Feira do trabalho oferece 6 mil vagas em São Paulo

 

 A Feira do Trabalho 2013, promovida pela Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo de São Paulo, oferece pelo menos 6 mil vagas, principalmente em cargos operacionais, com nível de escolaridade básico ou médio. O evento vai até a próxima sexta-feira (24), das 8h às 17h, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo.

Até lá, a expectativa da Secretaria é que pelo menos 20 mil trabalhadores visitem a feira. Eles também poderão contar com oficinas para elaboração de um bom currículo e palestras sobre entrevistas de trabalho e dinâmicas se seleção. No evento também é possível tirar a carteira de trabalho.

“Essa feira é uma oportunidade para muitas pessoas que estão em busca de um trabalho e de uma oportunidade”, afirma o secretário do Trabalho, Eliseu Gabriel, à TVT, em reportagem do “Seu Jornal” da noite de ontem (16). “Mesmo quem não tem carteira de trabalho pode tirar aqui e até já sair com ela assinada.”

Foi o que aconteceu com o estudante Guilherme Gomes. “Saí de casa com a meta de voltar com a minha carteira assinada e, graças a Deus, consegui. Amanhã já vou levar minha documentação e dentro de uns dias começar a trabalhar”, comemora.

A maioria das oportunidades disponíveis é para cargos operacionais que podem ou não exigir experiência. “Temos muitas vagas, por exemplo, como auxiliar de lanchonete, operador de caixa, balconistas, vendedores e na área de limpeza. O trabalhador que nos procurar terá muita chance de sair empregado”, diz a gerente do Centro de Apoio ao Trabalho de São Paulo (CAT), Roseli Saccardo.

A feira também oferece um posto especial para os empreendedores, que querem abrir ou ampliar seu próprio negócio, como o microempreendedor individual Mauro Sérgio Mello. “Eu trabalho com cosmético e tenho uma loja virtual. Por isso estou vindo aqui para ter um esclarecimento melhor sobre o que eu estou fazendo no meu trabalho.”

Proporção de brasileiros com acesso à internet mais que dobra em cinco anos

 

Rio de Janeiro – Quase metade da população brasileira com 10 anos ou mais de idade (46,5%) acessava a internet em 2011, segundo estudo divulgado hoje (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é mais do que o dobro do percentual registrado em 2005, quando aproximadamente 21% da população haviam acessado a internet nos últimos três meses por computador ou notebook. No mesmo período, a população nessa faixa etária cresceu 9,7%.

Ao mesmo tempo, o percentual de brasileiros com telefone celular subiu de 36,6%, em 2005, para 69%, em 2011. Em números absolutos, o total passou de 55,7 milhões de pessoas para 115,4 milhões, um crescimento de 107,2%. O levantamento, feito com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2011, considera apenas pessoas com 10 anos ou mais de idade.

Os dados revelam que, pela primeira vez desde o início da pesquisa, em 2005, o percentual de mulheres com celular superou o dos homens, ao alcançar 69,5% (60,3 milhões) contra  68,7% dos homens (55,2 milhões). Em 2005, esse percentual era 35,2% para as mulheres e 38% para os homens.



De acordo com o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, a diminuição das desigualdades é a principal contribuição para o aumento expressivo da inclusão digital no país. “Todo esse processo que o país tem vivido nos últimos anos de redução da pobreza, [de] aumento da qualidade do emprego, do poder de compra, esse conjunto de fatores socioeconômicos tem propiciado a essa população maior acesso à internet”, destacou, ao ressaltar que o aumento da escolaridade foi decisivo para o crescimento do número de internautas. “[Mesmo] sem saber ler nem escrever, você tem acesso à televisão, [mas] à internet, não. Você tem que saber ler e escrever e saber o que fazer ali dentro”, enfatizou.



Nos últimos anos, houve avanços em todas as regiões. Mas o Norte e o Nordeste tiveram os aumentos mais significativos no número de pessoas navegando na internet, embora ainda sejam as regiões com os menores índices de acesso do país, segundo o coordenador da pesquisa.



