Vídeo. Setor farmacêutico prepara campanha salarial 2008

No próximo dia 29 de fevereiro, às 19h, na Subsede Santo Amaro, acontece a Assembléia dos trabalhadores do setor farmacêutico, que têm data-base em 1º de abril. Em debate a aprovação da pauta de reivindicações do setor. Destaque para reivindicações como aumento real, PLR, redução da jornada sem redução de salário, defesa da saúde e segurança e melhorias nas condições de trabalho.

As propostas serão encaminhadas para a FETQUIM (Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico do Estado de São Paulo) que coordenará a campanha. Fazem parte da Federação os sindicatos – químicos de São Paulo e região; químicos do ABC e Unificados de Osasco, Vinhedo e Campinas, que juntos representam mais de 25 mil trabalhadores na base.

A pauta será entregue no sindicato patronal dia 4 de março.

A renúncia de Fidel

Fidel Castro, 81, renunciou às suas funções de presidente do Conselho de Estado de Cuba e Comandante-em-Chefe da Revolução. Entregue aos cuidados de sua saúde, prefere manter-se fora das atividades de governo e participar do debate político – que sempre o encantou – através de seus artigos na mídia. Permanece, porém, como membro do Birô Político do Partido Comunista de Cuba.

No próximo domingo, 24, Raúl Castro, 77, será eleito, pelos novos deputados da Assembléia Nacional, para ocupar as funções de primeiro mandatário de Cuba.
Esta é a segunda vez que Fidel renuncia ao poder. A primeira ocorreu em julho de 1959, sete meses após a vitória da Revolução. Eleito primeiro-ministro, entrou em choque com o presidente Manuel Urrutia, que considerou radical as leis revolucionárias, como a reforma agrária, promulgadas pelo conselho de ministros.

Para evitar um golpe de Estado, o líder cubano preferiu renunciar. O povo saiu às ruas em seu apoio. Pressionado pelas manifestações, Urrutia não teve alternativa senão deixar o poder. A presidência foi ocupada por Osvaldo Dorticós e Fidel voltou à função de primeiro-ministro.

Estive em Cuba em janeiro deste ano, para participar do Encontro Internacional sobre o Equilíbrio do Mundo, à luz do 155º aniversário de nascimento de José Martí, figura paradigmática do país. Retornei em meados de fevereiro para outro evento internacional, o Congresso Universidade 2008, do qual participaram vários reitores de universidades brasileiras.

Nas duas ocasiões encontrei-me com Raúl Castro e outros ministros cubanos. Reuni-me também com a direção da FEU (Federação Estudantil Universitária); estudantes da Universidade de Ciências Informáticas; professores de nível básico e médio; e educadores populares.

Ilude-se quem imagina significar a renúncia de Fidel o começo do fim do socialismo em Cuba. Não há nenhum sintoma de que setores significativos da sociedade cubana aspirem à volta ao capitalismo. Nem os bispos da Igreja Católica. Exceção a uns poucos que, em nome dos Direitos Humanos, não se importariam que o futuro de Cuba fosse equivalente ao presente de Honduras, Guatemala ou Nicarágua.

Aliás, nenhum dos que se evadiram do país prosseguiu na defesa dos Direitos Humanos ao inserir-se no mundo encantado do consumismo…

Cuba não é avessa a mudanças. O próprio Raúl Castro desencadeou um processo interno de críticas à Revolução, através das organizações de massa e dos setores profissionais. São mais de 1 milhão de sugestões ora analisadas pelo governo. Os cubanos sabem que as dificuldades são enormes, pois vivem numa quádrupla ilha: geográfica; única nação socialista do Ocidente; órfã de sua parceria com a União Soviética; bloqueada há mais de 40 anos pelo governo dos EUA.

Malgrado tudo isso, o país mereceu elogios do papa João Paulo 2º por ocasião de sua visita, em 1998. No IDH 2007 da ONU (Índice de Desenvolvimento Humano), o Brasil comemorou o fato de figurar em 70º lugar. Os primeiros setenta paises são considerados os melhores em qualidade de vida. Cuba, onde nada se paga pelo direito universal à saúde e educação de qualidades, figura em 51º lugar.

