Rescisão de contrato de trabalho terá novos documentos em novembro

Todas as rescisões de contrato de trabalho deverão utilizar um novo modelo de documento do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) a partir de 1º de novembro deste ano.

 

O novo TRCT (Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho) será obrigatório em pedidos de seguro-desemprego e de liberação do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) em caso de demissão.

 

Segundo o ministério, os formulários antigos não serão mais aceitos a partir de novembro.

 

Até 31 de outubro, as rescisões poderão ser feitas no novo modelo ou no antigo, mas a recomendação do MTE é que as empresas passem a utilizar o novo TRCT e os Termos de Quitação e Homologação (veja abaixo) imediatamente.

 

“Os novos documentos dão mais transparência ao processo e mais segurança ao trabalhador no momento de receber sua rescisão”, disse o secretário de relações do trabalho do ministério, Messias Melo, em nota.

 

NOVOS PROCEDIMENTOS

O novo TRCT foi criado para deixar mais claro ao trabalhador o valor das verbas rescisórias e detalhar as parcelas a receber, diz o MTE. Na informação sobre o pagamento de férias, por exemplo, serão discriminadas as férias vencidas e as que estavam em período de aquisição para facilitar a conferência dos valores pagos.

 

O documento será utilizado em conjunto com dois outros, o Termo de Quitação –para rescisões de contratos de trabalho com menos de um ano de serviço– ou o Termo de Homologação –para rescisões de contrato com mais de um ano de trabalho.

 

ORIENTAÇÃO E ESCLARECIMENTO

Em todos os contratos com duração superior a um ano, é obrigatória a assistência e a homologação da rescisão pelo sindicato profissional representativo da categoria ou pelo MTE.

 

Segundo o ministério, o objetivo da mudança é garantir o cumprimento da lei, o efetivo pagamento das verbas rescisórias e a orientação e o esclarecimento das partes sobre direitos e deveres decorrentes do fim da relação empregatícia.

Melhora da escolaridade do brasileiro diminuiu informalidade no trabalho, aponta FGV

A melhora da escolaridade dos brasileiros levou à queda na informalidade do trabalho entre 2002 e 2009, aliada ao bom momento econômico da década passada e a políticas públicas de geração de emprego e renda. A conclusão faz parte da pesquisa Evolução Recente da Informalidade no Brasil, dos pesquisadores Fernando Holanda Barbosa Filho e Rodrigo Leandro de Moura, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV).

 

A taxa de informalidade que chegou a 43,6% em 2002 caiu para 37,4% em 2009, uma diminuição de 6,2 pontos percentuais, segundo o trabalho da FGV, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios.

A falta de formalização nas relações de trabalho, que se traduz principalmente pela ausência de registro em carteira, é inversamente proporcional ao grau de escolaridade: quanto mais anos de estudo, maior a formalização. Segundo a pesquisa, houve queda na informalidade em todas as camadas educacionais.

 

Com até três anos de estudo, 62,8% dos trabalhadores eram informais em 2002, passando para 59,1% em 2009. Entre os que têm ensino médio completo e superior incompleto, com 11 a 14 anos de estudo, a taxa de informalidade era 28,7% em 2002 e caiu para 24,7% em 2009. Já os detentores de diploma universitário, com mais de 15 anos de estudo, registravam 26,1% de informalidade em 2002, número que diminuiu para 23,4% em 2009.

 

Para o pesquisador Rodrigo Moura, existe uma relação direta entre mais anos de estudo e exigência profissional, tanto pelo trabalhador como pelo empregador. “O trabalhador com maior escolaridade aceita menos um contrato informal de trabalho. Quem tem maior nível educacional tem maior poder de barganha”, disse.

 

Apesar das variáveis econômicas e políticas não estarem explícitas no levantamento da FGV, o pesquisador reconheceu que também devem ser levados em conta o bom momento vividos pelo país e o mundo na maior parte da década passada, bem como a adoção de políticas públicas de geração de emprego e renda, facilitando a contratação. Outro dado relevante foi o incentivo federal ao ingresso nas universidades públicas, com a expansão das vagas.

Desemprego em SP em queda

A taxa de desemprego recuou de 6,5% em junho para 5,7%, no mês passado, em São Paulo. A avaliação é do IBGE, que também apresentou taxas referentes ao mês de julho para as regiões
metropolitanas de Recife (6,5%), Porto Alegre (3,8%) e Belo Horizonte (4,4%). Nessas regiões, as taxas tinham registrado estabilidade em junho.
 
