“Brasil não pode se dar ao luxo de comissão de meia verdade”, alerta procurador

Marlon Weichert (ao centro), procurador regional da República, com Osvaldo Bezerra(à esquerda), o Pipoka, secretário de administração e finanças do Sindicato e Domingos Galante (à direita), ex-presidente do SindicatoO nome de Marlon Weichert, procurador da República em São Paulo, transformou-se em sinônimo da luta para que o Brasil faça as pazes com seu passado. Longe de defender que se coloque uma pedra sobre o assunto, como defendem setores militares, o representante do Ministério Público Federal trata de investigar o que aconteceu na ditadura (1964-85).

Ao lado da procuradora Eugênia Gonzaga, Weichert pede a responsabilização dos culpados – embora encontre limites muito claros no Judiciário. Além disso, cobra do Estado os investimentos necessários para esta apuração, como no caso do Cemitério de Vila Formosa, em que foi necessário muito suor para que se montassem as equipes que agora buscam desaparecidos políticos.
 
“O Brasil não pode se dar ao luxo de ter uma comissão de meia-verdade. Tem de ser uma comissão de verdade mesmo”, resume sobre a montagem da comissão que teria a responsabilidade de passar a limpo o período do regime. Uma das prioridades da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, a aprovação do projeto depende do Congresso e de resistências impostas pelos militares e pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. Para Weichert, é preciso mexer no texto atual para que não restem entraves ao trabalho da Comissão da Verdade.
 
Confira a seguir a entrevista concedida à Rede Brasil Atual.
RBA – Como viu o trabalho nos últimos cinco dias aqui no Cemitério de Vila Formosa?
O trabalho foi bastante produtivo. Foram cinco sepulturas abertas, cada uma com quatro níveis de sepultamento, às vezes com mais de uma ossada por nível. É um trabalho bastante complexo, bastante árduo porque o solo estava molhado, os ossos são bastante antigos. A gente vê que foi uma semana muito produtiva, e agora é fazer análise desse material com as informações que temos relativas ao Virgílio.
 
RBA – A articulação de esforços hoje é muito melhor do que se via há pouco tempo.
Com certeza. Até então a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) não vinha desempenhando esse trabalho de, por iniciativa sua, procurar os restos mortais dos desaparecidos. Foi infelizmente necessário que o Ministério Público Federal tivesse de mover uma ação civil pública para obrigar a União a exercer esse papel para que a coisa se desenrolasse. A gente fica bastante feliz em hoje perceber uma movimentação bastante intensa da Secretaria de Direitos Humanos para dar conta desta atividade, que está prevista em lei.
 
RBA – Quanto à construção de um memorial em Vila Formosa, há alguma definição sobre a quem caberá e quando será feito?
Não há nenhuma definição, mas achamos que há uma responsabilidade compartilhada de todos os entes federativos, União, estado e município. Todos são corresponsáveis pelos sepultamentos clandestinos e pelos desaparecidos políticos. Então, imaginamos que todos devam responder por isso. O Ministério Público em dezembro já os notificou para tomarem iniciativas nesse caminho.
Agora pretendemos retomar esse assunto. Como são muito difíceis as possibilidades de encontrar os restos mortais, pelo grande tempo transcorrido, achamos que não se deve sequer esperar todas as buscas para pensar na construção desse memorial. Achamos que podemos começar a discutir isso já. Esse trabalho vai ser sempre um trabalho em aberto porque podem surgir novas tecnologias e novas informações que permitam reabrir. Ele nunca será concluído totalmente. Então, acho que já passou da hora de fazer um memorial e de continuar com os trabalhos. Tem de ser uma coisa sempre aberta, sempre para a frente. É preciso homenagear e, mais que homenagear, garantir às famílias desses desaparecidos um espaço, um lugar simbólico para que possam prantear seus entes queridos.
 
