Vagão rosa deve ser vetado

A Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos espera que o governador Geraldo Alckmin vete o Projeto de Lei 175/2013, aprovado pela Assembleia Legislativa de São Paulo.


Segundo informações da Associação, 7 milhões de pessoas circulam diariamente nos trens e metrôs paulistas. Desse total, mais de 50% (4 milhões) são mulheres. Portanto, não seria possível garantir a fluidez do transporte a essas usuárias, pois tecnicamente, o embarque das mulheres em um único vagão, principalmente nos horário de pico, seria totalmente inviável.


A medida já se mostrou ineficiente em outras cidades onde foi adotada. Na maioria dos casos, os homens acabam utilizando o vagão pela necessidade de mobilidade rápida, uma vez que o projeto não prevê nenhuma punição nesses casos.


Para o sindicato dos metroviários a iniciativa não protege a mulher e promove a segregação. A CUT também tem a mesma posição e está agendando um ato nesta quarta-feira, dia 16, a partir das 17 h, na Praça da República, contra a adoção do “vagão rosa”. 

Idec recebe 178 reclamações de falta de água em 15 dias

Durante os primeiros 15 dias da campanha “Tô sem água”, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) recebeu 178 reclamações de falta de água na Grande São Paulo – uma média de 11,8 por dia. A entidade afirma que, embora a Sabesp negue que áreas não estejam sendo abastecidas, o racionamento já é efetivo em alguns locais.

Segundo um balanço parcial da campanha, a falta de água ocorre diariamente em 76% dos casos relatados; em 14% dos casos, o racionamento é realizado mais de uma vez por semana; em 4%, mais de uma vez por dia; em 2%, uma vez por mês; e em 1%, mais de uma vez por mês. Sobre as regiões mais afetadadas, a zona oeste da capital concentra 30% das reclamações, seguida pelas zonas norte (26%), leste (18%), sul (17%) e cidades da Grande São Paulo (8%).

Mais informações sobre a campanha podem ser encontradas em http://www.idec.org.br/especial/to-sem-agua

Dados confirmam o sucesso econômico da Copa

Do ponto de vista econômico e de negócios, a Copa do Mundo no Brasil foi um sucesso, segundo pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), encomendada pelo Ministério do Turismo – de acordo com dados do levantamento, o evento deve somar cerca de R$ 30 bilhões à economia brasileira. Os cálculos do estudo também indicam a produção de 1 milhão de empregos no país, 15% dos 4,8 milhões de empregos formais criados durante o governo Dilma Rousseff, sendo 710 mil vagas fixas e 200 mil temporárias, todas com carteira assinada.

Além desses números, a Apex-Brasil confia na geração de R$ 6 bilhões de dólares em exportações em 12 meses; já o Sebrae apontou que 43.910 micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais devem faturar mais de R$ 500 milhões adicionais em decorrência do evento. Outro relatório de turismo, produzido pela Visa, revela que as compras em algumas cidades-sede aumentaram muito mais de 100% nos gastos de turistas, em comparação com o ano passado – 851% em Natal; 963% em Cuiabá; 167% em Curitiba; e 409% em Manaus. Em São Paulo, segundo a São Paulo Turismo (SPTuris), a Copa atraiu 495.859 turistas, gerando uma movimentação financeira de R$ 1 bilhão na cidade. Sobre o futuro do turismo no país, o ministro do Turismo, Vinícius Lages, afirmou que a expectativa é de “ampliar em 20% o número de visitantes estrangeiros com o resultado dessa superexposição”.

Presidente da CUT defende sindicatos livres e reforma política

Na última sexta-feira (11), o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, participou do seminário “Direito Sindical e Democracia – II”, em Curitiba. Ao longo de seu pronunciamento, o dirigente defendeu a realização das reformas sindical e política, assim como o fim do imposto sindical, enfatizando a importância de “Liberdade e autonomia sindical, ratificação da convenção 87 da OIT, um sindicalismo autêntico construído a partir da organização do local de trabalho e por vontade do trabalhador”.

Sobre a reforma política, Freitas reforçou o convite para que todos participem do Plebiscito Popular pela Reforma Política – organizado por movimentos sociais –, que busca defender uma maior representatividade da sociedade no poder político brasileiro. “Não é verdade que o parlamento represente a sociedade brasileira, porque só é eleito quem tem condição financeira. Você pode não ter nenhuma capacidade ou viés de interesse social e público, mas se tiver R$ 5 milhões você se elege deputado federal. Tanto faz o seu interesse, inclusive se for pessoal ou carreirista e sem nada a ver com o interesse da sociedade. Há uma quantidade ínfima de mulheres. Negros e negras não existem, índios e índias não existem. Existe apenas uma casta, branca, que regula as relações sociais”, afirmou o presidente da Central.