“As regiões Norte e Nordeste tinham pouco mais de um terço da população acessando a internet em 2011, mas o avanço nessas regiões foi bastante expressivo. Alagoas, por exemplo, passa de 7% para quase um terço [34,3%] da população acessando a internet, 400,3% de aumento”, comentou ele, lembrando que, em 2005, Alagoas era a cidade com o menor percentual.



Se em 2005 aproximadamente 12% da população dessas regiões haviam acessado a internet nos últimos três meses, o percentual saltou para 35,4% no Norte e 34% no Nordeste. O percentual triplicou, enquanto nas demais regiões o índice, em média, duplicou entre 2005 e 2011. Entretanto, em 2011, os percentuais do Norte e do Nordeste estavam bem abaixo dos registrados nas regiões Sudeste (54,2%), Centro-Oeste (53,1%) e Sul (50,1%).



O Distrito Federal é a unidade da Federação com os maior percentual de internautas, com  71,1% da população conectada à internet. “A configuração tanto de mercado de trabalho quanto de poder de compra justifica esse percentual tão grande em Brasília”, comentou o coordenador da pesquisa. “Se tirar Brasília, o percentual do Centro-Oeste cai muito”, disse Azevedo.

Depois do DF, vêm São Paulo, com 59,5%, e o Rio de Janeiro, com 54,5%. Entre 2005 e 2011, em números absolutos, houve aumento de 100,1%, 116,6% e 121,2% nessas unidades federativas, respectivamente. Os estados com os menores percentuais de internautas em 2011 eram o Maranhão (24,1%), o Piauí (24,2%) e o Pará (30,7%). Esses percentuais representaram, em números absolutos, um crescimento de 244,9%, 151,1% e 242,7% desde 2005.

O acesso à internet era maior entre jovens de 15 a 17 anos, faixa etária em que 74,1% da população eram internautas. Em seguida, vêm os jovens de 18 e 19 anos (71,8%). Entretanto, entre 2005 e 2011, o aumento mais expressivo no acesso à internet foi verificado entre a população com 50 anos ou mais. Em 2005, apenas 7,7% desse grupo etário usavam a internet. Em 2008, o percentual subiu para 11,2%, e em 2011, para 18,4%.



“Essa população hoje precisa acessar a internet para declarar Imposto de Renda, acessar o banco de casa”, exemplificou o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo. “O crescimento entre os jovens foi menor, pois já estavam inseridos”, acrescentou. Na pesquisa de 2008, em média, o uso de internet nas faixas entre 10 e 24 anos variava de 50,9 % a 62,7%.

O número de alunos da rede pública de ensino que acessam a internet praticamente triplicou em seis anos e foi de 24%, em 2005, para 70%, em 2011. Os dados fazem parte da publicação sobre Acesso à Internet e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal.

Apesar do salto na inclusão digital desse universo de pessoas, o percentual ainda é menor que o registrado entre os alunos de escolas privadas no mesmo período, que passou de 82%, em 2005 para 96,2% em 2011. “Entre as pessoas que acessaram a internet que estudavam em escola particular, esse acesso atingiu quase a universalidade”, comentou o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo.

Segundo ele, o aumento do acesso dos alunos da rede pública pode ser explicado pelo aumento da renda das classes mais baixas e pela instalação de computadores com internet nesses estabelecimentos de ensino. Em 2011, dos 37,5 milhões de alunos (com mais de 10 anos), 29,2 milhões estavam na rede pública e 8,4 milhões de estudantes estavam na rede privada.

Na análise da escolaridade dos internautas, os dados revelam que de 2005 para 2011, no grupo de pessoas sem instrução e com menos de quatro anos de estudo, o percentual de acesso à internet passou de 2,5% para 11,8%. No mesmo período, no grupo com 15 ou mais anos de estudo, a estimativa aumentou de 76,1% para 90,2%.