Segundo a pesquisa de julho, o número de pessoas desocupadas caiu 1,08% em São Paulo, ao passar de 1,85 milhão, em junho, para 1,83 milhão, no mês passado.

Uso do amianto na indústria é tema de audiência pública

O uso do amianto branco (crisotila) pela indústria brasileira é tema de audiência pública convocada pelo ministro Marco Aurélio, relator de uma Adin ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI) contra lei paulista que proibiu o uso do amianto. O relator atendeu a um pedido do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), que defende um setor que movimenta cerca de R$ 3 bilhões por ano e emprega 170 mil pessoas.
 

Na audiência que começa hoje, serão ouvidas 35 pessoas contrárias ou favoráveis ao uso controlado do mineral, alvo de seis ações diretas de inconstitucionalidade (Adins) e de duas arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs).

A Associação Brasileira dos Expostos ao Amianto (Abrea), entidade que luta para banir o produto de todo o país, também participa da audiência. O mineral já é proibido em vários Estados. A discussão sobre os malefícios do amianto começou a partir do ajuizamento de inúmeras ações de trabalhadores que desenvolveram doenças pulmonares – especialmente a asbestose -, geralmente cerca de 20 a 30 anos após o primeiro contato com a fibra.
 
O amianto já foi banido em praticamente toda a Europa e nos Estados Unidos. O material europeu e americano, entretanto, é do tipo anfibólio – que seria mais nocivo – e não crisotila, que é extraído em jazidas brasileiras. O Brasil autoriza o uso controlado do crisotila por meio da Lei nº 9.055, de 1995.

CUT se organiza pela pauta da classe trabalhadora

A CUT está organizando um Dia Nacional de Mobilização, em Brasília, no dia 5 de setembro, por emprego, salários e direitos. O ato faz parte do plano de lutas aprovado no 11° Concut, que indicou a necessidade de uma plataforma de trabalhadores em defesa da nação brasileira e contra os efeitos da crise internacional no país.

O Dia Nacional de Mobilização será combinado com a marcha da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) que reivindica 10% do PIB para a educação, piso do magistério, plano de carreira e aprovação do PNE (Plano Nacional de Educação).

As reivindicações da CUT incluem redução de jornada, sem redução de salários; fim da precarização do trabalho; combate à terceirização e igualdade de direitos; por uma previdência pública mais justa (com o fim do fator previdenciário e da idade mínima); pela ratificação da Convenção 158 e pela regulamentação da Convenção 151, ambas da OIT.

Indústria tem desempenho acima da média

As empresas dos ramos químico, plástico e cosmético faturaram, juntas, mais de R$ 300 bilhões, em 2011. A indústria química cresceu 16% no ano passado, e nos seis primeiros meses de 2012, cresceu 4,61% em produção e 8,7% em vendas internas. No mesmo período, os preços foram corrigidos em 6,7%.

A indústria de transformados plásticos cresceu 6,4%, em 2011, e os preços médios dos produtos aumentaram 5,3%. A expectativa do setor, em 2012, é crescer 5% a mais que o PIB.

Outro setor que vem mantendo um ritmo de crescimento sustentável é a indústria de cosméticos que, em 2011, cresceu 7,7%, colocando o Brasil na 3ª posição do mercado mundial, com uma fatia de 10% desse mercado, perdendo apenas para Estados Unidos e Japão.

Os resultados são altamente positivos e destoam da maior parte da indústria que, no primeiro semestre, apresentou resultados negativos. O bom desempenho do setor se deve, principalmente, à valorização do dólar, que inibiu importações e abriu espaço para a produção nacional.

Redução da jornada é uma das bandeiras da Campanha Salarial 2012

Redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução de salários, aprovação da convenção 158 da OIT e licença-maternidade de 180 dias são três importantes bandeiras da categoria química, além de reajuste, nesta Campanha Salarial.

Os índices de reajustes a serem reinvindicados estão sendo calculados e vão levar em conta a inflação do período e um percentual de aumento real. A categoria vai pleitear também um reajuste maior para o piso salarial e para a PLR (Participação nos Lucros e Resultados). “Algumas empresas demitem trabalhadores que ganham mais para contratar outros, com menor experiência, pelo piso salarial. Melhorando o piso, a rotatividade diminui”, observa o Secretário de Administração e Finanças do Sindicato, João Carlos de Rosis.

A aprovação da convenção 158 da OIT (que inibe dispensa imotivada) e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salários, visam garantir e gerar novos postos de trabalho, além de melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores. “A pressão e o estresse na fábrica são muito grandes. Além disso, o trânsito e o transporte público estão cada vez piores e o trabalhador leva muito tempo no deslocamento da casa para o trabalho”, salienta o dirigente.