RBA – Há possibilidade de que a construção do memorial seja utilizada como pretexto para encerrar as buscas por desaparecidos?
Pretexto as pessoas que são contra o trabalho sempre vão buscar, para prejudicá-lo. Mas o importante é que nós temos cada vez mais ampliado as parcerias com as instituições para que isso não ocorra. Então, tenho convicção de que, sendo tudo feito com transparência e de uma forma muito democrática, esse risco não existe. Enquanto o Ministério Público estiver zelando, as familiares estiverem zelando e a Comissão sobre Mortos e Desaparecidos estiver consciente de sua responsabilidade, esse risco é nulo.
 
RBA – No ano passado, principalmente no momento eleitoral, houve certo acirramento em torno da discussão sobre o passado. A sociedade saiu mais consciente desse debate?
Acho que tem algumas coisas importantes para fixar. Até 2008, quando o Ministério Público Federal em São Paulo começou a tratar do assunto, simplesmente o país não falava desse tema, era um assunto proibido, oculto. O fato de a sociedade brasileira, em qualquer contexto, estar discutindo é muito bom, porque estamos desinterditando esse assunto. É muito importante que num momento eleitoral se discuta. Mais importante ainda é que a presidente da República, quando tomou posse, fez menção em mais de uma passagem de seu discurso da relevância desse tema. Isso está garantido. Não temos dúvida de que vamos experimentar avanço nessa matéria. Quanto mais debate houver, inclusive para ouvir com espaço daqueles que pensam diferente, é importante. Isso é democracia, é a liberdade de manifestação e o esgotamento do debate.
 
RBA – De que maneira a Comissão da Verdade pode ajudar em trabalhos como este, de busca de desaparecidos?
A Comissão da Verdade pode ter um grande papel a desempenhar. Ela tem uma dimensão bastante expressiva no âmbito nacional e que, na nossa visão, pode atrair mais pessoas para este trabalho. Agora, é preciso inaugurar uma discussão sobre qual comissão da verdade queremos. O Brasil não pode se dar ao luxo de ter uma comissão de meia-verdade. Tem de ser uma comissão de verdade mesmo.
E isso significa ter uma lei que crie uma comissão dotada de condições materiais, humanas e jurídicas para exercer bem o seu mandato. Se não, pode ser uma frustração ainda maior. Neste sentido foi a condenação da Corte Interamericana de Direitos Humanos para o Estado brasileiro, que diz que a Comissão da Verdade que está em projeto precisa ser independente, idônea, transparente e dotada de recursos e atribuições correspondentes a seu mandato. Isso vai demandar, a nosso ver, um pequeno ajuste no projeto de lei enviado pelo Executivo.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/02/201cbrasil-nao-pode-se-dar-ao-luxo-de-comissao-de-meia-verdade201d-alerta-procurador

China tem mais de 130 operários intoxicados em fábrica de iPhone

Um total de 137 operários de uma fábrica chinesa de telas para telefones iPhone da Apple ficaram intoxicados por um produto químico em 2009, revelou nesta quinta-feira (24) a empresa empregadora, com sede em Taiwan.

Em 2009, 137 funcionários da fábrica Wintek Corp em Suzhou, leste da China, foram envenenados com hexano, um produto químico que se utiliza para limpar o cristal dos telefones.
 
Depois do incidente, os trabalhadore receberam indenizações de um total US$ 15 mil.
 
Mais informações acesse: http://www1.folha.uol.com.br/tec/880461-china-tem-mais-de-130-operarios-intoxicados-em-fabrica-de-iphone.shtml
 

Urbanista diz que prefeitura de SP precisa rever políticas para moradores de áreas de risco

A prefeitura de São Paulo precisa estabelecer uma política habitacional consistente para reduzir efetivamente o número de famílias que vive em áreas de risco, disse o urbanista do Instituto Polis, Kazuo Nakano. “Enquanto a gente não tiver uma política habitacional boa, as famílias vão continuar indo para essas áreas”, acrescentou.

A prefeitura divulgou nessa terça-feira (21) o mapeamento de áreas de risco na cidade. Segundo o levantamento, 29 mil famílias vivem em situação de risco alto ou muito alto. Para resolver o problema dessas pessoas, o executivo municipal promete implantar ações integradas, que vão desde a transferência de domicílios em situação de risco à eliminação do risco por meio da construção de sistemas de drenagem e tratamento de encostas.
 