Na série histórica, entre 2005 e 2011, os percentuais de internautas aumentaram em todas as faixas de renda, especialmente nas mais baixas: no grupo que engloba indivíduos sem renda e com renda de até um quarto de salário mínimo, o percentual de pessoas que acessaram a internet aumentou de 3,8%, em 2005, para 21,4% em 2011; no grupo de mais de um quarto até metade do salário mínimo, o percentual foi de 7,8% para 30%, no mesmo período de comparação. Por fim, no grupo com renda de meio a um salário mínimo, o percentual de internautas foi de 15,8%, em 2005, para 39,5%, em 2011.

As análises apontam também que a internet está deixando de ser acessada exclusivamente no posto de trabalho. Em 2011, das 77,7 milhões de pessoas que utilizaram a internet, 60,1% trabalhavam e 39,9% não trabalhavam. Embora a maioria dos internautas seja de pessoas ocupadas, essa diferença vem diminuindo se comparada a 2005, quando 62,1% dos internautas trabalhavam e 37,9%, não.

“O aumento do poder de compra, o aumento do crédito e o barateamento do computador têm permitindo que as pessoas tenham acesso à internet também fora do posto de trabalho”, comentou Azeredo. Segundo ele, no entanto, não é só o aumento da renda que explica a maior inclusão digital no país, mas sim, o resultado de todos os aspectos abordados pela pesquisa, como o sexo, a faixa etária, a ocupação e escolaridade. Ele deu como exemplo o fato de que entre a população de renda mais alta [5% da população ocupada] – com mais de cinco salários mínimos, o percentual de internautas é menor, porque ali há um número menor de jovens. “Muitos são idosos e não foram incluídos digitalmente e talvez não sejam nunca”, comentou ele.

São Paulo pode ter fundo de R$ 10 milhões para rádios comunitárias

 

Está em discussão na Câmara dos Vereadores de São Paulo um projeto de lei que cria um fundo municipal de R$ 10 milhões para apoio aos radiodifusores comunitários da cidade. Se o texto for aprovado, o Programa Municipal de Fomento ao Serviço de Radiodifusão Comunitária colocará à disposição financiamento de até R$ 250 mil para projetos apresentados por entidades ligadas a rádios comunitárias, limitados a um ano. Cada associação poderá inscrever apenas dois programas.

De acordo com a proposta, a seleção dos projetos seria realizada por uma Comissão de sete pessoas com “notório saber” no tema, sendo quatro nomeadas pelo Secretário Municipal de Cultura e três escolhidas entre nomes indicados por associações de radiodifusão comunitária em atividade há pelo menos três anos.

De autoria do vereador e presidente da Casa, José Américo (PT), o PL 203, de 2011, foi debatido ontem (15) em audiência pública na Comissão de Finanças. “É sabido o processo de recuperação do tecido social feito pelas rádios comunitárias, especialmente com os jovens da periferia. Elas são o microfone que eles não terão de outro jeito. A maioria da população não tem espaço na grande mídia”, explica Antonio Lúcio Rodrigues de Assiz, assessor do vereador.

“As rádios não têm recursos para sua sustentabilidade. São obrigadas a pagar taxas de fiscalização para a Anatel e outras, além de serem obrigadas a passar toda a programação federal e da Justiça Eleitoral. Elas trabalham de graça para o governo, que ainda faz renda com taxas e com multas. Viraram do avesso a história”, afirma José Carlos Rocha de Carvalho, presidente do Fórum Democracia na Comunicação, entidade que reúne rádios comunitárias.

Uma das dificuldades de financiamento está no fato de a legislação só permitir publicidade, nas rádios comunitárias, a título de apoio cultural.

“Isso inibe os anunciantes. Os comerciantes do bairro apoiam, mas cria dificuldades”, explica. “O projeto dá uma perspectiva de qualificar e garantir o funcionamento das rádios. Muitas estão morrendo, sem ter como financiar suas atividades. Elas têm consciência de que precisam melhorar a qualidade, dominar a linguagem, a tecnologia e mesmo gestão. Sem o fundo, elas não têm saída”, argumenta Antonio Assiz.