Para melhorar as condições da mulher trabalhadora e garantir a amamentação dos recém-nascidos até os seis meses de vida, conforme recomendação do Ministério da Saúde, a categoria pleiteia ampliação da licença-maternidade para 180 dias. Os sete sindicatos do ramo químico que negociam  conjuntamente – São Paulo; ABC; Campinas, Osasco e Vinhedo; Jundiaí e região e São José dos Campos e região – se reúnem no dia 11 de setembro, em Cajamar, para definir as cláusulas econômicas A pauta final de reivindicações será referendada pela base de todos os sindicatos, ainda em setembro. Acompanhe no próximo Sindiluta a data da assembleia geral de aprovação da pauta!

Brasil tem a quarta pior distribuição de renda do continente

Com quase 80% da populações vivendo em cidades, a América Latina e o Caribe têm como maior desafio neste início de século reduzir a desigualdade social. O relatório Estado das cidades da América Latina e do Caribe – 2012, do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat), aponta a região como a mais urbanizada e desigual do mundo. O estudo, pioneiro, traça o panorama do desenvolvimento latino-americano e escancara as grandes deficiências que persistem no processo de urbanização. Ao mesmo tempo, indica que os países dispõem dos requisitos para alcançar um desenvolvimento urbano sustentável, nas próximas décadas, e deixar no passado as mazelas da pobreza. O Brasil, apesar do avanço na distribuição de renda nos últimos anos, aparece como o quarto país mais desigual, atrás apenas de Guatemala, Honduras e Colômbia.

O texto aponta que, em geral, o deslocamento dos latino-americanos do campo para o meio urbano tem sido positivo e “desperta grandes esperanças”, mas ainda reserva “amargas desilusões”. Segundo o estudo, muitas cidades da região têm passado por uma transformação “traumática e às vezes violenta, por sua celeridade, marcada pela deterioração de seus entornos e, sobretudo, por uma profunda desigualdade social”. “As cidades da região apresentam os maiores índices de desigualdade do planeta. Ela é grande e séria, mas a boa notícia é que está se reduzindo, e rapidamente”, disse ontem o representante da ONU-Habitat para a América Latina, Erik Vittrup. Em entrevista coletiva, no Rio, ele destacou que alguns países geram preocupação. “A má notícia é que algumas economias importantes ainda se encontram em uma situação na qual a iniquidade continua subindo. Por isso, estamos fazendo um esforço, em particular no caso da Colômbia e de outros, para discutir o tema e tentar diminuir esses índices.”

Rumo ao equilíbrio

Embora sejam hoje a região mais urbanizada do mundo, a América Latina e o Caribe exibem a densidade populacional mais baixa. Europa, Estados Unidos, Índia e Paquistão têm uma distribuição populacional mais equilibrada. Além disso, nesse cenário, o crescimento demográfico e a urbanização nos países latinos aparecem no relatório como processos que perderam força nos últimos anos. E, apesar do grande êxodo rural no passado, a evolução atual das cidades tende a limitar-se ao crescimento natural, o que se verifica desde os anos 1960. A partir dessa época, a população regional vinha aumentando em média 2,75% por ano. Atualmente, estima-se em 1,15% uma taxa que, de acordo com o relatório, se aproxima da mundial.

A concentração nos centros urbanos se fez acompanhar pela convergência da renda. Segundo Vittrup, cerca de 80% do Produto Interno Bruto (PIB) tem sido gerado nas cidades, o que contribui para a redução do desemprego e da pobreza urbana. “É um bom sinal”, apontou. O estudo reconhece que os países da América Latina e Caribe conseguiram avanços consideráveis na luta contra a pobreza, nos últimos 10 anos. A proporção de população urbana pobre foi reduzida, mas em números absolutos as cifras seguem muito altas. Aproximadamente 124 milhões de moradores das cidades vivem na pobreza, o que corresponde a um quarto dos pobres na América Latina.

Do ponto de vista econômico, a região vem saindo de um longo período de dívidas aumentando em espiral e os países “parecem estar mais preparados para resistir às crises mundiais”. De acordo com o estudo, por trás disso estão economias que assumem um papel cada vez mais importante no contexto local e global.

