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Postado em: 08/03/2018 - 14h32

8 de Março: a luta pela democracia é a luta das mulheres!

Como diria a presidenta Dilma Rousseff: “A vida não é fácil. Nunca foi” e desde o golpe que culminou com sua saída, as dificuldades têm sido cada vez maiores, sobretudo, para as mulheres. Impossível não lembrar da destituição da presidenta em tempos de luta, como é o 8º de março. A data que surgiu não como comemoração, mas como necessidade de reflexão sobre as conquistas alcançadas pelas mulheres, hoje é marcada por manifestações e reinvindicações que objetivam a promoção do empoderamento e protagonismo da mulher, bem como, da igualdade de gênero.

Neste ano, em especial, a CUT e diversos movimentos sociais feministas têm promovido debates em todo o Brasil numa Jornada de Luta das Mulheres em Defesa da Democracia e dos Direitos.  A democracia nos foi roubada e retomá-la é o passo mais importante para reverter as cruéis medidas aprovadas pelo golpista Michel Temer.

A terceirização irrestrita e a reforma trabalhista precarizam ainda mais as condições do emprego e, bem sabemos, que as mulheres, sobretudo, as mulheres negras são as mais prejudicas, uma vez que historicamente ocupam posições no mercado de trabalho mais degradantes.  Em 2017, foram fechados 20.832 postos de trabalho no Brasil,  conforme dados do Ministério do Trabalho, sendo que no ano o saldo para os homens foi positivo em 21.694 e para as mulheres negativo em 42.526, ou seja, as demissões atingem mais as mulheres que os homens e o contrário não ocorre em relação as admissões.

Outro dado importante, remete às novas formas de contratação precária previstas na atual legislação como o trabalho intermitente; que é o popular contrato zero hora onde o trabalhador fica à disposição da empresa e sua jornada não é contínua ou pré-determinada; e a jornada parcial que ampliou a quantidade de horas semanais e permitiu hora extra. Estas modalidades estão sendo utilizadas pelas empresas e percebe-se que as mulheres têm sido muito afetadas. Entre novembro/2017 e janeiro/2018, foram criados 8.831 postos de trabalho através de contrato intermitente, sendo que 41,4% das ocupações eram destinadas às mulheres. Já o trabalho parcial, atinge ainda mais as mulheres, das 8.054 vagas criadas nesta situação, 56,2% foram destinadas às trabalhadoras do sexo feminino. Tais situações impactam diretamente nos rendimentos e, consequentemente, na qualidade de vida das mulheres trabalhadoras.

Soma-se ainda a dificuldade na organização sindical provocada pelas dificuldades financeiras das entidades. A nova legislação trabalhista pretendeu também enfraquecer o poder de negociação e articulação dos trabalhadores e trabalhadoras. A CNQ-CUT que destinou parte relevante dos recursos da extinta-contribuição sindical para programas de formação e na capacitação de dirigentes com o objetivo claro de fortalecer o ramo e mobilizar os trabalhadores na luta por trabalho decente vem sofrendo com uma nova realidade.

O fato é que a perseguição aos sindicatos não intimida as ações. “A vida não é fácil. Nunca foi”. As manifestações, as passeatas, a união das mulheres para enfrentar tantos obstáculos continuará persistindo. Novas formas de organização já estão sendo desenhadas. A semente da consciência de classe e de uma sociedade mais justa foi plantada e os frutos e as flores brotam a cada dia. “Os poderosos podem matar uma, duas, três flores, mas jamais deterão a primavera”.  As mulheres não são somente as flores, as mulheres juntas são primavera. A luta pela democracia é a luta das mulheres!

*Lucineide Varjão é presidenta da CNQ-CUT e co-presidenta da IndustriAll Global Union – América Latina e Caribe

*Lucimar Rodrigues é responsável pela Secretaria da Mulher Trabalhadora da CNQ e coordenadora da Comissão de Mulheres Químicas do ABC