Segundo Rocha, existem 34 rádios comunitárias autorizadas para funcionar em São Paulo – 29 em funcionamento. “Esse fundo é fundamental para o desenvolvimento de projetos com conteúdo social, cultural e político para a cidade de São Paulo. Aprovar teria um efeito replicador nos demais municípios da Grande São Paulo. Um pessoal de Cotia já nos ligou pedindo informações para replicar a experiência na cidade e também tenho informações que São Bernardo tem ideia semelhante nas mãos do prefeito Luiz Marinho”, afirma Rocha.

Debate público

Para o ex-professor da USP, a comunicação comunitária tem potencial para ser, juntamente com a internet, a sucessora dos grandes veículos de massa na promoção do debate público.

“Os meios de comunicação de massa dominaram o mundo no século 20, mas agora entraram em crise profunda que não tem retorno. A comunicação que eles faziam perdeu a credibilidade. Nos Estados Unidos, em dez anos, a internet tomou 25% da audiência da TV, mas só 1% da audiência do rádio, que lá tem um caráter muito localizado, municipalista, comunitário. No Brasil também os meios de massa estão morrendo, e com isso a sociedade fica alheia ao que se passa. O espaço público do debate, para formar correntes de opinião para enfrentar os problemas, está desaparecendo”, explica.

“O sucessor natural da comunicação social é a comunicação comunitária, que tem como veículo as rádios. Se as rádios comunitárias conseguirem sustentabilidade tranquila e desenvolvimento de bons projetos, adeus o resto: só ficava nós e a internet. Esse fundo dará condições para que as rádios tenham conteúdo significativo”, completa.

O projeto irá a plenário após deliberação na Comissão de Finanças e Orçamento. Antes disso, uma nova audiência pública será realizada, em data a ser definida.

IndustriALL promove primeira reunião da América Latina e Caribe

 

Teve início nesta quarta-feira (15), a primeira Reunião Regional da América Latina e Caribe da IndustriALL Global Union, a entidade mundial que congrega as representações internacionais de trabalhadores metalúrgicos, químicos e têxteis. O evento está acontecendo em Buenos Aires, Argentina, e dele participa o secretário geral e de Relações Internacionais da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, João Cayres.

“O objetivo da reunião é a organização regional para que as entidades de trabalhadores dos três ramos tenham uma ação articulada na América Latina, além de ser preparatória ao encontro do Comitê Executivo mundial, que acontecerá no final do mês na Alemanha”, explicou Cayres, que integra o Comitê Executivo da América Latina e Caribe da organização.

A IndustriALL foi criada há um ano, a partir da fusão da FITIM (metalúrgicos), ICEM (químicos) e FITTVC (têxteis/vestuário). No encontro de Buenos Aires, que termina nesta quinta-feira, os participantes estão debatendo a política da entidade para o emprego e o desenvolvimento sustentável; a situação de gênero e da juventude na região; e projetos e campanhas, como a do combate ao trabalho precário.

TVT ganha Prêmio África Brasil 2013

 

São Paulo – TVT, primeira concessão de televisão a uma entidade de trabalhadores, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABCserá premiada na sexta-feira (17) com o Troféu Mama África do Prêmio África Brasil 2013, promovido pelo Centro Cultural Africano, organização criada em 1999 pelo nigeriano Otunba Adekunle Aderonmu com o objetivo de fortalecer o intercâmbio entre o Brasil e a África, além de valorizar tradições culturais africanas e afro descendentes no país.

O Prêmio África Brasil homenageia personalidades, empresas e governos que se destacam na produção de projetos e ações sociais que contribuem e beneficiam a inclusão social dos afro descendentes. O prêmio está em sua oitava edição e este ano terá cerimônia na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Segundo o Centro Cultural Africano, nos últimos anos as questões relacionadas ao debate racial se tornaram mais complexas, a partir da implementação do sistema de cotas no ensino superior, o Estatuto da Igualdade Racial, e os novos parâmetros curriculares de ensino implementados pela lei 10.639/03, que prevê a obrigatoriedade do ensino da história e cultura da África e afro-brasileira. O prêmio busca dar reconhecimento a experiências que “podem ser aplicadas na promoção da cidadania, valorizando e respeitando as relações etno raciais.”