Nakano destacou que para conseguir atender a maior parte das famílias é preciso uma “programação de investimentos permanentes” em moradia, ao contrário do que tem sido feito até agora. “As reiteradas ocorrências de desastres, de deslizamentos e do aumento do número de mortes mostra que as ações da prefeitura têm sido completamente insuficientes”, apontou.
 
O foco de destinação dos projetos e recursos na capital paulista está concentrado, segundo o urbanista, na ampliação do sistema viário. “ Na abertura e construção de vias, em obras desse tipo”, afirmou.
 
Para ele, a solução do problema de milhares de pessoas que vivem em áreas de risco exigirá não somente recursos financeiros, mas bons projetos de realocação dos que tiverem que deixar suas casas. “Em uma remoção só com indenização, muito provavelmente as pessoas não conseguem recompor sua vida naquele mesmo lugar”, destacou a professora do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais, Heloísa Costa.
 
Ela admitiu, no entanto, que encontrar uma nova residência para os moradores dessas áreas em uma grande cidade envolve conflitos com os interesses daqueles que têm imóveis desocupados. “Tanto a terra quanto a habitação vazia têm dono, então conseguir conciliar essas duas coisas nem sempre é possível nessa escala.”
Nakano lembrou que é preciso ainda criar instrumentos para evitar novas ocupações irregulares. “Construir uma estratégia de regulação da terra urbana que precisa ser muito forte, com fiscalização descentralizada”, disse.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/02/urbanista-diz-que-prefeitura-de-sp-precisa-rever-politicas-para-moradores-de-areas-de-risco

ProUni encerra segunda etapa de inscrições

Estudantes interessados em participar da segunda etapa de inscrições do Programa Universidade para Todos (ProUni) têm até esta quinta-feira (24) para se inscrever pela internet.

Para receber uma bolsa do programa, é preciso ter cursado todo o ensino médio em escola pública ou estabelecimento privado com bolsa integral. É necessário ainda ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, atingido o mínimo de 400 pontos na média das cinco provas e não ter tirado zero na redação.
 
Podem participar da segunda etapa de inscrições candidatos que não participaram ou não foram aprovados no primeiro processo seletivo. Quem já conseguiu o benefício não pode se inscrever novamente na disputa.
As bolsas integrais são destinadas aos alunos com renda familiar mensal per capita (por membro da família) de até 1,5 salário mínimo. As parciais, que custeiam 50% da mensalidade, são para os candidatos cuja renda familiar mensal per capita não passe de três salários mínimos.
 
Para o primeiro semestre de 2011, o Ministério da Educação (MEC) ofereceu 123 mil bolsas, mas não há informações sobre quantas já foram preenchidas na primeira etapa de inscrições.
 
A lista dos candidatos pré-selecionados será divulgada domingo (27). Os aprovados devem comparecer até 4 de março às instituições para comprovar as informações e apresentar os documentos necessários. Há previsão de uma segunda chamada no dia 13 de março, caso ainda haja bolsas disponíveis.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/educacao/2011/02/prouni-encerra-segunda-etapa-de-inscricoes

Com 152 mil vagas, emprego formal teve seu segundo melhor janeiro da história

O mercado formal de trabalho criou 152.091 postos de trabalho em janeiro (crescimento de 0,42% sobre o estoque), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta quinta-feira (24) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Foi o segundo melhor resultado para o mês na série histórica, iniciada em 1992, ficando atrás apenas do saldo apurado no ano passado (181.419). O saldo é resultado de 1,650 milhão de contratações e 1,498 milhão de demissões. Em 12 meses, na série ajustada, que inclui informações entregues fora do prazo, o número de empregos com carteira atingiu 2.467.372, expansão de 7,34%.

Segundo o MTE, o resultado de janeiro reflete uma alta quase generalizada nos oito setores de atividade econômica pesquisados. Dois registraram recordes. Os destaques foram os setores de serviços (73.231 vagas formais a mais, saldo recorde, crescimento de 0,51%), indústria de transformação (53.207, aumento de 0,67%, terceiro melhor resultado para o mês) e construção (33.358, alta de 1,31%, a maior taxa do mês). Pelo Caged – por influência de fatores sazonais –, houve queda no comércio (-18.130, queda de 0,23%) e na administração pública (-1.042, recuo de 0,12%).
 