Cantareira se aproxima do colapso

O volume útil do Sistema Cantareira deve chegar a zero antes do final da Copa do Mundo. A constatação é de um estudo do Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).

O Cantareira abastece grande parte da região metropolitana de São Paulo,  inclusive a capital, além das regiões de Campinas e Piracicaba, e, com o volume zerado, se não chover, essas cidades passarão a ser abastecidas apenas com o volume morto, que não deve suportar mais que 100 dias de abastecimento.

De acordo com o pesquisador da Unicamp e consultor do consórcio, Antônio Carlos Zuffo, dos quatro reservatórios que compõem o sistema, dois (o Jaguari e o Jacareí) já estão captando o volume morto, que é lançado nos outros dois reservatórios (Cachoeira e Atibainha) para mantê-los com volume positivo. “Mas, em no máximo 10 dias, os reservatórios que ainda não recorreram ao volume morto só terão esse recurso, ou seja, a água que normalmente é utilizada para o abastecimento já terá se esgotado”, adverte o pesquisador, que prevê risco de desabastecimento. Para o especialista, desde o fim do ano passado o governo do Estado deveria ter implementado um sistema de rodízio ou racionamento para evitar o esgotamento do recurso.

O verão mais quente e seco foi a explicação encontrada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para justificar a crise da água. Mas a verdade é que há 11 anos o governo vem sendo alertado sobre a necessidade de obras no Sistema Cantareira. De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água e professor de Engenharia Civil e Ambiental da Escola Politécnica (Poli) da USP, Benedito Braga, o problema é muito antigo. “A USP trabalhou para o Comitê do Alto Tietê em um plano de recursos hídricos em 2003 e lá já se falava das obras que precisavam ser realizadas para garantir segurança hídrica na região metropolitana de São Paulo. E o que é que foi feito?” Para Braga, “a infraestrutura não acompanhou o crescimento da demanda. Não só pelo crescimento demográfico, mas também pela melhoria do padrão de vida da população, que agora usa mais água, mais energia e gera mais resíduo sólido”.

Outro estudo, realizado em dezembro de 2009 pela Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo (FUSP), confirmou a “necessidade de contar com regras operativas que evitem o colapso de abastecimento das regiões envolvidas”. Descaso, falta de investimentos em infraestrutura e as perdas do sistema, que segundo a própria Sabesp representam aproximadamente 25% de todo o volume de água que circula nos canos, são as reais causas desse desabastecimento anunciado que deve afetar a cidade de São Paulo nos próximos dias.

CUT questiona “vagão rosa”

No início de julho, a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo aprovou o Projeto de Lei 175/13, que obriga o Metrô e a CPTM a reservarem, no mínimo, um vagão por composição para uso exclusivo das mulheres, com a intenção de protegê-las contra assédio sexual – o projeto ainda precisa ser sancionado pelo governador. A medida é questionada pela CUT e movimentos feministas, que enxergam na segregação um retrocesso, além de não contribuir no combate ao machismo presente na sociedade.

“Na verdade reforça a separação e a segregação entre homens e mulheres. A CUT e  o movimento feminista são totalmente contrários ao vagão rosa. Nós defendemos um mundo onde possam conviver, em todos os ambientes, homens e mulheres”, declarou Sônia Auxiliadora, secretária da Mulher da CUT-SP. Para Rosane Silva, secretária da Mulher da CUT Nacional, “Quando uma Lei tenta separar homens e mulheres em vez de cumprir com seu papel social de superar a discriminação que sofremos na sociedade, ela culpabiliza as mulheres. Age como se nós, as mulheres, fôssemos as verdadeiras culpadas pelo assédio e pelos estupros que sofremos cotidianamente”.

Justiça anula contrato de administração de hospital da cracolândia

Uma liminar concedida na tarde de quinta-feira (10) suspendeu o contrato de administração do hospital para dependentes químicos da região cracolândia, centro da capital paulista. 

O hospital gerido pela Organização Social (OS) Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) e a Secretaria de Estado da Saúde faz parte do programa Recomeço, iniciativa do Governo do Estado de tratamento aos dependentes químicos da região. O valor do contrato soma R$ 114 milhões.