TVT foi escolhida para receber o prêmio na categoria Meio de Comunicação. O evento acontecerá a partir das 19h e tem as presenças confirmadas do secretário de Promoção da Igualdade Racial de São Paulo, Netinho de Paula (PCdoB), o secretário municipal de Cultura, Juca Ferreira, e dos corpos diplomáticos da Nigéria, da Namíbia e da Costa do Marfim no Brasil.

 

 

 
 

 

Nova etapa do julgamento do Carandiru começa em 29 de julho em São Paulo

 

São Paulo – A segunda etapa do julgamento do Carandiru será iniciada em 29 de julho, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Nessa fase, 28 policiais que aturam no terceiro pavimento do Pavilhão 9 serão julgados pela participação nas mortes de 73 pessoas.

Ao todo, 111 morreram no massacre ocorrido em 2 de outubro de 1992. Oitenta e quatro policiais que admitiram ter atirado durante a operação foram denunciados. Outras duas etapas de julgamento devem ocorrer até o final do ano.

Entre 15 e 21 de abril, 26 policiais que atuaram no segundo pavimento foram julgados e 23 foram condenados a 156 anos cada. Eles irão aguardar em liberdade até que se esgote a possibilidade de recursos. Cinco deles ainda atuam na policia militar e continuam prestando serviços normalmente.

Em 2001, o coronel Ubiratan Guimarães, responsável pela organização da operação de invasão do presídio para conter um motim dos presos, chegou a ser condenado por 632 anos de prisão. Depois, em 2006, o Tribunal de Justiça invalidou a decisão do juri popular e o absolveu de todas as acusações. Meses depois, ele foi assassinado sem nunca ter cumprido um único dia de pena.

CUT e demais centrais conquistam espaço permanente de negociação.

 

A CUT e as demais centrais sindicais conquistaram uma Mesa Permanente de Negociação com o governo federal para apresentar, debater e definir propostas à pauta dos trabalhadores. A Mesa já tem data e temas definidos.



Em 11 de junho, o presidente da CUT, Vagner Freitas, estará no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) junto com representantes das outras centrais para iniciar a negociação sobre a regulamentação da PEC das Domésticas, o fortalecimento do Sistema Nacional de Intermediação de Mão de Obra (Sine) e a regulamentação da terceirização.



O calendário foi definido nesta terça-feira (14) durante reunião com os ministros Gilberto Carvalho, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e Manoel Dias, Trabalho e Emprego.



“A pauta é nossa e não do governo e vamos lutar por todos os itens importantes para os trabalhadores. Queremos negociar. Queremos destravar a pauta da classe trabalhadora”, afirmou o presidente da CUT, ao destacar a importância do encontro de hoje por ter dado início a espaço de negociação reivindicado desde o início do ano.



Esta foi a primeira resposta efetiva do governo federal à pauta dos trabalhadores desde 6 de março, quando a CUT e demais centrais colocaram 50 mil pessoas nas ruas de Brasília para pressionar por negociação e entregar a pauta à presidenta Dilma Rousseff.  Na sequência, série de ofícios e mobilizações em todas as capitais brasileiras levaram a CUT a conseguir reunião com Gilberto Carvalho em 30 de maio, quando o ministro marcou o encontro realizado hoje, mas restringiu o debate inicial a oito itens (veja abaixo), deixando de fora, por ora, o fim do fator previdenciário e a redução da jornada para 40 horas.



Segundo Vagner, o calendário de negociações que foi solicitado pelas centrais é importante, mas terá de ser efetivo, ou seja, “com data para começar, se desenvolver e acabar”. O dirigente garantiu também que a CUT seguirá lutando por todos os demais itens da pauta dos trabalhadores, mesmo que eles não sejam debatidos nessas primeiras mesas. “A luta pelo fim do fator previdenciário e as 40 horas segue”, assegurou.



Durante a reunião desta terça, o ministro Gilberto Carvalho admitiu que, ao longo das negociações, outros pontos importantes para os trabalhadores poderão ser incluídos na pauta, que será debatida pelas centrais com ministros e técnicos do governo federal das áreas envolvidas na reivindicação. As propostas deverão vir dos dois lados – governo e centrais -, destacou o ministro, ao afirmar que Sine e Pronatec “estão bem adiantados”.