Foram abertas 71.095 vagas no Sudeste (0,36%), 49.075 no Sul (0,76%), 28.552 no Centro-Oeste (1,08%, expansão recorde para o mês) e 3.980 no Norte (0,26%). No Nordeste, o resultado mostrou estabilidade, com queda de 0,01%, o equivalente a menos 611 postos de trabalho. De acordo com o MTE, o declínio foi “influenciado por componentes sazonais relacionados ao complexo sucroalcooleiro”.
 
Ajustes
O ministério informou que passará a divulgar duas séries de emprego com base no Caged, com e sem ajustes. O objetivo, afirma o MTE, é “retratar com maior fidedignidade a realidade do mercado de trabalho formal celetista”. A série com ajustes considera declarações entregues fora do prazo. A outra será mantida para não interromper a série histórica. De janeiro a dezembro de 2010, por exemplo, foram declarados 2.136.947 empregos. Com ajustes, esse total chega a 2.555.421.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/economia/2011/02/com-152-mil-vagas-emprego-formal-teve-seu-segundo-melhor-janeiro-da-historia

Uma semana após repressão policial, movimento contra alta do ônibus promete nova manifestação em SP

Ativistas contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo prometem uma grande manifestação nesta quinta-feira (24). Há seis semanas, militantes do Movimento do Passe Livre (MPL), estudantes, trabalhadores e pessoas insatisfeitas com o reajuste do ônibus organizam protestos públicos às quintas-feiras.

O último ato, diante da prefeitura, no dia 17, teve intervenção violenta da Polícia Militar (PM) e da Guarda Civil Metropolitana (GCM). Bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e gás de pimenta chegaram a ser empregados para dispersar manifestantes. Vereadores e jornalistas também foram agredidos.
 
Para o vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais, Marcelo Zelic, o uso de armas não letais pela PM e CGM tem de ser discutida pela sociedade para não se repetirem cenas como as da semana passada. O grupo pretende entrar com ofício na ouvidoria das corporações para solicitar o conteúdo das orientações que os policiais recebem sobre o uso dessas armas nos protestos. “Consideramos essa manifestação de amanhã (quinta, 24) um ato de desagravo as ações repressivas da polícia no último ato”, pontua Zelic.
 
Mobilizados
Em 13 de janeiro, data do primeiro protesto de 2011 contra a alta das tarifas – que elevou a passagem de R$ 2,70 para R$ 3 –, a PM reprimiu os manifestantes de forma violenta no momento em que eles se dirigiam à Câmara dos Vereadores. Houve a prisão de 31 pessoas, e as cenas da ação policial se espalharam pela internet.
 
Nas semanas seguintes, o diálogo entre o comando da PM e os organizadores dos atos ampliou-se e mantido constantemente durante os atos. Com isso, nenhum incidente mais grave foi registrado. A política de bom relacionamento era inédita em anos anteriores em manifestações contra a tarifa.
 
Há duas semanas, em 10 de fevereiro, cerca de 3 mil manifestantes passaram por dentro do terminal Dom Pedro II, o maior da América Latina. O movimento considerou a ação uma vitória. Em 2010, uma passeata contra o reajuste daquele ano foi reprimida pela Polícia Militar quando os manifestantes aproximaram-se do local. “Depois de alguns anos em que o terminal havia virado ‘tabu’, mostramos que vamos entrar quando quisermos. Quem pega ônibus tá lá. Então é pra lá que vamos!”, declarou o Movimento do Passe Livre (MPL), em nota, após o episódio.
 
Essa ocupação ocorreu de modo pacífico, mas parece ter alterado o direcionamento das orientações à PM. Na visão de alguns ativistas do MPL, após a ação não houve mais diálogo com o comando das forças policiais nem antes, nem durante os protestos. Apesar de manifestações seguintes terem ganhado apoio de vereadores, a tensão cresceu.
 
