Mercado reduz previsão da inflação
O novo Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (3) mostra uma leve melhora nas expectativas de inflação para 2025: o IPCA projetado caiu de 4,56% para 4,55%. Apesar da redução marginal, o índice ainda supera o teto da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que sinaliza persistência das pressões inflacionárias. Para 2026, o mercado mantém a projeção de 4,2%.
No campo da atividade econômica, as expectativas seguem estáveis. O PIB deve crescer 2,16% em 2025, impulsionado pelos setores de serviços e indústria, enquanto a expansão esperada para 2026 é de 1,78%. Já o dólar deve encerrar o próximo ano cotado a R$ 5,41, refletindo um cenário de cautela com a política monetária e o ambiente fiscal.
A Selic, por sua vez, permanece em 15% ao ano, segundo a decisão mais recente do Copom. O mercado acredita que essa taxa será mantida até o fim de 2025, com reduções graduais apenas a partir de 2026 — o que deve levar a Selic para 12,25% naquele ano e, possivelmente, a 10% até 2028.
Essa manutenção prolongada de juros tão altos chama atenção. Embora seja apresentada como necessária para conter a inflação e ancorar expectativas, ela impõe um custo elevado à economia real: encarece o crédito, desestimula investimentos produtivos e limita o crescimento do consumo. Em um país com inflação sob controle e sinais de recuperação moderada, manter a Selic em 15% parece menos uma política de prudência e mais um freio desnecessário ao desenvolvimento.