NADA DE ‘BOLA NAS COSTAS’



O presidente da CUT disse que, além de negociar, as centrais precisam pressionar o Congresso Nacional a aprovar o que for negociado e acordado na Mesa Permanente. “Vivemos um momento propício para negociação porque temos um governo democrático e um movimento sindical preparado”, disse  Vagner.



A presidenta Dilma, destacou o dirigente, pode nos ter como interlocutores porque nós, representantes das centrais sindicais, somos os reais interlocutores da classe trabalhadora.



Ainda sobre o Congresso, Vagner disse ao ministro Gilberto Carvalho que a base aliada do governo Dilma “não pode deixar que o Projeto de Lei 4330 (terceirização) seja votado no Congresso porque precariza ainda mais as condições de trabalho. “É necessário que o Congresso Nacional congele a tramitação dessa matéria enquanto negociamos um texto alternativo, que garanta os direitos dos trabalhadores, diferente deste que a Casa quer votar que dá total segurança jurídica para os patrões e deixa os trabalhadores em segundo plano”, alertou o presidente da CUT.



O ministro concordou que a “Mesa não pode levar bola nas costas durante a discussão das propostas” e garantiu que o governo vai conversar com a base aliada para segurar a tramitação do PL 4330. Os dirigentes, por sua vez, disseram que vão pressionar os deputados no mesmo sentido.

Seguem os itens (*) da pauta que o governo vai discutir com as centrais sindicais na Mesa Permanente de Negociação:



1 – Terceirização – a ideia é construir uma proposta alternativa ao PL da terceirização;



2 – Rotatividade –  construção de alternativa para combater a alta rotatividade que precariza o trabalho e é usada pelos empresários para reduzir salários – o trabalhador recém contratado ganha sempre menos do que o antigo que foi demitido.



3 – Informalidade – as centrais e o governo vão discutir uma proposta para aumentar os índices de formalização dos trabalhadores.



4 – Fortalecimento do Sistema Nacional de Intermediação de Mão de Obra (SINE) é outro item que a mesa de negociação vai discutir e buscar solução (11 de junho).



5 – Política de apoio a aposentados – benefícios na área de medicamentos, cultura, lazer etc.



6 – Regulamentação do trabalho doméstico. O Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 72/2013, uma garantia de que os trabalhadores domésticos terão direitos como pagamento de horas extras, adicional noturno e FGTS como todas as outras categorias profissionais, mas falta regulamentar. O governo garantiu que as centrais sindicais vão participar de toda a discussão de cada um dos itens da regulamentação.  (11 de junho)



7 – Participação das centrais sindicais nos conselhos do Pronatec (11 de junho) e Pronacampo. Os sindicalistas querem discutir a implementação das políticas.



8 – Regulamentação do direito de negociação do serviço público (Convenção 151 da OIT).

Pesquisa aponta que pressão no trabalho causa transtornos mentais

Um estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) mostrou de que forma os transtornos mentais podem estar ligados a pressões impostas no ambiente de trabalho. Esta é a terceira razão de afastamento de trabalhadores pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).



O coordenador da pesquisa, o médico do trabalho João Silvestre da Silva-Júnior, trabalha como perito da Previdência Social há seis anos e, tendo observado a grande ocorrência de afastamentos por causas ligadas ao comportamento, decidiu investigar o que tem provocado distúrbios psicológicos.



O cientista notou que a violência no trabalho ocorre pela humilhação, perseguição, além de agressões físicas e verbais e listou quatro razões principais que prejudicam a saúde mental no ambiente corporativo.



A primeira delas é a alta demanda de trabalho. “As pessoas têm baixo controle sob o seu ritmo de trabalho; elas são solicitadas a várias e complexas tarefas”, disse o pesquisador. O outro aspecto são os relacionamentos interpessoais ruins, tanto verticais (com os chefes), quanto horizontais (entre os próprios colegas).