“Bônus demográfico”

Esse e outros fatores apontam para um cenário favorável. O relatório destaca que as nações latino-americanas se beneficiam de um “bônus demográfico”: a população ativa ainda é proporcionalmente maior que a do passado e supera amplamente a de crianças e de idosos. “É uma situação privilegiada, que não durará mais do que 30 anos e oferece a oportunidade de realizar grandes inversões e preparar os países para desafios futuros”, diz o texto. “Existem condições para uma nova transição urbana, com qualidade de vida, igualdade e sustentabilidade.”

Em geral, diminuiu a proporção de habitantes das favelas. Mesmo assim, são 111 milhões de pessoas na região, cifra maior que a de 20 anos atrás. Além disso, metade da população urbana latino-americana — um contingente de 222 milhões — reside em cidades com menos de 500 mil habitantes. Segundo a ONU, o progresso no acesso à água, ao saneamento e a outros serviços tem tornado mais atraentes as cidades de porte médio. Mas cerca de 14% desse total (65 milhões) vivem nas megacidades, que, de acordo com o estudo, veem seu peso relativo diminuir em detrimento das cidades menores.

Brasília é a quarta mais injusta

Brasília reúne os fatores que contribuem com a formação da desigualdade social. É uma cidade horizontalizada, com uma área nobre ocupada por uma população de alto poder aquisitivo e cercada por periferias pobres e deterioradas. Tais características colocaram a capital como a quinta com pior distribuição de renda na América Latina e a quarta no Brasil — entre as 24 cidades selecionadas pela ONU. Goiânia é a mais desigual, seguida por Fortaleza, Bogotá, Belo Horizonte e Brasília.

Durante a entrevista coletiva, ontem, Erik Vittrup, representante da ONU-Habitat para a América Latina, fez uma crítica indireta a Brasília. “É ridículo que, ainda hoje, reproduzimos cidades com modelos de expansão horizontal de um andar. No México, por exemplo, os grandes programas de habitação deixam as cidades com enormes áreas para o consumo de habitação, quando, precisamente, a vantagem de se morar na cidade é a concentração de habitantes, de serviços e da infraestrutura urbana”, analisou.

No entanto, os comentários negativos se estenderam a todo o Brasil. Vittrup enfatizou a fraca colocação no ranking da desigualdade social — o país ficou em quarto, atrás da Guatemala, de Honduras e da Colômbia. Ainda com uma colocação preocupante, o Brasil avançou nesse quesito, uma vez que, em 1990, encabeçava a lista da desigualdade dos países latino-americanos. O alto índice de pobreza urbana, que atinge cerca de 20% da população, também foi destaque no estudo.

Mais uma vez, porém, o país avançou nos últimos anos. Em 1990, 40% da população era composta de pobres e de indigentes. Uma melhora de pelo menos 20 pontos percentuais nas últimas duas décadas. As favelas brasileiras foram vastamente comentadas no relatório. Com 28% dos brasileiros habitando moradias precárias e não formalizadas, o Brasil ocupa a 14ª posição no quesito que analisa a população em favelas.

O atendimento de saneamento básico brasileiro foi outro alvo de críticas. De acordo com o estudo, 86,5% da população brasileira têm acesso ao serviço. O que coloca o Brasil como a 19ª nação da América Latina na distribuição de saneamento. O país também foi citado como o segundo maior poluidor do continente, atrás apenas do México. A violência, parte importante da pesquisa, foi apontada como a maior preocupação dos latino-americanos. Ao falar sobre o tema, Vittrup citou a queda da violência no Rio de Janeiro como um avanço que pode ser um estímulo para demais países. “O Rio já esteve no “top 10″ das cidades mais violentas. Agora, as mais inseguras se encontram na Guatemala e no México. Mas o Brasil ainda tem cidades muito violentas”, disse.

Elogios

Apesar das críticas, o pesquisador dinamarquês elogiou iniciativas de cidades brasileiras, como Curitiba e seu sistema de transporte público, e o projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), implantado no Rio — exaltado no texto. O orçamento participativo em Porto Alegre e a política pública de atenção às mudanças climáticas em São Paulo foram citados como bons exemplos.

Parcela da população urbana brasileira que vive em situação de pobreza é de 22,10%.

Pai conquista direito à licença-paternidade

Um professor de enfermagem de Campinas conquistou na Justiça o direito à licença remunerada do trabalho por quatro meses para cuidar do filho recém-nascido. Ele conseguiu o benefício à licença-paternidade e será remunerado por 120 dias pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A decisão judicial poderá abrir precedentes para casos semelhantes.

A licença pode ser estendida para 180 dias caso a empresa conceda. 
A lei atual prevê que a concessão dos salários referentes aos dois meses extras é opcional para as empresas.