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Postado em: 10/08/2017 - 10h55 | Valor Econômico 28/07/2017

Químico

Produtos importados avançam no mercado local e atinge recorde

A produção brasileira de químicos de uso industrial caiu 2,33% no segundo trimestre, na comparação anual, e as vendas internas recuaram 3,1% no mesmo intervalo, de acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). Ao mesmo tempo, as importações cresceram em ritmo acelerado e bateram recorde.

No acumulado do primeiro semestre, informa a entidade, os números mostram redução de atividade, com alta de apenas 0,85% na produção e queda de 1,06% nas vendas internas. Ao mesmo tempo, o consumo aparente nacional (CAN) avançou 8,4%, confirmando a perda de participação do produtor local em relação ao atendimento da demanda doméstica.

As importações em volume tiveram aumento de 30,5% e bateram o recorde dos últimos 28 anos de análise, com fatia de 37,8% do mercado doméstico. Para o presidente-executivo da Abiquim, Fernando Figueiredo, "com elevado preço da nafta e do gás natural, bem como o alto custo da energia, o Brasil é presa fácil no mercado para os produtores internacionais ocuparem o mercado interno".

De janeiro a junho, a taxa média de utilização da capacidade instalada ficou em 77%, dois pontos percentuais abaixo do verificado um ano antes. Em junho, o índice de produção da Abiquim teve recuo de 4,56% ante maio e o de vendas internas subiu 0,49%.

Conforme a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, o metanol, que deixou de ser produzido localmente por falta de competitividade da principal matéria-prima (gás natural), "exemplifica muito bem a questão das oportunidades perdidas pelo país, que já poderia ter uma planta de escala mundial de metanol". "A alta da contribuição do PIS/Cofins sobre os combustíveis veio na contramão do que a população em geral poderia esperar. Não se fez uma avaliação e/ou adequação das despesas que poderiam ser diminuídas, ou até eliminadas, pelo próprio governo", diz, em nota.