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Postado em: 06/04/2017 - 15h23 | Rede Brasil Atual

“José Mayer não errou. Ele cometeu um crime”, diz Marcha das Mulheres

Marcha Mundial das Mulheres reforçou hoje (5) que o caso de assédio sexual praticado pelo ator global José Mayer contra a figurinista Susllem Tonani não é um “erro”, como definiu o artista em carta encaminhada à imprensa. “O que ele cometeu foi um crime. Ele tocou a vagina dela sem consentimento. Isso é estupro”, disse uma das integrantes do movimento, Carla Vitória.

Ela defendeu que o caso retrata claramente relações de poder. “São coisas que acontecem cotidianamente com as mulheres e ficam embaixo do pano, principalmente nos meios artísticos. Ele utilizou do poder que tinha, de ser um ator famoso, com muitos anos de carreira, sobre uma figurinista que não era uma funcionária fixa da emissora. É uma posição de poder”, disse. Carla defendeu que o caso ganhou tanta repercussão por se tratar de uma pessoa famosa e lembrou que o “patriarcado está em todo lugar”.

Na última sexta-feira (31), Susllem Tonani, de 28 anos, publicou relato no blog #Agoraéquesãoelas, do jornal Folha de S. Paulo, acusando José Mayer de assédio sexual. Ela narrou diversos episódios de assédio praticados pelo ator. Em um deles, em fevereiro, “dentro do camarim da empresa, na presença de outras duas mulheres, esse ator, branco, rico, de 67 anos, que fez fama como garanhão, colocou a mão esquerda na minha genitália. Sim, ele colocou a mão na minha buceta e ainda disse que esse era seu desejo antigo”, relatou.

O texto teve grande repercussão e acabou sendo tirado do ar pelo jornal. Usuárias das redes sociais continuaram compartilhando o relato até que a Folha trouxesse o texto novamente ao ar. Em um primeiro momento, José Mayer negou as acusações e afirmou que estavam misturando “ficção com realidade”, devido ao comportamento machista de seu personagem na recém-encerrada novela das 21h, A Lei do Amor, chamado Tião Bezerra.   

No domingo (9) circulou a notícia de que a Globo afastaria o ator da novela “O sétimo guardião”, de Aguinaldo Silva, para a qual estava escalado em 2018. Na ocasião, o autor afirmou que até “até segunda ordem” manteria Mayer no elenco.

Na manhã de ontem (4), figurinistas, diretoras, atrizes e funcionárias da TV Globo realizaram um ato de apoio à figurinista nos estúdios da emissora, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio de Janeiro. Várias atrizes, como Sophie Charlotte, Drica Moraes e Tainá Müller, postaram fotos nas redes sociais vestindo camisetas com a frase “mexeu com uma, mexeu com todas”. Gloria Pires, Grazi Massafera, Bruna Marquezine, Camila Pitanga e Taís Araujo compartilharam a frase em seus perfis em redes sociais.

Logo após o ato a direção da emissora confirmou que José Mayer estava não só afastado da próxima novela, como suspenso por tempo indeterminado. “O papel da empresa seria demitir o agressor. Ele foi suspenso, mas vindo da Globo, que tem uma linha editorial que chega a incentivar a violência contra a mulher e que constrói a ideia de que mulheres provocam a violência, pode ter sido mais para abafar o caso. Houve uma mobilização grande nas redes. Isso mostra que quando as mulheres se unem, elas conseguem por fim à violência”, afirmou Carla, que garantiu que continuará acompanhando o caso para confirmar se a emissora manterá o ator afastado.

No início da tarde, o ator enviou à imprensa uma carta “aos meus colegas e a todos, mas principalmente aos que agem e pensam como eu agi e pensava”. Mayer diz que errou e pede desculpas. “Mesmo não tendo tido a intenção de ofender, agredir ou desrespeitar, admito que minhas brincadeiras de cunho machista ultrapassaram os limites do respeito com que devo tratar minhas colegas. Sou responsável pelo que faço”, disse.

“José Mayer assumiu porque estava muito queimado na imprensa. Houve um grande movimento de mulheres que já foram colegas de trabalho dele. O jeito que ele assumiu não passou de uma jogada de marketing. Ele não assume que foi machista, diz que foi apenas um erro. Ele tem toda a assessoria de imprensa da Globo para tentar minimizar o caso”, avalia Carla, da Marcha das Mulheres. “Não podemos acreditar nas desculpas. A violência não tem desculpa e a culpa nunca é culpa das mulheres.”

Em nota, a emissora afirmou que “lamenta que Susllem Tonani tenha vivido essa situação inaceitável num ambiente que a emissora se esforça cotidianamente para que seja de absoluto respeito e profissionalismo. E, por essa razão, pede a ela sinceras desculpas”. A figurinista não se manifestou.