Imposto sindical: sua contribuição de março

O imposto sindical, previsto na legislação federal nos artigos 578 a 610 da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), foi criado pelo então governo Getúlio Vargas, há mais de 50 anos. Define o desconto de um dia de trabalho por ano.

Por se tratar de lei, a empresa desconta do salário do funcionário no mês de março e tem até o último dia útil de abril para encaminhar depósito aos bancos credenciados. A distribuição que cabe a cada entidade é feita pela Caixa Econômica Federal. Último da fila, a parcela destinada ao Sindicato (60%) é depositada no mês de junho.

O imposto sindical recolhido é assim distribuído: 20% para o Ministério do Trabalho; 5% para a CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria); 15% para a Federação Estadual dos Trabalhadores e 60% para os sindicatos dos trabalhadores.

A CUT e todos os sindicatos filiados sempre se posicionaram contra o imposto sindical. Consideram que a decisão do trabalhador em contribuir com sua entidade de classe deve ser um ato livre e soberano, sobretudo através da sua sindicalização.

Setor Farmacêutico: atentos e mobilizados

Quatro datas foram definidas para o processo de negociação que se inicia. Nas três primeiras, temas específicos serão tratados e debatidos à exaustão, na perspectiva de um entendimento que seja satisfatório para os trabalhadores. Dia 16 de abril, caso haja impasse em torno das reivindicações colocadas e das propostas apresentadas, haverá uma última tentativa de acordo.

Todas as reuniões acontecem na sede do sindicato da indústria farmacêutica (rua Alvorada, 1280 – Vila Olímpia). De um lado, os representantes dos empresários; de outro, os sindicalistas representando os trabalhadores. Serão muitas e muitas horas de debates, já que para cada uma das reivindicações da categoria, os patrões apresentam suas propostas.

A diretoria do Sindicato dos químicos já tem data indicativa de assembléia (22 de abril) para que os trabalhadores avaliem e decidam sobre as propostas apresentadas pelos patrões. Até lá, o mais importante: é fundamental que todos estejam atentos e mobilizados, acompanhando cada momento da negociação.

A orientação dos dirigentes é que os trabalhadores estejam em permanente contato com seu sindicato de classe, na sede ou subsede mais próxima, para buscar informações novas, saber os próximos passos da campanha salarial e, principalmente, para mobilizar em cada local de trabalho.

A indústria farmacêutica, os números comprovam, vai bem, muito bem. E você? Faça sua parte.

Participe das atividades convocadas pelo seu sindicato de classe. Fortaleça a campanha salarial, em sua legítima defesa.

Pronunciamento da Cut

A emenda 3 é uma invenção de um grupo de deputados e senadores para favorecer os patrões que não gostam de pagar os direitos dos trabalhadores.

Se a emenda 3 não for destruída, uma nova lei vai impedir os fiscais do Ministério do Trabalho e da Previdência de punir empresas que praticam as seguintes fraudes contra os trabalhadores:

* Não assinam a Carteira de Trabalho de seus funcionários.

* Obrigam esses funcionários a abrir firma e a emitir nota fiscal, como se eles fossem empresas prestadores de serviço e não trabalhadores que dão expediente todo o dia e estão sujeitos a regras e disciplinas típicas de quem é contratado em carteira.

* A empresa não paga o salário se o funcionário não emitir nota fiscal.

* Se o trabalhador acha ruim, é dispensado.

Além de ter seus direitos trabalhistas roubados, continuam recebendo os mesmos salários que tinham antes e são obrigados a bancar do próprio bolso as passagens de ônibus, trem ou metrô, o almoço e até o INSS, para poder se aposentar quando ficar mais velho.

E todo mês precisam pagar imposto de renda, impostos para a prefeitura da cidade e ainda pagar salário para um escritório de contabilidade. Se não pagar essas taxas, fica com o nome sujo.

Pela emenda 3, se alguém quiser reclamar vai ter de procurar a Justiça. Se o patrão ficar sabendo, vai demitir, é claro.

