Governo federal aprova a redução do IPI para a linha branca

A redução do IPI nos chamados produtos linha branca foi autorizada pelo Governo Federal, na última sexta-feira, 17 de abril. Por três meses o IPI ficará reduzido de 15% para 5% para as geladeiras; de cinco para 0% nos fogões, de 20% para 10% para máquinas de lavar e de 10% para 0% para os tanquinhos. O faturamento do dia de algumas lojas chegou a 22% a mais do que no mesmo dia do ano passado.

A redução, segundo o Ministro da Fazenda Guido Mantega, será repassada integralmente para o consumidor. “Minha expectativa ao reduzir o IPI da linha branca é que haja aumento da arrecadação de outros impostos devido ao aumento das vendas desses produtos”, afirmou. “Essa renúncia fiscal pode ter impacto momentâneo, mas, depois, será sucedida por aumento de arrecadação.

O Ministro afirmou também que, a exemplo dos acordos de redução tributária feitos com a indústria automobilística, de motocicletas e construção civil, haverá o compromisso de manutenção dos empregos da indústria e da rede varejista “a indústria e o varejo ligados a este setor empregam 600 mil trabalhadores” destacou.

Além da redução do IPI, o governo Lula lançará em breve um programa para substituição de geladeiras antigas. Isso se viabilizará por meio de crédito direto ao consumidor. “Vamos dar condições para que o consumidor possa adquirir uma geladeira nova que não emita gases poluentes”, explicou o Ministro.

José Serra se recusa a participar do projeto de habitação

O governador de São Paulo José Serra (PSDB) diz que o Estado de São Paulo não deverá, por enquanto, aderir ao programa “Minha casa, minha vida”, que foi anunciado em 25 de março, pela Ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Serra, que é pré-candidato do PSDB à Presidência, afirma que só fará os imóveis se o governo Lula repassar dinheiro à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) e aceitar casas da própria companhia, para que as casas sejam construídas de acordo com o modelo já existente.

Hoje, pelo programa, os cadastrados recebem os recursos para a construção das casas as construtoras privadas que têm seus projetos aprovados pela União. Os imóveis são financiados pelo governo federal para famílias com renda de até três mínimos (R$ 1.395, atualmente), com parcelas de cerca de R$ 50, por dez anos.

Para o deputado estadual Simão Pedro (PT), coordenador da Frente Parlamentar de Habitação e Reforma Urbana, o governador José Serra está evitando a participação por considerar que o programa do governo federal poderá dar visibilidade à candidatura da Dilma Rousseff. “Ele não quer jogar água no moinho do governo federal, mas está colocando interesses eleitorais acima do interesse público”, diz.

O deputado afirma que a recusa tem mais haver com “capricho político” e critica a falta de um plano estadual de habitação e afirma que o governo do Estado foi chamado para participar do programa durante sua elaboração.

Para ele, o Estado poderia colaborar com a ação, com, por exemplo, a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) dos materiais de construção. “Com uma parceria, a CDHU poderia ampliar o número de casas que devem ser construídas pelo programa federal”, concluiu.

Nova cartada do sistema?

O encontro dos G-20 em Londres levou a uma tensa convergência entre as propostas norte americana e a européia. Esta prevê controles e regulações mais rígidas dos mercados e a norte americana procura salvar o sistema bancário privado com a injeção estatal de bilhões e bilhões de dólares, tirados dos contribuintes, com o propósito de alavancar os créditos e garantir a continuação do consumo.

Há indicações de que Barack Obama se comprometeu a assimilar algo da proposta européia e desta forma criar um consenso mínimo para enfrentar coletivamente a crise.

Cumpre, entretanto, reconhecer que ambas as soluções são intra-sistêmica e nada inspiradoras, pois de modo algum colocam em xeque o modo de produção capitalista e sua expressão política, o neoliberalismo.

Curiosamente, Sarkosy, num artigo do dia 1 de abril, propunha um capitalismo cooperativo e solidário como forma de sair do caos. Parece entender pouco da lógica do capital, pois este se rege pela competitividade e não pela cooperação.

A solidariedade na é categoria do capital, senão não teríamos tantos milhões de excluídos. Se alguém achar que o capitalismo é bom para os trabalhadores é um iludido. O capital é bom para os capitalistas que detém o ter, o saber e o poder.

Os encaminhamentos dos G-20 mantêm a acumulação do capital como o principal motor do funcionamento da economia e o mercado livre como o lugar de sua reprodução. Isso simplesmente é mais do mesmo. Não ataca as causas que levaram à crise. 

A crise econômico-financeira é vista fora do contexto global de crise: social, alimentícia, energética, climática e ecológica. Todas estas crises são consideradas como externalidades, quer dizer, fatores que não entram na contabilidade do capital, como o deslocamento de milhões de pessoas do campo para as cidades, o desflorestamento, a contaminação do solo, do mar e do ar.Estes fatores só são tomados em consideração quando se revelam empecilho para os ganhos do capital.