Na liminar, o Juiz alega que o Estado feriu o “princípio da impessoalidade” na administração pública, uma vez que o coordenador do programa Recomeço e também presidente do Conselho Administrativo do hospital é a mesma pessoa, o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. Para o Juiz Valentino Aparecido de Andrade, o princípio foi ferido pois a instituição particular tem em sua composição um agente público com conhecimentos privilegiados.

A ação foi movida pelo Ministério Público através de uma Ação Civil Pública. O Estado já desembolsou R$ 7 milhões com o projeto, iniciado em meados de 2014.

A Prefeitura de São Paulo iniciou, no começo do ano, o projeto De braços abertos para a reabilitação de viciados em crack na região.

Ministro do Trabalho nega movimento para suspender NR 12

Durante reunião com representantes da CUT e demais centrais, o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias, garantiu que não há qualquer compromisso de sua parte para suspender a Norma Reguladora 12, que trata de procedimentos na prevenção de acidentes de trabalho em máquinas e equipamentos industriais – números do CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) registraram mais de 172 mil acidentes com máquinas em geral, além de 358 óbitos, mais de 10 mil amputações e 26 mil fraturas, entre 2011 e 2013.

A afirmação do ministro contradiz recentes notícias divulgadas pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), que apontavam para uma posição favorável de Manoel Dias pela suspensão da NR 12. “Houve uma reação muito forte por parte dos representantes dos trabalhadores na Comissão, solicitando a suspensão dessa reunião e da próxima marcada para o dia 17 tendo em vista a atitude absolutamente incoerente da entidade patronal, o que levou o ministro a chamar os trabalhadores para conversar”, declarou Plinio Pavão, assessor da Secretaria de Saúde do Trabalhador da CUT. O dirigente também alertou para um lobby de empresários no Congresso dispostos a reduzir a eficácia da NR 12. “O próprio ministro alertou para este projeto. Já estamos fazendo um acompanhamento, junto com o  deputado federal Vicentinho, para barrar esta proposta”, alertou.

Após PNE, movimentos defendem Lei de Responsabilidade Educacional

Depois de forte movimentação da CUT e de outras entidades sociais, o Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado em junho, porém, segundo avaliação de José Celestino Lourenço, o Tino, secretário nacional de Formação da CUT, ainda é necessário um documento que obrigue os gestores públicos a se comprometerem com a evolução dos índices educacionais. “Nós vamos, a partir de agora, discutir para aprovar uma Lei de Responsabilidade Educacional. Nós temos a Lei de Responsabilidade Fiscal e queremos a de Responsabilidade Educacional”, enfatizou o dirigente.

Tino também destaca que existe um projeto em trâmite no Congresso, porém não acredita que sua aprovação seja fácil, “Porque prevê a punição de governadores e prefeitos que não cumprirem com a destinação correta dos recursos para a Educação. Esse projeto é mais um elemento para a gente verificar o uso bem feito das verbas que serão destinadas às várias políticas, porque hoje há denúncias de desvios, como do FUNDEB, para questões que não são vinculadas diretamente ao ensino. E aí é claro que não avança a escola, a infraestrutura, e mesmo a valorização profissional”. De acordo com as metas do PNE publicadas no Diário Oficial da União de 26/6/14, há o período de um ano para a aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional.

Mais Médicos completa um ano

Criado após uma pesquisa do IPEA que indicava descontentamento da população com o número de médicos do Sistema Único de Saúde, o programa Mais Médicos completou um ano na última terça-feira (8). Para Junéia Martins Batista, secretária nacional de Saúde do Trabalhador da CUT e Conselheira Nacional de Saúde, “O programa não se resume a médicos nos espaços mais distantes do país. Tem importância bem maior, aprofunda a abrangência da Saúde Pública de qualidade e investe na saúde preventiva. O primeiro ano tem um saldo positivo para a população. Como conselheira, percebo que o projeto é um sucesso para quem precisa”.

Já Maria Godói de Faria, secretária-geral adjunta da CUT nacional, afirma que “O Mais Médicos tem clínicos gerais, capazes de perceber a condição geral de saúde do trabalhador. Em casa, o paciente pode receber tratamento básico, remédios, vacinas, coletar  material para exames, ter avaliação nutricional, e outras  informações de saúde. Com isso, o foco da medicina, que era no tratamento, passa para a prevenção. Só em caso de real necessidade o paciente vai para a Unidade Básica de Saúde, desafogando os hospitais, reduzindo gastos do SUS com atendimentos que seriam resolvidos de forma simples e otimizando a atuação dos profissionais”. A CUT apoia o programa desde o primeiro dia de sua implementação.