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Postado em: 12/11/2014 - 14h58 | CNQ

Encontro Regional debate redes sindicais e ações globais dos trabalhadores

Terceirização, saúde e segurança do trabalhador e trabalho à distância são alguns dos temas que precisam ganhar maior espaço no diálogo social

 
“A rede é um instrumento para aumentar a mobilização dos trabalhadores no mundo. Na minha opinião, o futuro do sindicalismo brasileiro será o fortalecimento das redes nos setores”, afirmou o secretário geral adjunto do IndustriALL, Kemal Ozkan, na primeira mesa de debates do Encontro Regional de Redes Químicas, realizado nos dias 6 e 7 de novembro, em São Paulo. 
 
A atividade reuniu trabalhadores e trabalhadoras nas empresas Saint Gobain, Bayer, Lanxess, Owens Illinois e Sanofi-Aventis para debater estratégias e os desafios colocados para o movimento sindical diante do crescente poder econômico e político das empresas transnacionais. A presidenta Lucineide Varjão (foto ao lado) compôs a mesa de abertura do Encontro, saudando os presentes em nome da CNQ.
 
Junto a Kemal no debate sobre a ação sindical global dos trabalhadores químicos estava o secretário de relações internacionais da CNQ-CUT, Fabio Lins; o representante do sindicato dos químicos da Alemanha (IG BCE), Oliver Zühlke; o representante da Fequimfar,  Edson Bicalho; e o secretário regional do IndustriALL, Jorge Almeida. A mesa foi mediada por Tina Hennecken, diretora da Fundação Friedrich Ebert (FES).
 
Estratégia do IndustriALL
 
Diante da fragilidade do movimento sindical em alguns países da América Latina e principalmente do Caribe, o IndustriALL vem incentivando, além das redes sindicais, redes de informação dos setores. Minérios e Siderurgia já estabeleceram essas redes, facilitando a troca de informações entre trabalhadores de empresas de diferentes países. “A organização em rede é fundamental para brindar a solidariedade entre os trabalhadores e as novas tecnologias têm facilitado esse tipo de organização”, pontuou Almeida.
 
Em âmbito mundial, Kemal explica que o IndustriALL representa 14 setores econômicos e o objetivo do sindicato global é criar redes nas empresas que são líderes de cada setor, como, por exemplo, Novartis no Setor Farmacêutico; BASF, AkzoNobel e Solvay no Setor Químico; e Owens Illinois, no Setor Vidro.
 
“Na maior parte do mundo temos sindicatos muito pulverizados e precisamos da unidade dos trabalhadores, portanto a rede pode aportar todos os sindicatos que representam os trabalhadores de uma mesma empresa. É um importante instrumento de unidade”, afirmou.
 
Novos temas para o Diálogo Social
 
O secretário de relações internacionais da CNQ, Fabio Lins, apontou temas novos que deveriam começar a ser contemplados no Diálogo Social, como Saúde e Segurança, terceirização, trabalho à distância e participação dos trabalhadores na gestão da empresa.
 
“Há muitos trabalhadores se acidentando dentro das fábricas, precisamos discutir isso. A Terceirização é outro tema a ser colocado na mesa, seguindo o exemplo da Rede Bayer que obteve o avanço dos terceiros serem contemplados na mesma Convenção Coletiva dos efetivos. Um outro novo tema a ser discutido é o trabalho à distância, o movimento sindical não está monitorando esse trabalhador, que pode estar adoecendo dentro de casa e colocando filho para trabalhar”, destacou o secretário da CNQ.
 
Sobre a gestão da empresa, Fabio cita a necessidade de participação dos trabalhadores nos conselhos de administrações das cooperativas de crédito, a exemplo da Bayer, e das associaçoes desportivas. “Todas eles envolvem recursos dos trabalhadores, que não são consultados sobre a gestão. Essa participação nos conselhos possibilita ainda a discussão da rotatividade e outros temas que afetam diretamente a vida dos trabalhadores”, completou.
 
 
Plano de Ação
 
O segundo dia do encontro foi destinado à apresentação da conjuntura econômica das empresas químicas pelo economista Thomaz Jensen, do DIEESE. Em seguida, cada rede discutiu um plano de ações para o próximo ano, concluindo a atividade.
 
O encontro foi promovido pela Fundação Friedrich Ebert, pelo sindicato global IndustriALL e pelo Solidarity Center, com o apoio da CNQ-CUT, da Fetquim (CUT), da Força Química (Força Sindical) e Fequimifar (Força Sindical).