Com apoio de membros da Câmara municipal, uma audiência pública para discutir o transporte e a tarifa foi realizada. O presidente da Casa, José Police Neto (PSDB), comprometeu-se a intermediar uma reunião entre os manifestantes e o executivo para se discutir a revogação do reajuste do ônibus.
 
Essa reunião de negociação deveria ser realizada no dia 17, mas nenhum representante da Secretaria de Transportes compareceu. Integrantes do MPL e três vereadores da capital se encaminharam para a Secretaria de Transportes e se reuniram com o secretário-adjunto de Transportes, Pedro Luiz de Brito Machado, que afirmou que o reajuste de tarifas de ônibus na cidade foi uma decisão política e não técnica.
 
Sem disposição da prefeitura por negociação, seis manifestantes decidiram acorrentar-se em catracas na entrada da prefeitura. O prédio da sede da administração municipal foi cercado. Durante a tarde, as grades de isolamento caíram, segundo a PM, por ação dos manifestantes – que alegam que o fato foi acidental – e a repressão policial começou.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/02/uma-semana-apos-repressao-policial-movimento-contra-alta-do-onibus-promete-grande-manifestacao-em-sp

Política de seleção de professores em SP é uma “aberração”, diz pesquisadora

A médica pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, critica a prática do governo de São Paulo por impedir a posse de professores aprovados em concurso público para a rede estadual de ensino por tirarem licença por motivo de depressão, em algum momento da carreiras. Para ela, as exigências para contratação de professores são “absurdas” e “discriminatórias”.

No início de fevereiro, o governo estadual decidiu impedir professores de assumir aulas na rede pública por classificá-los como obesos.  Professores míopes também estariam vetados na seleção.
 
Segundo Maria Maeno, buscar excelência em produtos e serviços é desejável, mas esse conceito não se aplica às pessoas. “Como é que todos nós vamos ser sempre excelentes, sempre bem humorados, sempre saudáveis, sempre felizes?”, questiona. “Isso não existe, isso não é humano”, determina a médica.
 
A especialista também vê uma inversão do papel da Medicina e do próprio Estado na política de seleção de professores em São Paulo. “A medicina não pode ser usada nesse sentido, deveria ser utilizada com o objetivo de incluir as pessoas”, dispara. 
 
“Mesmo pessoas com depressão, dependendo das condições, podem continuar trabalhando. Não tem importância que tomem medicação, mas se encontrarem no trabalho um ambiente acolhedor isso poderá ser muito benéfico para o trabalhador e seu tratamento”, defende Maria Maeno. “Infelizmente não é o que acontece”, constata. A depressão em muitos casos é decorrente de episódios que ocorrem na vida de qualquer um e após um tempo pode ser perfeitamente superada, caso seja tratada adequadamente, o que inclui o acolhimento nos diversos setores da sociedade, entre os quais, o local de trabalho, o sistema de saúde e a Previdência Social, ensina a pesquisadora.
 
Por trás desse tipo de avaliação estaria a concepção de homem perfeito, já observada em outros momentos da história. “Já tivemos experiências no passado recente em que isso aconteceu, como na Alemanha, por exemplo”, lembra.
 
Maria Maeno teme que a propagação desse tipo de mentalidade, tanto no serviço público como em empresas, torne uma “aberração” em algo natural. “É preciso cortar o mal pela raiz”, indica.
 
Responsabilidade
Órgãos públicos e empresas têm o dever de garantir um ambiente de trabalho sadio, pleitea a médica. Ela acredita que o governo de São Paulo deveria analisar a precariedade a que seus trabalhadores estão submetidos e dar condições dignas ,em vez de impor um perfil irreal. “Esquece-se da promoção da saúde e parte-se para a discriminação, para a seleção de alguns que eles consideram mais resistentes, mais capazes de enfrentar esses problemas”, sugere.
 
“Primeiro as empresas deveriam debruçar-se sobre si mesmas e sobre a organização de trabalho que impõem aos trabalhadores e reconhecer que essa organização faz as pessoas sofrerem desgaste precoce e grave”, avalia.
 