Os deputados e as empresas que defendem a emenda 3 querem mesmo é acabar com a carteira de trabalho e jogar na lata do lixo todos os direitos básicos dos trabalhadores – que já não são muitos.

Sobre a Emenda 3: trabalho precário não!

Uma pessoa só
A legislação (artigo 170 da Constituição; artigo 50 do Código Civil; artigo 129 da Lei 11.196) autoriza a existência da chamada “empresa de uma pessoa só”

O que diz a Lei 11.196
(Aprovada em novembro de 2005, estabelece uma série de regimes especiais de tributação)
Diz o art. 129: para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão-somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no artigo 50 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)

Menos encargos e impostos
É cada vez maior o número de “empresas de uma pessoa só”. Isto só interessa aos empregadores, porque pagam menos encargos trabalhistas, mantêm o nível salarial rebaixado e fogem da responsabilidade das obrigações trabalhistas.
Interessa, também, aos profissionais liberais que, assim, mantêm vínculo formal com a Receita, não se submetem às altas alíquotas do IR das pessoas físicas e são tributados como pessoas jurídicas para compensar a redução dos encargos trabalhistas.

Posição da Receita Federal
A Receita Federal, hoje, no governo LULA, resiste à existência da “empresa de uma pessoa só” por conta das seguintes questões:
* Livra os empregadores do pagamento dos encargos trabalhistas
* Disfarça o vínculo empregatício porque os serviços contratados aos profissionais liberais não são temporários, mas regulares
* O governo arrecada menos para a Previdência

Emenda 3
Ao aprovar a Lei da Super-Receita (6.272/05), o Congresso também aprovou, de carona, uma emenda à Lei nº 10.593/2002, que regulamenta o trabalho dos fiscais da Receita, da Previdência e do Trabalho.

O que diz a Emenda
 “No exercício das atribuições da autoridade fiscal (…), a desconsideração da pessoa, ato ou negócio jurídico que implique reconhecimento de relação de trabalho, com ou sem vínculo empregatício, deverá sempre ser precedida de decisão judicial”

Redação “tortuosa”
Para os juristas, do jeito que foi redigida a Emenda 3, os fiscais da Receita e da Previdência ficaram proibidos de “desconsiderar” as “empresas de uma pessoa só”, mas os fiscais do trabalho deixariam de poder fiscalizar, mesmo que não cometessem o abuso de desconstituir empresas.

Internacional: saúde do trabalhador em destaque

Dois dirigentes do Sindicato, Lourival Batista e Hélio de Andrade e a médica do trabalho, doutora Margarida Barreto, estiveram em Cuba onde participaram do “Congresso de Saúde e Trabalho, Cuba 2007”, de 13 a 17 de março passado.

Os três fizeram parte da delegação brasileira e tiveram participação intensa e evento. Participaram de dez mesas redondas de debates; foram responsáveis por oito conferências, sendo duas por Hélio Andrade, duas por Lourival Batista e quatro pela Margarida Barreto. Participaram também de uma reunião do Comitê latinoamericano responsável pelo encontro “Mulher Saúde e Trabalho”, evento que será realizado em Zacatecas, no México, em 2008. O evento permite a participação de trabalhadores e dirigentes sindicais que acumulam experiências práticas com o tema de “saúde da trabalhadora”.

Ao final do Congresso, foram apresentas à plenária propostas construídas no Congresso e foram aprovadas por unanimidade. Três propostas finais, dizem respeito ao tema Assédio Moral no trabalho:

1) Criar a Rede latina de enfrenta-mento à violência, integrada por países de América Latina, Espanha, Portugal e Itália. Patrizia Dietinger, conhecida nos estudos sobre o Assédio Moral na Itália e em Portugal e Espanha participou do evento em questão.

2) Realizar em 2008, no Brasil, um Congresso Internacional especializado em temas de violência no trabalho. A organização ficou sob a responsabilidade dos sindicatos brasileiros. Antes do Congresso, se realizará um Seminário preparatório, em Cuba.

3) Para a integração latino-americana, é necessário que se elabore e adote um acordo internacional sobre a condenação do assédio moral no ambiente de trabalho e se elabore estratégias de enfrentamento à violência no trabalho.