O país apresenta uma taxa de alfabetização de 99,8%; conta com 70.594 médicos para uma população de 11,2 milhões (1 médico para 160 habitantes); índice de mortalidade infantil de 5,3 por cada 1.000 nascidos vivos (nos EUA são 7 e, no Brasil, 27); 800 mil diplomados em 67 universidades, nas quais ingressam, por ano, 606 mil estudantes.

Hoje, Cuba mantém médicos e professores atuando em mais de 100 países, incluído o Brasil, e promove, em toda a América Latina, a Operação Milagros, para curar gratuitamente enfermidades dos olhos, e a campanha de alfabetização Yo si puedo (Sim, eu sou capaz), com resultados que convenceram o presidente Lula a adotar o método no Brasil.

Haverá, sim, mudanças em Cuba quando cessar o bloqueio dos EUA; forem libertados os cinco cubanos presos injustamente na Flórida por lutarem contra o terrorismo; e se a base naval de Guantánamo, ora utilizada como cárcere clandestino – símbolo mundial do desrespeito aos Direitos Humanos e Civis – de supostos terroristas for devolvida.

Não se espere, contudo, que Cuba arranque das portas de Havana dois cartazes que envergonham a nós, latino-americanos, que vivemos em ilhas de opulência cercadas de miséria por todos os lados: “A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis. Nenhuma delas é cubana.” “Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo. Nenhuma é cubana.”

Frei Betto é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros.

Sonhos: simples mulheres em tempos extraordinários

Exposição de fotografias de Carolina Benshemesh, que ao longo de um ano procurou e conheceu mulheres no Brasil, em Cuba, Israel e na Palestina, conversou com elas a respeito de seus sonhos e a cada uma delas entregou uma câmera descartável para que registrassem seus amores e ódios.

Devolvidas as câmeras, enquanto as entrevistadas falavam sobre suas vidas – esperanças, medos, paixões, crenças, tristezas e sonhos, e comentavam a respeito das fotos que fizeram, Carolina as fotografava.

O resultado desse trabalho está em exposição no Espaço Caixa Cultural São Paulo, Praça da Sé, 111, de terça a domingo das 9h às 21h, até 23 de março.

No espaço Caixa Cultural há outras exposições que podem ser visitadas no piso térreo e nos primeiro e segundo andares.

Setor farmacêutico cresce e fatura em 2007

Dados da própria indústria farmacêutica e também do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a indústria farmacêutica bateu recorde de vendas no ano passado. O faturamento superou a cifra dos R$ 23,5 bilhões, uma expansão de praticamente 10% em relação a 2006. Os números revelam como o setor industrial brasileiro tem crescido nos últimos anos, especialmente os laboratórios.

No Brasil, as multinacionais controlam 65% da oferta de medicamentos. Venderam, em 2007, 1,515 bilhão de unidades, o que representa um crescimento de 5,4%.

Para este ano (2008) está previsto a venda de 1,583 bilhão de unidades, o que significa a expansão de 4,5%, cujo faturamento deverá ser da ordem de R$ 25,50 bilhões, alcançando índices de 8,6% em relação a 2007, números considerados conservadores ante o crescimento da economia do país.

A indústria farmacêutica no mundo
Pesquisa da universidade de Quebec, Canadá, de 1991 a 2.000, revela: nove oligopólios farmacêuticos, que detém 80% do mercado mundial, cresceram 45,3%, contra 16,7% dos bancos, 15,6% da indústria química, 15,6% dos fabricantes de automóveis e 10,9% da telecomunicações.

Salários
De acordo com a Febrafarma (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica) a despesa com salários sobre o custo da produção farmacêutica é de, apenas, 13%. O setor é um dos que menos geram empregos.

Diante dos números acima fica mais que claro que há espaço para aumento real de salários, aumento da PLR, diminuição da jornada de trabalho sem redução de salário. Portanto, os trabalhadores/as do setor farmacêutico podem exigir dos patrões a parte que lhes cabe nesse lucro.