A terceira razão é o desequilíbrio entre esforço e recompensa. “Você se dedica ao trabalho, mas não tem uma recompensa adequada à dedicação. A gente não fala só de dinheiro. Às vezes, um reconhecimento, um elogio ao que você está desempenhando”, explica Silvestre. O último aspecto citado pelo pesquisador é a dedicação excessiva ao trabalho, que também pode afetar a saúde mental.



A pesquisa coletou dados na unidade de maior volume de atendimentos do INSS da capital paulista, a Glicério. Foram ouvidas 160 pessoas com algum tipo de transtorno mental. Silvestre informa que, entre as pessoas que pediram o auxílio doença nos últimos quatro anos, uma média de 10% apresentava algum tipo de transtorno.



Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social de 2011, mais de 211 mil pessoas foram afastadas em razão de transtornos mentais, gerando um gasto de R$ 213 milhões em pagamentos de benefícios. “Quando você entende o que gera os afastamentos, você pode estabelecer medidas para evitar os gastos”, disse. As doenças mentais só perderam, naquele ano, para afastamentos por sequelas de causas externas, como acidentes, e por doenças ortopédicas.



Em São Paulo, a pesquisa constatou a alta presença de trabalhadores do setor de serviços, como operadores de teleatendimento, profissionais da limpeza e da saúde com doenças mentais. “Mas essa variável do tipo de trabalho não se apresentou significativa no nosso estudo. Ela não apareceu como algo que influencia o aparecimento do transtorno mental incapacitante”, relata.



A pesquisa apontou que o perfil predominante entre os afastamentos foi o feminino e alta escolaridade (mais de 11 anos de estudo). Mas Silvestre alerta para uma distorção, porque as mulheres têm maior cuidado com a saúde, o que aumenta a presença feminina nas estatísticas.



“O sexo feminino apresentar uma maior possibilidade de transtorno mental está relacionado às mulheres terem facilidade em relatar queixas. Reconhece-se que as mulheres procuram os médicos com mais facilidade, elas têm uma maior preocupação com a saúde do que os homens”, contou. De acordo com o cientista, os homens demoram a ir ao médico e, quando vão, encontram-se em situação mais grave.



O fator escolaridade, segundo o estudo, pode afetar a percepção da existência das doenças. A maioria dos afastamentos ocorre com indivíduos de alta escolaridade, pois eles são mais esclarecidos. “As pessoas conseguem ter uma maior percepção de que o ambiente de trabalho está sendo opressor. Quando ela percebe que ali é um local ruim de trabalhar, ela vem a adoecer, a ter o distúrbio psicológico e termina se afastando”, disse.



Para melhorar o clima no trabalho e prevenir doenças, Silvestre recomenda que os profissionais ligados à saúde e segurança do trabalho das empresas tenham consciência sobre onde estão os fatores de risco. Ele sugere também uma melhora da fiscalização por parte dos ministérios do Trabalho e da Saúde.

Trabalhadores são tema de exposição e filmes no Memorial da América Latina

 

Até dia 2 de junho, os trabalhadores ficam em cartaz na Galeria Marta Traba, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Além de imagens feitas por fotógrafos que acompanharam de perto vários movimentos grevistas, a exposição 1° de Maio também mostra a triste realidade do trabalho infantil e dos que são submetidos ao trabalho escravo. Entre as obras, estão fotos feitas por João Roberto Ripper e por sua Agência-Escola Imagens do Povo, que formou fotógrafos na Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

O olhar afiado e ao mesmo tempo delicado de Ripper captou a foto em que uma mulher dá um singelo beijo em um homem em meio a fumaça insalubre de uma carvoaria. Egberto Nogueira clicou o perfil tristonho de um menino colhendo fumo ao lado de um adulto. Iatã Cannabrava retratou periferias de várias cidades da América Latina.

Na exposição, a riqueza do universo do trabalhador também é ilustrada pelo cartunista argentino Luiz Trimano e pelo fotógrafo suíço Jean-Claude Wicky, que documentou a vida de mineiros na Bolívia. Além deles, participam da exposição coletiva trabalhos de João Bittar, Renato Stocker, Ricardo Alvez, Cristian Sepúlveda, Mayerling Garcia, Flávio Meyer e Livia Buchele.