Cuba – Brasil

Saúde lá e cá

Em Cuba a formação do médico é voltada para atender dentro do Sistema de saúde do país. No Brasil, a formação é direcionada para as especialidades e para a medicina privada.

O Sistema de Saúde cubano é organizado a partir do MFC (Médico de Família e Comunidade), responsável por 120 famílias. No Brasil, o médico do PSF (Programa de Saúde da Família) atende em média, 1000 famílias.

Em Cuba, o tempo de espera para consulta é de no máximo uma semana. No Brasil, o tempo é de um mês a um ano.

Notas

Educação 1

O Governo Lula apresentou o PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação).  O plano é um esforço para dar um salto no nível de ensino do país, além de equiparar em qualidade os municípios brasileiros. As medidas, de curto, médio e longo prazo, contemplam o ensino básico, superior, profissional e continuado e, envolvem a gestão dos governos federal, estaduais e municipais. O Plano vai mobilizar as famílias, diretores de escolas, professores. Dentre outras questões o PDE tem metas de  qualidade no ensino para avaliar o aprendizado das crianças e adolescentes.

Educação 2

Dentre as medidas já apresentadas pelo governo como parte do PDE uma é o plano de alfabetização de jovens e adultos que, passa a abrigar conceitos de regionais e qualificação do material didático, num aperfeiçoamento do programa Brasil Alfabetizado. Outra medida diz respeito ao ensino superior, com a ampliação do prazo de pagamento do financiamento estudantil, que pode alcançar até 100% da mensalidade. O pagamento deverá ser efetuado pelo sistema de consignação, com desconto em folha, quando o jovem estiver formado e empregado.

Educação 3

O governo federal vai levar o tema dos Direitos Humanos a todas as instituições de ensino públicas e privadas. O PNE em Direitos Humanos lançado em março está estruturado em cinco temas: educação básica, ensino superior, educação não-formal, formação de profissionais de segurança e justiça e educação e mídia. O objetivo é promover a educação como instrumento de transformação cultural voltado à afirmação dos Direitos Humanos. A proposta está em estudo desde 2003 e recebeu contribuições profissionais do sistema de ensino, do sistema judiciário, conselheiros de direitos, entre outros.

Editorial: O sobe e desce dos números

Em meados de março o jornal Folha de São Paulo publicou pesquisas do Instituto Data Folha, sobre como a população avalia seus governantes. Foram avaliados o presidente LULA, o governador José Serra e o prefeito, Gilberto Kassab.

Dos três, o que obtém o melhor percentual de avaliação entre ótimo e bom, com 42%, é o presidente LULA. Em seguida vem Serra, com cerca de 38%. Por último, com menos de 30%, o prefeito, Gilberto Kassab. Este, aliás, demonstra, dia após dia sua total inabilidade e incompetência para governar a maior cidade da América Latina.

O governador paulista, mesmo com a blindagem da mídia, vem sofrendo o desgaste de ser governo. À beira de completar 100 dias de mandato, José Serra ainda não disse a que veio. Da omissão no desastre da linha quatro do Metrô à falta de material escolar e livros didáticos nas escolas, Serra não se pronuncia, não se manifesta. Ao que parece, o governo do maior Estado da União está à deriva.

Quanto a LULA, o melhor índice de aprovação de governo em início de segundo mandato, os números revelam que o povo não é bobo. Apesar do forte bombardeio que sofre da mídia, o Presidente se sobressai pelas suas realizações, pela evidência de que o Brasil vem melhorando sua situação sócio/econômica.

Claro que ainda há muito por fazer, em relação a geração de emprego, distribuição de renda, políticas sociais, redução da violência. Mas o Brasil progrediu nos últimos quatro anos; disso, a maioria da população não tem dúvida e, por isso, não se deixa enganar.

Os indicadores revelam, a nosso ver, que vai caindo o mito de que a mídia representa o quarto poder neste país. E isso por fatores como elevação do nível de consciência do nosso povo, o potencial da comunicação comunitária, o fenômeno da informação instantânea, em tempo real, através da internet…

Diretoria colegiada