Conjunturas Setoriais

Postado em: 02/06/2017 - 11h22 | Valor Econômico, 18/05/2017

Químico

Importação de químicos sobe 27% no quadrimestre

As importações brasileiras de produtos químicos seguem ganhando ritmo neste ano e, de janeiro a abril, totalizaram 13,7 milhões de toneladas, alta de 27% na comparação com igual período de 2016, segundo relatório de comércio exterior da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim). As exportações, por sua vez, subiram 0,6%, para 5,4 milhões de toneladas.

O avanço dos importados preocupa a indústria nacional, que defende a intensificação do combate de práticas comerciais desleais.

Segundo o presidente-executivo da entidade, Fernando Figueiredo, o Brasil tem sido destino cada vez mais frequente do excedente produtivo internacional e, com a retomada do crescimento econômico, casos de dumping também serão mais numerosos. "Temos usado o antidumping porque todo o excesso de produção mundial está sendo desovado no país."

Em receitas, as exportações brasileiras de produtos químicos ficaram em US$ 4,3 bilhões, com crescimento de 13,5%, e as importações totalizaram US$ 10,7 bilhões, expansão de 5,4%, menos expressiva do que a verificada nas compras externas em volume por causa dos preços mais baixos de químicos no mercado internacional.

Diante disso, o déficit da balança comercial de produtos químicos atingiu US$ 6,4 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano, 0,5% acima do saldo negativo apurado um ano antes. Em 12 meses até abril, o déficit ficou praticamente estável em US$ 22 bilhões.

Conforme dados da Abiquim, resinas termoplásticas foram o item mais exportado pela indústria química brasileira, com US$ 791,1 milhões e aumento de 3,2%. Intermediários para fertilizantes permaneceram como o principal grupo da pauta de importação, com compras de US$ 1,9 bilhão e crescimento de 28,7% na mesma comparação.

Em nota, a diretora de assuntos de comércio exterior da entidade, Denise Naranjo, diz que o "avanço modesto do déficit em produtos químicos no acumulado do ano é um fenômeno artificial que se deve fundamentalmente aos baixos preços praticados no mercado internacional". "Preocupantemente, as quantidades importadas continuam crescentes e, no contexto dos sinais de recuperação da atividade econômica nacional e de preços agressivos no cenário global, se torna premente garantir a intensificação do combate contra práticas comerciais desleais e predatórias, que têm causado graves danos à indústria brasileira", afirma.