Programação:

9/5 – Terra Sem Pão, de Luis Buñuel, 1932 (Espanha) / A Quem Pertence o Mundo?, de Bertold Brecht, 1932 (Alemanha)

14/5 – A Terra Treme, de Luchino Visconti, 1948 (Itália)

16/5 – Os companheiros, de Mário Monicelli 1963 (Itália)

21/5 – A Greve, de Sergei Eisenstein, 1925 (União Soviética) – apresentação seguida de debate com o professor Giovai Alves (Unesp)

23/5 – A Classe Operária Vai ao Paraíso, de Elio Petri, 1971 (Itália – foto acima)

28/5 – A Patagônia Rebelde, de Hector Oliveira, 1974 (Argentina)

30/5 – Atas de Marusia, de Miguel Littín, 1976 (Chile)

As sessões do Cineclube Latino-Americano são sempre às terças e quintas-feiras às 20h, no Espaço Vídeo do Pavilhão da Criatividade Darcy Ribeiro.

Os ingressos individuais custam R$ 5, mas quem se associa à entidade paga R$ 20 mensais, com direito a quatro ingressos.

Entrada pelos portões 8, 9 e 12 do Memorial da América Latina, na Barra Funda.

Comissão da Verdade chamará empresários vinculados à ditadura

 

A Comissão Nacional da Verdade vai convocar para prestar depoimentos públicos –além dos militares suspeitos de mortes, torturas e desaparecimentos– os empresários que teriam contribuído para financiar a repressão política executada pela ditadura militar (1964-1985).

“Vamos chamar. Tem o elemento civil da ditadura. Hoje a academia chama [o regime] de ´ditadura civil-militar´, então temos que falar desse elemento civil”, disse à Folha Rosa Cardoso, que assume a coordenação do grupo por três meses no próxima sexta, substituindo Paulo Sérgio Pinheiro.

Os depoimentos públicos da comissão começaram com o do coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, 80. Na última sexta, ele confrontou aos gritos os membros do grupo e disse que a ditadura salvou o país de um suposto golpe comunista.

O entendimento de que a comissão deve descrever em seu relatório final (a ser entregue em maio de 2014) a participação empresarial na repressão já era consensual antes mesmo de o grupo ser empossado, um ano atrás.

A historiografia sobre o período descreve a participação de diversos empresários na repressão, em especial no financiamento da Operação Bandeirante (Oban), um grupo de integrantes das Forças Armadas e das polícias estaduais criado no fim dos anos 1960 com o fim de acabar com a resistência ao regime.

O caso mais famoso é o do empresário dinamarquês naturalizado brasileiro Henning Albert Boilesen. Apontado como financiador da Oban, ele foi assassinado por esquerdistas em 1971.

Segundo Rosa, é possível que primeiro sejam feitos os depoimentos públicos com militares e, depois, com os empresários. Na semana que vem, a comissão vai se reunir para decidir a lista dos nomes. Dificilmente serão chamados mais do que dez, afirmou. Os convocados podem ficar em silêncio, mas são obrigados a se apresentar.

Em sua gestão, Rosa irá fomentar a criação de novos comitês da verdade –grupos da sociedade civil que apoiam a comissão nacional– e fortalecer o subgrupo que apura o que ocorreu com sindicalistas e com militares que se opunham ao regime.

Para ela, o colegiado tem mais oito meses para apurar as violações aos direitos humanos feitas no regime, uma vez que os últimos quatro meses devem ser dedicados à redação do relatório final.

A participação de empresários e de membros do Judiciário foi lembrada ontem por Paulo Sérgio Pinheiro num ato em que ele fez um balanço do primeiro ano de trabalho da comissão, empossada em 16 de maio de 2012.

Segundo ele, o relatório será contundente, explicitará a “cumplicidade de setores do Poder Judiciário no encobrimento de crimes” e vai “reconstituir a colaboração de empresas e empresários na manutenção do sistema paralelo de repressão articulado com as Forças Armadas”.