Mas não há como evitar a questão ética: trata-se de uma solução que contempla a humanidade como um todo e que garante a vitalidade ao planeta Terra? Ou simplesmente se trata de salvar o sistema do capital para beneficiar os que acumulam? Será mais uma cartada do sistema? Trata-se de uma crise no sistema ou uma crise do sistema?

Tudo indica que se trata de uma crise do sistema. As duas externalidades maiores – a social e a ambiental – não ganham centralidade. Mas elas são de tal gravidade que põem em xeque as soluções propostas, possuindo somente sustentabilidade a curto e a médio prazo. Depois voltará a crise, possivelmente, sob a forma de tragédia ou de farsa (Marx).

A crise social mundial é terrificante. Os dados do PNUD 2007-2008 atestam que os 20% mais ricos absorvem 82,4% das riquezas mundiais enquanto os 20% mais pobres têm que se contentar com apenas 1,6%. Quer dizer, é uma pequeníssima minoria que, em escala mundial, monopoliza o consumo enquanto os zeros econômicos são lançados na miséria. Há mais de 900 milhões de famintos e a cada quatro segundos morre um ser humano de fome conforme refere J. Ziegler em seu relatório para a ONU sobre a pobreza no mundo. Que cabeça e que coração têm analistas notáveis do Brasil (vide M. Leitão e Sardenberg) que sabem disso tudo e mesmo assim defendem um sistema de tanta perversidade?

A crise ecológica não é menor. Estamos já dentro do aquecimento global que vai ser devastador para milhões de pessoas e para a biodiversidade. E. Wilson, renomado biólogo, denunciou que a cada ano a voracidade capitalista elimina definitivamente 3.500 espécies de seres vivos. Diante deste quadro dramático, só nos resta repetir o que deixou escrito em latim o gênio da critica ao capital: “dixi et salvavi animam meam”: “disse e salvei a minha alma”.

Leonardo Boff é autor de “Homem: Satã ou Anjo bom” pela Record, Rio de Janeiro.

17 de abril, dia mundial de luta pela reforma agrária.

O dia 17 de abril de 1996, para sempre será lembrado. Nesta data aconteceu o massacre do Eldorado dos Carajás, que resultou na morte de 19 pessoas e deixou dezenas de feridos, no Pará. Mesmo após 13 anos, com evidências da participação de latifundiários no massacre, nenhum dos responsáveis foi condenado.

Em homenagem às vítimas, foi instituído, em 2002, o “Dia Mundial de Luta pela Reforma Agrária”. Nesse período, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promove manifestações e ocupações para marcar a data do Massacre, e também realiza mobilizações em diversos países para cobrar o julgamento dos responsáveis pela violência no campo e pela realização da reforma agrária.

Entenda melhor o MST e a Reforma agrária:

O problema fundiário do país tem raízes profundas. Quando efetivamente se iniciou a exploração das terras brasileiras, em 1530, foi implantado o sistema de Capitanias Hereditárias e Sesmarias. O latifúndio seria, portanto, a propriedade dominante, concentrando a terra nas mãos de poucos e deixando destituída a maior parte da população, restando à massa trabalhadora vender sua força de trabalho a um baixo preço.

Essa situação manteve-se inquestionada até a década de 50 do século 20, quando a questão fundiária começou a ser debatida pela sociedade, em virtude da industrialização. Surgiram no Nordeste as Ligas Camponesas e o Governo Federal criou a SUPRA (Superintendência de Reforma Agrária). Ambas foram duramente combatidas dentro do quadro que resultou no golpe militar de 1964.

O MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), que completou 25 anos de existência em 2009, objetiva reivindicar o acesso à terra que lhes havia sido tirada pelo processo de mecanização que transformou a agricultura brasileira ao longo da década de 70.

A proposta de reforma agrária reivindicada pelos trabalhadores é garantir a produção de alimentos a partir da agricultura familiar, ou seja, pequenas propriedades. Isso é possível a partir da desapropriação das terras improdutivas. ra tanto é preciso que essas famílias tenham a proteção de crédito e seguro agrícolas que as possibilite ter uma vida mais digna.

Leia mais sobre o assunto e confira a programação completa da semana de homenagens na página da Adital:

www.adital.com.br

CUT/SP rumo ao 1º de Maio

O 1o de maio da CUT São Paulo será com mobilizações que acontecerão simultaneamente na zona sul e na zona leste, onde haverá prestação de serviços, shows, debates e exposições sobre saúde, educação e direitos.

“A participação dos trabalhadores é fundamental para organizar e mobilizar a população sobre a importância da data. Todos devem se unir para encontrarmos juntos saídas que nos recoloquem na trilha do crescimento e do desenvolvimento”, afirma Adi Lima, secretário geral da CUT/SP.

Na próxima edição apresentaremos mais detalhes sobre os locais dos eventos, programação e formato. Na página da CUT nacional (www.cut.org.br) você confere entrevistas com lideranças sindicais que falam sobre os desafios que a Central Única dos Trabalhadores de São Paulo e os Sindicatos enfrentarão no próximo período.