerá.  Em 2012, segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social (AEPS), a contribuição do RAT/FAP para a Previdência foi de 14,5 bilhões, contra uma despesa de acidentária e das aposentadorias especiais de 16,6 bilhões. Já houve uma desoneração para o patronato brutal na previdência, quando vários setores empresariais tiveram o desconto sobre o faturamento em vez da folha salarial. Essa desoneração está custando mais de 40 bilhões aos cofres públicos (povo em geral).

2 – Exclusão dos acidentados com menos de 15 dias: A frequência da acidentalidade é medida com todos os acidentes que ocorrem numa determinada empresa que por força da Lei Previdenciária deverá comunicar esse acidente em 24 horas à Previdência Social, sob pena de multa (Arts. 19 a 22 da Lei 8213/91). A frequência acidentária é uma estatística consagrada de todos os acidentes, tanto aqui no Brasil como nos diversos países do mundo pelos órgãos previdenciários.  Excluir essa acidentalidade é reduzir e  matar o FAP onde ocorrem  58% de todos os acidentes no Brasil, ou seja 423 mil,  que ocorrem nas empresas com menos de 15 dias (AEPS, 2012).   É desconsiderar esse enorme volume de acidentes e não fazer avançar o trabalho de prevenção nas empresas. Recordamos que o FAP, é Fator Acidentário de Prevenção, e toda essa acidentalidade registrada  demonstra a ocorrência de fato  dos riscos ambientais do trabalho existentes nas empresas (Art. 10º da Lei 10.666/2003). E mais,  é não considerar o trabalho desenvolvido pelos  Sindicados e CERESTs pelo país afora  que trabalham contra a subnotificação acidentária. Não registrar esses acidentes no FAP é um tremendo desestímulo à prevenção acidentária.

Acidentalidade no Brasil em 2012 ( acidentes liquidados)

N° de acidentes com menos de 15 dias

Acidentalidade total

 423.720 ( 58,5% dos acidentes totais)

 724.169

Fonte: Anuário Estatístico de Acidentes do Trabalho – MPS – 2012.

Muitas grandes empresas apresentam milhares de acidentes com menos de 15 dias, e não continuarão no esforço de eliminar esses acidentes e mitigar os riscos ambientais, pois não sentirão na cobrança de um  FAP maior o estímulo para combater firmemente toda e qualquer acidentalidade. Essa exclusão é um ataque frontal  ao FAP, pois mais da metade dos acidentes estarão fora da contabilização do FAP, com benefícios enormes às empresas sem qualquer contrapartida!!!!! Seria um absurdo ter essa exclusão!!!! É aumentar ainda mais a subnotificação!

3. Exclusão dos acidentes de trajeto. Desde os primórdios das lutas operárias, o acidente de trajeto que ocorre entre o deslocamento do trabalhador de sua casa até o trabalho e vice-versa está garantido na proteção previdenciária acidentária especial nas leis do Brasil e da maioria dos países no mundo.  É verdade que o patronato não detém o controle do ambiente externo à fábrica/local de trabalho. Recorde-se, porém, que grande parte das empresas, por incentivos ou outras oportunidades/vantagens, deslocam-se para locais distantes dos grandes centros urbanos de difícil acesso ao trabalhador.  Não oferecendo inclusive condução, ônibus para tornar mais fácil esse deslocamento. Com a difícil mobilidade urbana, muitos trabalhadores buscam transporte alternativo como moto, ou devem pegar vários ônibus/lotações, ficando sujeitos aos constantes e enormes riscos destas dificuldades impostas pelas empresas na mobilidade a partir de locais de trabalho longe de suas residências. Setores/fábricas/ serviços que buscam oferecer transporte fretado alternativo mostram estatísticas onde essa acidentalidade é reduzida.

4. Exclusão do bloqueio de bonificação em caso de morte ou de invalidez.  Um dos objetivos do FAP atual foi atacar com mais firmeza a morte e a invalidez, conforme acordado na época entre as bancadas dos trabalhadores e empregadores pelas centrais sindicais. Pode ocorrer que num determinado setor econômico entre várias empresas esse acontecimento é recorrente, e é importante que haja esse bloqueio da bonificação porque o objetivo é evitar todo e qualquer tipo de  morte ou invalidez. No mínimo tenhamos um FAP neutro, em vez de bonificar a invalidez ou morte com prêmio. A trava poderá não ser aplicada  quando é verificado, com o acompanhamento do Sindicato que a empresa não foi relapsa, e tem feito um trabalho de investimento em Saúde e Segurança do Tabalho e processo de formação contínua ( É o que a atual norma do FAP determina).

5. Exclusão do bloqueio de bonificação  em caso de taxa média de rotatividade maior que 75%. A excessiva rotatividade como gestão em diversos setores econômicos não é benéfica para a Previdência Social, pois cerca de 30% dos pedidos de benefícios tanto previdenciários e acidentários é solicitado por segurados desempregados…. ou seja, por aqueles que são demitidos no dia a dia nas empresas, e fruto dessa elevada rotatividade. Esses segurados, quando tem direito ao benefício devem ser amparados pela Previdência Social. Quantos não são demitidos com sequelas de origem acidentária, ou de doenças profissionais? Portanto esse bloqueio da bonificação evita premiar aqueles que demitem de forma excessiva, com prejuízo futuro à Previdência Social quando esses demitidos a procuram para a busca de um benefício compensatório pagos por todos os segurados.  Essa trava continua sendo razoável, pois a rotatividade no Brasil do conjunto das empresas estava  em   43,10%, em 2012,  segundo o  Dieese, TEM ( Valor Econômico 25 a 27 de outubro de 2014, pág. A22).