Em nota à imprensa, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) também classificou de “absurda” a ação do governo estadual ao impedir que professores obesos, com miopia e que tenham passado por depressão tomem posse, mesmo depois de passarem em concurso público.
 
“Trata-se de mais uma decisão absurda do governo estadual, que submete esses profissionais a uma situação de discriminação, injustiça e preconceito, num contexto onde o Brasil vem avançando na garantia dos direitos humanos a parcelas cada vez maiores da população”, expressa o sindicato.
 
A exemplo dos profissionais vetados por serem considerados obesos, os professores envolvidos no novo episódio de discriminação ministram aulas na rede estadual de ensino como temporários, esclarece a  Apeoesp.
 
“Perguntamos: por que esses professores podem ser ocupantes de função atividade, mas não podem ser efetivos?”, discute. “Estão sendo vetados professores que, em determinados momentos, necessitaram tirar curtos períodos de licença, mas já se encontram em perfeitas condições de saúde”, critica a entidade sindical.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/trabalho/2011/02/politica-de-selecao-de-professores-de-sp-e-uma-aberracao-diz-pesquisadora-1

Justiça suspende reajuste de inspeção veicular em São Paulo

O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu liminar determinando a suspensão do reajuste da taxa de inspeção veicular na capital paulista. A decisão foi tomada pelo desembargador Artur Marques nesta terça-feira (22).

A ação contra o reajuste foi movida pelo vereador José Américo (PT). No documento, ele argumenta que o prefeito Gilberto Kassab (DEM) descumpriu cláusula do contrato que prevê reajuste somente após estudo prévio. Na cidade de São Paulo, o licenciamento anual de veículos depende de inspeção veicular desde 2009.
 
O reajuste foi anunciado em 30 de dezembro, cinco dias depois de a Prefeitura informar que o valor ficaria congelado. A taxa passaria de R$ 56,44 para R$ 61,98, aumento de 9,81%.
 
“Concede-se a liminar para obstar que o reajuste do preço público seja aplicado antes da conclusão dos estudos concernentes ao reequilíbrio econômico-financeiro do contrato.” diz a decisão do desembargador.
 
No início de janeiro, a Controlar, empresa responsável pelo serviço de inspeção veicular na capital paulista, chegou a suspender a emissão de boletos para a marcação de inspeções por causa da demora da Prefeitura em aceitar o reajuste. Os proprietários de automóveis que já realizaram a inspeção não terão direito a reembolso.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidades/2011/02/justica-suspende-reajuste-de-inspecao-veicular-em-sao-paulo

Bolsa Família chega a 12,9 milhões de atendidos

O Programa Bolsa Família, que tem por objetivo combater a fome e a pobreza, alcançou a meta de atendimento definida em abril de 2009. São 12,9 milhões de famílias que podem sacar o benefício. As informações são do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e foram baseadas nos Mapas da Pobreza, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os valores transferidos superam R$ 1,2 bilhão. Essa foi a segunda meta estipulada para o programa desde a criação, em outubro de 2003. O benefício está disponível nos postos de pagamento da Caixa Econômica Federal até 28 de fevereiro.
 
A primeira meta previa a inclusão de 11,1 milhões de famílias e foi atingida em junho de 2006, com base nas informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2004. Na época, o critério de entrada no programa era ter renda mensal por pessoa da família de até R$ 120,00.
 
No início de 2009, o MDS optou por usar os Mapas da Pobreza como referência para a estimativa e também corrigiu o valor para atendimento pelo Bolsa Família, que passou a ser de R$ 140. Essa atualização obedeceu à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre abril de 2006 e dezembro de 2008. Esse valor é mantido até hoje.
 
Com essas mudanças, o programa ampliou sua meta,  para 12,9 milhões. O objetivo, segundo o MDS, é chegar a toda população pobre e estimular o acesso aos serviços de educação e saúde.
 
Economia
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que, para cada R$ 1 investido no Bolsa Família, o Produto Interno Bruto (PIB) aumenta em R$ 1,44. Metade dos recursos é destinada à região Nordeste. Bahia, Pernambuco e São Paulo lideram em total de valores recebidos.
 
A complementação de renda, com o pagamento do benefício, está aliada ao cumprimento de condições nas áreas de educação e saúde. Frequência escolar abaixo dos índices exigidos, falta de acompanhamento de pré-natal e criança sem vacinar podem levar ao bloqueio e ao cancelamento do benefício. A atualização cadastral permanente, ou pelo menos a cada dois anos, é outro compromisso da população atendida.
 
Atualização
Neste ano, 1,3 milhão de famílias precisarão renovar seus dados para evitar o cancelamento do programa. A lista das famílias que está no processo de revisão de 2011 já está disponível para os gestores no Sistema Integrado do Programa Bolsa Família (Sigpbf), no site do MDS.
 
Toda família com renda mensal por integrante de até R$ 140 tem direito ao Bolsa Família. O benefício varia de R$ 22 a R$ 200.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/cidadania/2011/02/bolsa-familia-chega-a-12-9-milhoes-de-atendidos

Investir em atividades sustentáveis pode ajudar a combater pobreza, defende ONU

O investimento de 2% da atual riqueza mundial em setores que estimulem o desenvolvimento sustentável pode levar a economia global a crescer acima do limite máximo imposto pelo atual modelo econômico, ajudando no combate à pobreza e ao desperdício. A conclusão consta de um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnuma) que contesta o argumento de que investimentos ambientais retardariam ou impediriam o crescimento econômico.

O relatório Rumo a uma Economia Verde: Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a Erradicação da Pobreza, divulgado hoje (21) e disponível na internet, aponta a agricultura, o setor de construção, de abastecimento de energia, a pesca, silvicultura, indústria, o turismo, os transportes, o manejo de resíduos e o abastecimento de água como áreas fundamentais para tornar a economia global mais sustentável, ou seja, que contribua para melhorar o bem-estar das populações e diminuir as desigualdades sociais, reduzindo também os riscos ambientais.
 
Segundo o documento que será apresentado a ministros do Meio Ambiente de mais de 100 países durante a abertura do Fórum Global de Ministros do Meio Ambiente, promovido pelo Conselho de Administração do Pnuma, o redirecionamento por meio de políticas nacionais e internacionais de cerca de US$ 1,3 trilhão anuais para iniciativas sustentáveis beneficiaria não apenas os países desenvolvidos, mas principalmente os em desenvolvimento. Nessas localidades, em alguns casos, cerca de 90% do Produto Interno Bruto (PIB) estão ligados à natureza ou a recursos naturais como a água potável, que se quer preservar.
 
O estudo indica que, atualmente, o mundo gasta entre 1% e 2% do PIB global subsidiando atividades que, a médio e longo prazo, tendem a esgotar o recursos naturais, tais como o atual modelo de agricultura, pesca e de dependência de combustíveis fósseis. De acordo com o relatório, grande parte dessas ações contribui para intensificar os danos ambientais e ampliar a ineficiência da economia global e parte dos recursos necessários para os investimentos em soluções poderia vir do que seria poupado combatendo os desperdícios.
 
Ou seja, a transição para a Economia Verde envolve políticas e investimentos que desassociam o crescimento econômico do consumo intensivo de materiais e energia. Como exemplo, o estudo cita o Brasil, onde a reciclagem já gera retornos de U$S 2 bilhões anuais ao mesmo tempo em que evita a emissão de 10 milhões de toneladas de gases de efeito estufa.
 
O Pnuma acredita que, com o estímulo de políticas públicas adequadas, mais vagas de trabalho serão criadas em nova atividades econômicas como as ligadas à produção de energia renovável e de agricultura renovável, compensando os empregos que fatalmente serão extintos devido ao esgotamento do atual modelo, caso da pesca, setor em que, segundo o relatório, subsídios de pelo menos U$S 27 bilhões ao ano acabaram por fazer com que a captura de pescados superasse em duas vezes a capacidade de reprodução deles.
 
Mais informações acesse: http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2011/02/investir-em-atividades-sustentaveis-pode-ajudar-a-combater-pobreza-defende-onu